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24/01/2019



In Memorian
Professor Valter Stefani (30/12/52 – 19/01/19)


A Sociedade Brasileira de Química lamenta profundamente o falecimento do prof. Valter Stefani (UFRGS).

O Prof. Stefani foi Associado ativo da SBQ (nº 2002) desde janeiro de 1996, e assíduo participante das reuniões anuais da Sociedade, onde ministrou o minicurso sobre Química Forense ininterruptamente, da 24ª até a 32ª RASBQ, e todos alcançaram um enorme sucesso entre os congressistas, com mais de 130 inscritos em cada um. É, até hoje, o mais concorrido minicurso ministrado nas RASBQs.

A seguir, transcrevemos o testemunho de sua ex-aluna e professora da UFRGS, Leandra Franciscato Campo:

Professor Valter Stefani (30/12/52 – 19/01/19)

Como ex-aluna de iniciação científica, mestrado, doutorado e colega de departamento do Professor Valter Stefani, escrevo com pesar esta nota de falecimento em nome dos mais de 60 estudantes de iniciação científica, 28 mestres e 11 doutores formados por ele ao longo dos seus 35 anos de carreira, além de pós-doutores e colaboradores.

Graduado (1974) em Química Bacharelado e Licenciatura em Química pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Mestre (1977) e Doutor (1983) em Ciências Químicas pela Universidad Autónoma de Madri, o professor Valter iniciou sua carreira docente no Colégio Nossa Senhora das Dores e na PUC no ano de 1984. Foi neste ano também que ele ingressa no Departamento de Química Orgânica como o primeiro Doutor em Química do Instituto de Química da UFRGS. Foi Chefe do Departamento de Química Orgânica por dois mandatos, Vice-Diretor do Instituto de Química, membro do Programa de Pós-Graduação em Química por dois mandatos, representante da UFRGS no Núcleo Disciplinar de Química da AUGM (Asociación de Universidades Grupo Montevideo), sempre atuante para defender e apoiar os interesses da comunidade deste Instituto.  

Contou-me ele que, ao chegar em Madri em 1977, o seu supervisor, o espanhol Francisco Fariña, entregou-lhe um frasco contendo uma mistura de quinonas de coloração azul intenso e disse-lhe que se ele conseguisse purificar o conteúdo do frasco (o que ninguém havia sido capaz até então) ele teria a permissão de seguir em frente. Pois deste frasco ele fez um mestrado, um doutorado e muitos amigos. A sua de Tese de Doutorado defendida na Espanha foi agraciada com o primeiro lugar no XXXI Concurso de "Tesis Doctorales Hispanoamericanas" realizado pelo Instituto de Cooperación Iberoamericana e rendeu-lhe seis artigos científicos em revistas renomadas da época versando sobre o tema das quinonas.

Em 1992 ele muda de tema de pesquisa e passa a se dedicar a química de compostos fluorescentes conhecidos como ESIPT Dyes, uma linha de pesquisa introduzida no Brasil por ele e que lhe rendeu o maior número de publicações científicas e reconhecimento nacional e internacional. A partir de 1999 ele começa a se interessar fortemente pela Química Forense, a sua grande paixão até o final, e de forma totalmente autodidata assume esta como uma nova linha de pesquisa e o aprofundamento do tema veio naturalmente ao longo dos mais de 200 cursos e palestras ministrados pelo país afora, sendo considerado um dos precursores desse tema no Brasil. Colaborou com o Instituto Geral de Perícia do Estado do RS desde 1989, tendo sido o responsável pela modernização de técnicas e procedimentos analíticos e pela implementação de grandes modificações em laboratórios de perícia analítica. Foi consultor da SJS-RS na implantação dos laboratórios do Instituto Geral de Perícias do Estado do RS, consultor da Secretaria de Cultura do Estado do RS na restauração dos afrescos murais do Palácio Piratini – sede do Governo Estadual do RS e na implantação de laboratórios de restauração no Arquivo Histórico do Estado e na Casa de Cultura Mário Quintana em Porto Alegre.

Foi agraciado com diversos prêmios salientando-se o Prêmio Minerva, concedido pelo Conselho Regional de Química do Estado do RS e Associações e Conselhos Profissionais de Química e o de Acadêmico da Academia Riograndense de Química.

Estas breves linhas procuram enaltecer parte de sua obra, talento, entusiasmo e os 35 anos de história que o Professor Valter dedicou ao desenvolvimento da ciência química no Brasil. Definitivamente, a Química brasileira perdeu um grande Mestre.


Professora Leandra Franciscato Campo
Departamento de Química Orgânica/Instituto de Química-UFRGS   








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