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19/07/2018



Não existem recursos ao norte do Equador


Desafio da SBQ em Roraima é engajar uma comunidade em que poucos projetos de pesquisa sobrevivem do bolso dos pesquisadores

Enquanto grande parte do sistema de pesquisa científica no Brasil sofre com a falta de recursos verificada a partir de 2014, ao norte da Linha do Equador a situação é bem mais grave. Na última avaliação quadrienal a CAPES fechou o curso de mestrado em Química da UFRR, restando para aqueles que querem fazer um mestrado e doutorado em Boa Vista apenas o mestrado em Produtos Naturais e o doutorado em Biotecnologia. Os grupos de pesquisa não têm mais recursos, e os pesquisadores mais persistentes mantém o trabalho em andamento com seu próprio dinheiro.

Professora Simone Rodrigues Silva (UFRR), secretária regional da SBQ-RR (de vestido), com seus alunos do Laboratório de Bioinorgânica: "Acredito que os professsores precisam ser os primeiros a entenderem o valor da SBQ, sobretudo para uma região tão carente quanto a nossa."

É neste cenário que a professora Simone Rodrigues Silva (UFRR) assume o imenso desafio de coordenar os trabalhos da regional SBQ-RR pelos próximos dois anos. Em Roraima há aproximadamente 300 alunos matriculados nos cursos de química (UFRR e UERR), e cerca de 30 professores. A maioria dos formados não faz pós-graduação e vai lecionar na rede pública. "Nossos alunos em geral são muito carentes, então buscam logo o emprego. Mas como não tem havido concurso público para professores (nos últimos dois anos), as contratações são feitas no regime seletivo, com contratos de seis meses a um ano", explica a professora.

"É um momento difícil para a pesquisa no Brasil, e o caso de Roraima é particularmente complicado", afirma o presidente da SBQ, professor Norberto Peporine Lopes (FCFRP-USP). "Na SBQ estamos tentando criar programas – que vão necessitar de recursos da iniciativa privada – para oferecer oportunidades para estudantes carentes participarem dos nossos eventos."

Nesse ambiente, os químicos de Roraima ainda não têm a cultura da sociedade científica arraigada. Em 2017, pelas facilidades oferecidas aos sócios em relação à participação no Congresso Mundial de Química, IUPAC 2017, houve um pequeno aumento nas associações. "Este ano poucas pessoas renovaram a associação à SBQ, mas vamos aproveitar a Semana de Química da UFRR (em novembro), para fazer um trabalho de divulgação da SBQ."

Ela pretende focar seus esforços na comunicação com os professores como primeiro passo para fortalecer a SBQ em Roraima. "No ano passado o Encontro Regional da SBQ Norte foi realizado aqui em Boa Vista, e tivemos uma presença muito boa de alunos, mas isso não foi observado quanto aos professores. Acredito que eles precisam ser os primeiros a entenderem o valor da SBQ, sobretudo para uma região tão carente quanto a nossa", pondera a professora. Uma de suas ideias é convidar pesquisadores especialistas em ensino de Química, que é uma tendência de carreira para os graduandos locais.

Simone formou-se e fez seu mestrado na própria UFRR. O doutorado em Inorgânica, ela obteve na UFMG, em 2015. Depois voltou à UFRR para coordenar o Laboratório de Bioinorgânica. "Hoje a pesquisa em Roraima está estacionada. Nosso grupo só mantém a pesquisa porque temos uma colaboração com minha ex-orientadora. Eu faço síntese aqui, ela faz a parte de caracterizações em UFMG, e nas férias eu mando algum aluno para Minas com recursos próprios."

Ela conta que Roraima é um estado com pouco investimento privado e poucas empresas. "Roraima é muito dependente do setor público, sem dúvidas o maior investidor do estado. Não temos nenhuma colaboração com o setor produtivo, e precisamos buscar esse caminho."


Texto: Mario Henrique Viana (Assessoria de Imprensa da SBQ)








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