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14/06/2017



IUPAC 2017: Simpósio reúne as diversas fronteiras da Química Orgânica


Evento abrangente e multidisciplinar trará 27 cientistas de 15 diferentes países, de áreas importantes que dialogam com biologia, farmácia e outras

O Simpósio "Chemical Synthesis", relacionado à área de Química Orgânica, vai reunir 27 palestrantes keynotes e convidados, de 15 diferentes países, em um dos maiores simpósios do 46º. Congresso Mundial de Química (IUPAC 2017), de 9 a 14 de julho, em São Paulo.

"Não são só muitos, são brilhantes cientistas que representam todas as áreas de fronteira da química orgânica. Temos cientistas seniores e jovens, todos com uma produção científica notável", afirma o Professor Maurício Moraes Victor (UFBA), diretor da Divisão de Química Orgânica (DQO) da SBQ. "É importante destacar que entre os feras internacionais temos os brasileiros Ronaldo Pilli (Unicamp) e Diogo Ludtke (UFRGS), mostrando que o Brasil produz química de qualidade."

Prof. Maurício Moraes Victor (UFBA): "Nossa expectativa é a melhor possível. É um evento único, uma oportunidade valiosa para termos contato com tantos químicos trabalhando nas fronteiras da Orgânica."

Alguns dos destaques estrangeiros são Karl Anker Jorgensen (Aarhus University, Dinamarca), Ilan Marek (Techion – Israel Institute of Technology), Mike Krische (Universidade de Texas, Austin), André Charette (Université de Montreal) , Carsten Bolm (RWTH Aachen University) e Mathew Sigman (Universidade do Utah).

O Simpósio tratará de quatro tópicos: Síntese total de produtos naturais bioativos; Catálise; Estrutura, função, mecanismo e processos, Métodos de síntese. "A Orgânica é uma área extremamente abrangente, cujos temas quentes são predominantemente multidisciplinares", explica o Professor Victor. "Ela dialoga com a biologia, a química inorgânica, a farmácia e outras áreas por um futuro de metodologias e reações mais limpas e eficientes."

A DQO mantém um informativo para os associados da área e no último ano divulgou intensamente o congresso da IUPAC, com o objetivo de estimular a participação no evento. "Nossa expectativa é a melhor possível. É um evento único, uma oportunidade valiosa para termos contato com tantos químicos trabalhando nas fronteiras da Orgânica", conclui Victor.

Veja programação completa do Simpósio de "Chemical Synthesis" aqui: http://www.iupac2017.org/symposia.php#cs

O Simpósio foi organizado pelo Professor Luiz Fernando Silva Jr (USP), ex-secretário-geral da SBQ, que faleceu no dia 7 de junho, e representa portanto sua última grande contribuição à área de química orgânica no País, enquanto representante da Sociedade. Como secretário-geral, o Professor Luiz Fernando participou intensamente dos esforços da SBQ para trazer o Congresso Mundial de Química ao Brasil. Ele fez parte da delegação SBQ que esteve em Busan, na Coréia do Sul, em 2015, durante o 45º Congresso Mundial de Química, para promover o evento no nosso país. "A participação do Luiz Fernando foi muito importante para realizarmos o congresso da IUPAC no Brasil" afirma Adriano Andricopulo, presidente do evento. Há pouco mais de um ano Luiz Fernando afastou-se das suas funções na SBQ, após um diagnóstico de tumor cerebral. Ainda assim fez questão de coordenar a organização do Simpósio, juntamente com o Professor Gary Molander, da Universidade da Pensilvânia. Luiz Fernando concedeu no ano passado a seguinte entrevista ao Boletim da DQO nº. 9:

Professor Luiz Fernando Silva Jr.: "Eu percebi que estava apaixonado pela Química Orgânica apenas no meio do doutorado. Antes eu gostava bastante, mas não era algo que eu imaginaria ficar sem. Hoje estou plenamente realizado com o trabalho."

Como foi seu primeiro contato com Química, e como desenvolveu sua atração pela Química Orgânica?
Meu primeiro contato com a Química foi durante o colegial no Equipe, quando tive a sorte de ter um excelente professor. O Prof. Jonas Gruber, hoje docente no IQ-USP, mostrava de forma clara e objetiva os principais conceitos de química, incluindo Química Orgânica, durante o terceiro ano. Foi um ano muito produtivo e de grande amadurecimento, ao ver como fazer margarina e outros produtos comerciais. Em uma conversa com o Jonas acabei me decidindo pela Química já no início do segundo semestre do terceiro ano. Nos dois primeiros anos do colegial, imaginava que iria fazer Biologia, depois no terceiro ano acabei optando por Engenharia, antes da conversa com o Jonas. Eu percebi que estava apaixonado pela Química Orgânica apenas no meio do doutorado. Antes eu gostava bastante, mas não era algo que eu imaginaria ficar sem. Hoje estou plenamente realizado com o trabalho.

