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18/11/2010
Saiu a Qu�mica Nova n�mero 9 - Volume 33
1. Editorial
A Fitoterapia no mundo atual
Por tr�s da beleza da natureza esconde-se uma guerra surda pela sobreviv�ncia dos mais aptos. As plantas para sobreviver e evoluir t�m que competir por espa�o e se defender do ataque de herb�voros e pat�genos, em geral. Neste embate de milh�es de anos, as plantas foram desenvolvendo suas pr�prias defesas qu�micas. Esta � uma das raz�es pelas quais a constitui��o qu�mica das plantas � t�o complexa, e porque muitas plantas biossintetizam subst�ncias para atuar em alvos espec�ficos moleculares de seus predadores. Metab�litos secund�rios de plantas e micro-organismos s�o produzidos para modular seus pr�prios metabolismos e, consequentemente, tamb�m podem alcan�ar alvos terap�uticos de doen�as humanas.
Ao longo do processo evolutivo, o homem foi aprendendo a selecionar
plantas para a sua alimenta��o e para o al�vio de seus males e doen�as. O resultado desse processo � que muitos povos passaram a dominar o conhecimento do uso de plantas e ervas medicinais.
O uso de medicamentos � muito recente e sua comprova��o por testes cl�nicos � ainda mais recente. Enquanto os medicamentos apresentam, em sua quase totalidade, um �nico princ�pio ativo que � respons�vel pelo seu efeito farmacol�gico, os extratos vegetais e de fungos, por exemplo, s�o constitu�dos por misturas multicomponentes de subst�ncias ativas, parcialmente ativas e inativas, que, muitas das vezes, atuam em alvos farmacol�gicos diferentes. A efic�cia destes extratos � o resultado de seu uso, durante muitos anos, por diferentes grupos �tnicos.
At� hoje, alguns povos ainda fazem uso consciente de medicamentos
fitoter�picos tradicionais relacionados com saberes e pr�ticas que foram adquiridas ao longo dos s�culos. No entanto, deve-se ressaltar que, muitas vezes, o uso desta medicina tradicional se d� por falta de acesso ao medicamento, e � nesse cen�rio que aparecem os espertalh�es que vendem fitoter�picos falsos e milagrosos.
As plantas consideradas medicinais beneficiaram, e continuam beneficiando a humanidade. N�o precisaram dos testes cl�nicos como os f�rmacos sint�ticos, credenciaram-se pelo seu uso tradicional ao longo de s�culos. Ainda hoje muitas s�o utilizadas para tratamento de enfermidades, mesmo havendo medicamentos sint�ticos no mercado para o tratamento das mesmas patologias. No entanto, existem plantas que s�o venenos por conterem toxinas poderosas que podem levar � morte. Algumas plantas medicinais s�o, inclusive, incompat�veis com o uso de certos medicamentos.1
A sociedade tem a percep��o de que todo produto natural � seguro
e desprovido de efeitos colaterais. Em alguns casos, os efeitos dos produtos naturais s�o apenas psicol�gicos e, em outros, causam danos irrevers�veis � sa�de. A falta de informa��o do p�blico sobre os fitoter�picos tem sido explorada por muitos espertalh�es em busca de curas milagrosas e lucros f�ceis. Outros com inten��es duvidosas, ao inv�s de esclarecerem os seus benef�cios, lan�am d�vidas e emitem opini�es sem levar em considera��o os mil�nios que as plantas medicinais
est�o a servi�o da humanidade. A �nica maneira de combater estes espertalh�es � levar informa��es confi�veis de cientistas ao grande p�blico, sem parcialidade ou interesses econ�micos escusos.2
As ind�strias farmac�uticas foram, e continuam sendo beneficiadas
