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Boletim Eletrônico Nº 1275

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22/06/2017



CAUSOS DA SBQ

A Rampa


A Reunião Anual da SBQ de 2004, que ocorreu em Salvador – BA foi um marco importante para mim, já que foi a primeira reunião que frequentei como Doutor. Já estava na UFG há dois anos e começava propriamente minha carreira acadêmica. No primeiro dia, fomos ao Centro de Convenções, conhecer o espaço, fazer o credenciamento, ver os livros, os stands, encontrar os amigos de outras instituições, ou seja, tudo aquilo que todo mundo faz no seu primeiro dia na RA, além é claro, de esperar o coquetel, digo, de esperar a conferência de abertura e depois o coquetel.

Estávamos andando naquele imenso centro de convenções. Eu e dois alunos de Iniciação Científica, a Danila (atualmente professora do Instituto Federal de Goiás) e o Eduardo (atualmente professor da Universidade de Brasília) Diga-se, ambos fizeram suas pós-graduações comigo nos anos vindouros. Há loucos para todos os hospícios.

O lugar era tão grande que nos perdemos ao subirmos dois ou três lances de escadas. Fomos parar em um saguão completamente vazio, escuro. Minto. Não estava completamente vazio, pois notamos fios, restos de construção. Um lugar tenebroso. Deu medo. A única coisa que a gente ouvia era o eco de nossas vozes repetindo: "não tem nada aqui-qui-qui"; "vamos descer-cer-cer"; ah, ah, ah-ah-ah-ah (nesse caso parecia que tinha 90 pessoas rindo).

Recém doutor, pensei em ter uma atitude salvadora e responsável para não passar vergonha frente aos meus alunos. Enchi o peito. Disse convicto:

- Vamos por ali-li-li-li. E apontei o que provavelmente era uma escada do outro lado do saguão, que parecia dar em algum lugar próximo à entrada. Dito e feito. Não era uma escada, era uma rampa. Era só descer e a gente ia aparecer do lado dos stands de credenciamento. Deu para ver pelos grandes espaços entre os níveis da rampa.

Danila e Eduardo foram descendo (coloquei-os na frente, como um herói e pai protetor, que orgulho!). Quando comecei a descer, um pé escorregou em alguma coisa bem mole. Nessa hora, você tenta buscar freneticamente um apoio, pois já tem quase certeza que despencará. Ao tentar mover o corpo para colocar o pé que escorregou, o outro pé também deslizou. É nessa hora que você se sente dentro do vórtex que levou aquele povo todo para o mundo do Vingador no desenho da Caverna do Dragão. Rodopiei feito um maluco para tentar achar um apoio, mas como fazer isso descendo uma rampa? E como é uma rampa, você simplesmente não cai e pronto. Você cai e vai quicando morro abaixo. Um negócio ridículo.

Fui despencando, rolando e fui parar no primeiro lance da rampa. O tombo foi tão estranho que quase derrubei a Danila e o Eduardo, feito uma partida de boliche humano. Fora o barulho de coisa despencando. Um negócio sofrível. Doeu. Olhei para as duas figuras. Eles olharam para trás e ficaram me olhando. Olhos abertos em um misto de susto e dúvida do tipo: "What a hell?"Dois segundos de silêncio. Esse é o tempo que as pessoas levam para decidir se vão te acudir ou se vão rir de você. Eles começaram a rir primeiro. E muito. Fora o fato de que a Danila tem uma risada homérica que força você a rir mais ainda. Então, você tem duas pessoas rindo, uma risada alta e mais o eco. Imaginem. Todo o povo que estava na fila do credenciamento ficou procurando o autor do barulho e as risadas malévolas.

Enfim me acudiram. Eduardo me deu a mão. Rindo. Perguntou se eu estava bem. Rindo. E o pior aconteceu. Doutor novo, em uma situação vexatória, na frente de seus alunos de IC, sem ter o que dizer. Soltei essa:

- Nossa senhora, gente. Quase caí! (Em goianês: Nósssinhóra, genti. Quais caí!)

Isso. Eu disse mesmo isso: "quase" caí. Danila e Eduardo aumentaram em níveis estratosféricos o nível das gargalhadas, enquanto me ajudavam a levantar.

Acabamos de descer. Saímos da escada em frente ao povo na fila do credenciamento, que provavelmente estava tentando saber se o barulho do tombo e das risadas era oriundo daqueles três que saiam dali, ou se era algum novo tipo de atentado terrorista. Ou quem sabe uma banda baiana de Axé. Não era possível ter dúvida, pois os dois continuavam rindo. E não era mais do tombo.

Termino esse relato, dizendo que em qualquer lugar que eu aparecesse, durante os outros dias, ou qualquer pessoa que eu encontrava, o começo da conversa era assim:

- E aí Profe (Ou Márlon), verdade que "quase" caiu da rampa? Aí as pessoas faziam aquele maldito símbolo com os dedos, imitando umas aspas. Ódio!

Ora. De onde as pessoas ouviam isso? Minha vontade inicial era cortar a bolsa dos dois. Impressionante como isso se espalhou. Com o perdão do trocadilho: espalhou-se graças a Rádio Química.


Fonte: Márlon Herbert F. B. Soares (Diretor da Divisão de Ensino de Química da SBQ)








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