Você tem participação bastante ativa junto à Sociedade Brasileira de Química, estando há bastante tempo com atividades junto à SBQ. Qual a importância deste engajamento na sua formação? Por outro lado, como incentivar a participação dos discentes e novos docentes em nossa Sociedade?
Na Sociedade Brasileira de Química, fui Tesoureiro da Divisão de Química Orgânica (2004- 2006), Diretor da Divisão de Química Orgânica (2006-2008), Secretário Adjunto (2012-2014) e Secretário Geral (2014-2016). Também fui Presidente das Comissões Organizadora da 38ª e da 39ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química, e Editor do Boletim da SBQ entre 2014- 2016. Foram anos de grande aprendizado, principalmente o período de Secretário Geral. Incentivar a participação dos discentes e dos docentes na SBQ é um grande desafio. É uma pena, mas ainda estamos no momento em que muitos sócios apenas pagam para ir à reunião anual. Infelizmente, um problema mais amplo do que podemos imaginar que também ocorre no exterior. Tentamos algumas coisas enquanto estive envolvido com a diretoria da SBQ. A última delas é um programa de fidelização, no qual o associado ganha mais benefícios (descontos em eventos, livros, etc) ao ter mais tempo de associado. Esse parece um caminho alternativo promissor, pois o associado pode perceber o benefício de se manter sócio de forma contínua.

Sua inserção internacional é consistente, tendo realizado seu Pós-Doc no exterior, e desde então mantido colaborações efetivas com pesquisadores estrangeiros, bem como recepção de alunos não brasileiros. Quais as dicas para que os pós-graduandos e novos pesquisadores também possam buscar esta forma de consolidar e aprimorar suas atividades de pesquisa?
A principal dica é viajar para o exterior, pois a maioria dos contatos é realizada em viagens. Além de congressos na área, uma alternativa saudável é organizar circuitos de seminários em universidades de primeira linha do exterior. Conforme o número de viagens aumenta, os contatos aumentam proporcionalmente e as viagens passam a ficar mais interessantes! Na nossa área, um evento que ocorre no Brasil é o BMOS que é uma alternativa para realizar estes contatos.

A USP hoje é uma instituição de referência na área de QO, com todas as condições de infraestrutura e suporte institucional para o desenvolvimento de atividades de pesquisa. Contudo, esta não é a realidade para a maioria dos pesquisadores. Como fazer para driblar esta carência?
A interação com grupos de pesquisa dos principais centros parece importante para manter um bom nível de atividade. A CAPES tem um edital nesse sentido. O relacionamento entre os grupos é excelente no Brasil e permite um ótimo acesso a análises e reagentes dentre os principais serviços.

Recentemente o novo governo promoveu a fusão entre os ministérios da CT&I com o das Comunicações. Como você avalia a implantação desta nova gestão na área? Temos mais a comemorar ou a lamentar?
Sem dúvida muito mais a lamentar. A diminuição de ministérios é um pedido de muito tempo em nossa comunidade, mas não parece razoável a junção com as Comunicações. Na Alemanha, que possui apenas 15 ministérios (no período Dilma tínhamos 39 pastas com o status de ministério), a pesquisa está incluída com a Educação, o que parece muito mais plausível.

A ciência vem se desenvolvendo de modo frenético, expansivo, multidisciplinar, e a Química não foge deste padrão. Quais áreas da Química Orgânica ganharão destaque no futuro?
Não acredito que haverá mudanças em termos de áreas na QO. Imagino mudanças mais na característica da pesquisa nos tempos atuais. Por exemplo, em síntese total de compostos com atividade biológica, estão claras as mudanças nas estratégias. Sínteses longas e lineares, com o objetivo de alcançar o produto natural, estão cada vez mais em desuso. O padrão atual é de uma rota mais curta com a meta de se atingir o produto natural em uma escala de grama, preferencialmente usando novas reações no caminho.

Você é um pesquisador de destaque, tendo desenvolvido seu trabalho com grande foco na área acadêmica. Qual mensagem você deixaria aos jovens estudantes e pesquisadores?
O mais importante é trabalhar com paixão com um excelente orientador! Esteja onde as coisas acontecem no estado da arte. A dedicação é provavelmente o aspecto mais importante na carreira acadêmica e é importante que não falte pelo caminho.


Texto: Mario Henrique Viana (Assessoria de Imprensa da SBQ)








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