pelos conhecimentos populares sobre o uso medicinal das plantas. Recentemente, mostrou-se que 50% dos medicamentos aprovados entre 1981 e 2006, pelo FDA, s�o direta ou indiretamente derivados de produtos naturais. As chances de se obter novas entidades qu�micas de plantas, fungos, bact�rias etc, terrestres ou marinhos s�o reais. Mesmo que a nova entidade qu�mica n�o passe em todos os testes cl�nicos, ela servir� de modelo para a s�ntese de novos candidatos a f�rmaco.3
Apesar dos muitos desafios enfrentados nas �ltimas d�cadas, a Qu�mica de Produtos Naturais tem tido avan�os
importantes com a intersec��o com outras �reas afins como Bioqu�mica, Biologia Molecular, Etnofarmacologia,
Imunologia, e de tecnologias inovadoras de an�lise e elucida��o estrutural como a resson�ncia magn�tica nuclear, espectrometria de massas4 etc... No Brasil, a Qu�mica de Produtos Naturais (QPN) sempre foi uma das �reas que lideraram o desenvolvimento da Qu�mica.5 Por�m, a QPN enfrenta atualmente diversos desafios a n�vel global e econ�mico. A biodiversidade
est� diminuindo com a redu��o das florestas e dos recifes de coral, em raz�o do aumento populacional, da polui��o atmosf�rica e da expans�o do agroneg�cio. Al�m disso, n�o se sabe exatamente qual ser� o efeito do aumento do CO2 na sobreviv�ncia e desenvolvimento das grandes florestas. Como consequ�ncia, muitos prot�tipos naturais para o desenvolvimento de novos f�rmacos est�o sendo perdidos.
O Brasil precisa avan�ar no campo da fitoterapia. Este avan�o depende de uma forte campanha de esclarecimento p�blico, que deve incluir a classe m�dica, para mostrar a seguran�a e efic�cia das plantas medicinais de uso tradicional, como uma alternativa terap�utica. � tamb�m importante que os melhores qu�micos de produtos naturais se envolvam com o estudo de plantas medicinais, desde o trabalho de identifica��o do princ�pio ativo ao controle de qualidade dos produtos oferecidos ao consumidor. A complexidade na composi��o qu�mica dos extratos dos fitoter�picos � uma das principais raz�es para a reprodu��o dos seus efeitos farmacol�gicos desejados, e este � o grande desafio que os qu�micos precisam vencer, padronizando o extrato e informando ao usu�rio quais s�o o(s) princ�pio(s) ativo(s) e a(s) sua(s) concentra��o(�es).
H� pa�ses que aceitam medicamentos fitoter�picos com v�rios ingredientes, sinalizando uma mudan�a de atitude para o reconhecimento
destes medicamentos, desde que tenham uma boa observa��o cl�nica. Esta mudan�a est� ligada ao entendimento de que o corpo humano � um organismo complexo e que poucas doen�as podem ser atribu�das a uma �nica causa.
O Minist�rio da Sa�de ao recomendar e indicar 66 plantas medicinais
aprovadas pela ANVISA, cujo uso est� consagrado na cultura da medicina popular brasileira, teve uma atitude correta e coerente. A etapa seguinte � fiscalizar a comercializa��o destes fitoter�picos para preservar a sa�de do consumidor.
Vitor F. Ferreira (IQ-UFF)
Editor de QN
Angelo C. Pinto (IQ-UFRJ)
Editor do JBCS
REFER�NCIAS
1. http://www.sbq.org.br/filiais/relatorio.php, acessada em Outubro 2010.
2. Newman, D. J.; Cragg, G. M.; J. Nat. Prod. 2007, 70, 461.
3. Veiga Jr., V. F.; Pinto, A. C.; Maciel, M. A. M.; Quim. Nova 2005, 28, 519.
4. Young, M. C. M.; Maciel, M. A. M.; Pinto, A. C.; Veiga Jr., V. F.; Grynberg, N. F.; Echevarria, A.; Quim. Nova 2002, 25, 429.
5. Pinto, A. C.; Silva, D. H. S.; Bolzani, V. da S.; Lopes, N. P.; Epifanio, R. de A.; Quim. Nova 2002, 25 Supl. 1, 45.
Fonte:
Editoria de QN
Artigo |
1831 |
Variabilidade espacial e temporal de parâmetros físico-químicos nos rios Turvo, Preto e Grande no Estado de São Paulo, Brasil |
Mariele B. Campanha, Camila A. Melo, Altair B. Moreira, Renata F. M. S. Ferrarese, Amanda M. Tadini, Elaine V. Garbin, Márcia C. Bisinoti e Edenir R. Pereira-Filho |
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MS |
1837 |
Determinação de hormônios estrógenos em água potável usando CLAE-DAD |
Raphael T. Verbinnen, Gilvanda S. Nunes e Eny Mª Vieira |
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1843 |
Identificação de microcistina LR ao nível molecular empre- gando microscopia de força atômica |
Augusto Etchegaray, Carolina de C. Bueno e Omar Teschke |
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MS |
1849 |
Atividade inseticida dos frutos de Trichilia claussenii (Meliaceae) sobre Spodoptera frugiperda |
Liliane Nebo, Andréia P. Matos, Paulo C. Vieira, João B. Fernandes, Mª Fátima das G. F. da Silva e Ricardo R. Rodrigues |
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1853 |
Metabólitos secundários das esponjas Aplysina fistularis e Dysidea sp. e atividade antituberculose da 11-cetofistularina-3 |
Renata C. Gandolfi, Marina B. Medina, Roberto G. S. Berlinck, Simone P. Lira, Fabio C. de S. Galetti, Célio L. Silva, Katyuscya Veloso, Antonio G. Ferreira, Eduardo Hajdu e Solange Peixinho |
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MS |
1859 |
Produção de biodiesel através de transesterificação in situ de sementes de girassol via catálise homogênea e heterogênea |
Paola E. Gama, Rosane A. da S. San Gil e Elizabeth R. Lachter |
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1863 |
Determinação de metais em óleos lubrificantes, provenientes de motores de ônibus urbano, utilizando a FAAS |
Eva L. C. Silveira, Ronaldo C. Coelho, José M. Moita Neto, Carla V. R. de Moura e Edmilson M. de Moura |
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1868 |
Nanopartículas de alginato como sistema de liberação para o herbicida clomazone |
Mariana dos S. Silva, Daniela S. Cocenza, Nathalie F. S. de Melo, Renato Grillo, André H. Rosa e Leonardo F. Fraceto |
PDF |
1874 |
Constituintes químicos das folhas de Senna spectabilis (DC) Irwin & Barneby var. excelsa (Schrad.) Irwin & Barneby |
Fábio de O. Silva, Írvila R. de Oliveira, Mª Goretti de V. Silva e Raimundo Braz-Filho |
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1877 |
Flavonoides e outras substâncias de Lippia sidoides e suas atividades antioxidantes |
Macia C. S. de Almeida, Leonardo A. Alves, Luciana G. da S. Souza, Luciana L. Machado, Marcos C. de Matos, Mª Conceição F. de Oliveira, Telma L. G. Lemos e Raimundo Braz-Filho |
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MS |
1882 |
Purificação e caracterização da quitinase de uva (Vitis vinífera L. cv Red Globe) para a produção de quitosana a partir de quitina de camarão |
Laidson P. Gomes, Carlos I. R. de Oliveira, Márcia C. da Silva, Cristina T. de Andrade, Eduardo M. Del Aguila, Joab T. Silva e Vânia M. F. Paschoalin |
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1887 |
Interpretação do mecanismo de difusão no processo gás-sólido da reação de dessulfurização |
Daniela A. Mortari, Paula M. Crnkovic, Ivonete Ávila e Fernando E. Milioli |
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MS |
1892 |
Corrosion resistance improvement of titanium base alloys |
Mihai V. Popa, Ecaterina Vasilescu, Paula Drob, Cora Vasilescu, Silviu I. Drob, Daniel Mareci e Julia C. M. Rosca |
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1897 |
Uso de perfis cromatográficos de voláteis de cafés arábicas torrados para a diferenciação das amostras segundo o sabor, o aroma e a qualidade global da bebida |
Juliano S. Ribeiro, Fabio Augusto, Márcia M. C. Ferreira e Terezinha J. G. Salva |
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MS |
1905 |
Determinação do coeficiente de atividade em diluição infinita de hidrocarbonetos em furfural a 298,15 K por SPME–GC/FID |
Filipe A. Furtado e Gerson L. V. Coelho |
PDF |
1910 |
Estudo da reação de oxidação preferencial do CO sobre o sistema CuO/CeO2-TiO2 |
Cristhiane G. Maciel e José M. Assaf |
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1915 |
Lipídios como indicadores de fontes e distribuição de matéria orgânica particulada em um complexo estuarino-lagunar tropical (Mundaú-Manguaba, AL) |
Talitha L. F. Costa, Michelle P. Araujo, Renato S. Carreira e Bastiaan A. Knoppers |
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MS |
1923 |
Thermodynamic study of the solubility of sodium naproxen in some ethanol + water mixtures |
Daniel R. Delgado, Miller A. Ruidiaz, Sandra M. Gómez, Mauricio Gantiva e Fleming Martínez |
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1928 |
Determinação do ponto de névoa em surfactantes não iônicos por espectroscopia de impedância elétrica |
Sandro V. de Lima e Helinando P. de Oliveira |
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Revisão |
1933 |
O estado da arte da síntese de semicondutores nanocristalinos coloidais |
Fernanda O. Silva, Lívia C. de S. Viol, Diego L. Ferreira, José L. A. Alves e Marco A. Schiavon |
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1940 |
Aspectos coloidais da adesão de micro-organismos |
Emiliane A. Araújo, Nélio J. de Andrade, Antônio F. de Carvalho, Afonso M. Ramos, Cleuber A. de S. Silva e Luis H. M. da Silva |
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1949 |
A análise por injeção sequencial (SIA): vinte anos em uma perspectiva brasileira |
Allan C. V. dos Santos e Jorge C. Masini |
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Nota Técnica |
1957 |
Recovery of manganese and zinc from spent Zn-C and alkaline batteries in acidic medium |
Rafael G. da Silva, Cristiano N. da Silva e Júlio C. Afonso |
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1962 |
Validação e estimativa da incerteza de método para análise de licopeno e β-caroteno em polpa de tomate por cromatografia líquida de alta eficiência |
Adriana B. Alves, Marta G. da Silva, Paulo R. N. Carvalho, Lizziane C. Vissotto e Neura Bragagnolo |
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1967 |
Desenvolvimento de método analítico para quantificação do Efavirenz por espectrofotometria no UV-VIS |
Lariza Darlene Santos Alves, Larissa Araújo Rolim, Danilo Augusto Ferreira Fontes, Pedro José Rolim-Neto Mônica Felts de La Roca Soares e José Lamartine Soares Sobrinho |
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1973 |
Benzo(a)pireno, carbamato de etila e metanol em cachaças |
Miriam Solange Fernandes Caruso, Letícia Araujo Farah Nagato e Janete Alaburda |
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Educação |
1977 |
Eixo quinário: um elemento de simetria presente em moléculas e quasi-cristais - um experimento didático em cristalografia |
Paulo C. P. das Neves, Darcson V. de Freitas e Luis A. Baptista |
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1980 |
Escrita científica de alunos de graduação em Química: análise de relatórios de laboratório |
Jane R. S. de Oliveira, Alzir A. Batista e Salete L. Queiroz |
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MS |
1987 |
Calorímetro de gelo: uma abordagem histórica e experimental para o ensino de Química na graduação |
Guilherme W. Tavares e Alexandre G. S. Prado |
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1991 |
Fracionamento de polifosfato de sódio e caracterização por RMN de 31P: um experimento para aulas de Físico-Química |
Emília C. de O. Lima, Glaucia B. Alcantara, Fernando C. Damasceno, José M. Moita Neto e Fernando Galembeck |
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1996 |
Estudo de casos na formação de professores de Química |
Antonio N. Pinheiro, Ethanielda de L. Medeiros e Alcineia C. Oliveira |
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Assuntos Gerais |
2003 |
The history of the rectilinear diameter law |
Simón Reif-Acherman |
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MS |
Geral |
Índice/Expediente |
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