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01/09/2016



Vocação para empreendedorismo e produção científica quase diária


Pós-Graduação em Química da UFMG celebra nota 7 da Capes, mas corte de verbas pode afetar produtividade a partir de 2017

Dia sim, dia não, é publicado um artigo científico, tese ou dissertação elaborado dentro do Programa de Pós-Graduação em Química da UFMG. Conceito 7 da Capes, o Programa é um dos mais prolíficos do País tanto em produção científica quanto em patentes e na criação de empresas de bases tecnológico-científicas. "É um programa com características amplas e tem um papel de destaque no desenvolvimento de tecnologias", sintetiza o coordenador Ângelo de Fátima.

Desde a criação do mestrado em 1967 – o curso de doutorado seria implementado dois anos depois – o Programa diplomou 1176 mestres e doutores. Atualmente estão matriculados 200 pós-graduandos, sendo 143 no doutorado. Desde 2010 alunos da pós ganharam 12 prêmios internacionais; até 2014 o PPG-Q havia depositado 191 patentes e gerado receitas da ordem de R$ 1 milhão em royalties; e mantém média de 16 publicações científicas por mês desde 2013. Mas há o receio de que essa média sofra redução a partir de 2017 como consequência do corte drástico nas verbas de custeio do Programa.

"De 2014 para agora houve uma redução de quase 85%", lamenta o Professor Ângelo. O corte já afeta a manutenção e compra de materiais de alguns laboratórios da infraestrutura multiusuária e os planos de crescimento. "Tínhamos a expectativa de crescer 20% em número de docentes orientadores até 2018 (são 69 hoje), mas não podemos fazer isso sem os recursos e o aumento no número de bolsas", explica. Segundo o professor, o reflexo do corte de verbas na produção científica será percebido na virada do ano, quando projetos em andamento se encerrarão.

Professor Ângelo de Fátima, coordenador do PPG-Q UFMG: corte de 85% nas verbas de custeio desde 2014

A vocação do PPG-Q em fazer parcerias com o setor público e privado tem, de alguma forma, atenuado os cortes de recursos públicos. O Programa dispõe de laboratórios e centros de desenvolvimento tecnológico de peso, como o Laboratório de Ensaio de Combustíveis, em parceria com a Fiat, Petrobrás e ANP, além da "parceria com a Boeing em um projeto ligado a novos materiais", conta o coordenador do Programa.

Outros exemplos são o Laboratório de Materiais e Pilhas a Combustível (LaMPaC), em que a Cemig investiu recursos na construção de um prédio novo, e o Laboratório de Captura de CO2, em parceria com a Fiat, que teve investimento de R$ 2 milhões.

"Nossa missão é formar mão-de-obra qualificada e fazer pesquisa de qualidade, mas temos uma grande questão: para quê?, ou seja, aonde queremos chegar?", reflete o professor Rochel Lago, professor na UFMG desde 1996, orientador em linhas de pesquisa ligadas a tecnologias ambientais. "A Química é uma ciência central, mas nós químicos temos tido um papel periférico na sociedade. Acredito que precisamos formar protagonistas, uma geração que saberá liderar", declara.

Rochel orienta oito alunos na pós e 10 de Iniciação Científica, basicamente em projetos como o tratamento de efluentes e a transformação de resíduos industriais em produtos de valor agregado. Ele é talvez o único químico brasileiro a ter feito um pós-doutorado em uma escola de administração – a Heutes Etudes Comercialles, em Montreal, Canadá. Especializou-se na criação de empresas de bases científicas depois de passar por uma experiência frustrada na indústria. "Minha bandeira é educação empreendedora", afirma o Professor Rochel, que coordenou a incubadora de empresas da UFMG. Ele escreveu "As Cartas de Tsuji – A História de um Pesquisador e Seus Alunos Criando uma Empresa de Base Tecnológica", livro que foi traduzido para o espanhol e tem sido utilizado em cursos de gestão e criação de empresas.

Professor Rochel Lago, à esquerda, e grupo de orientandos: estímulo ao empreendedorismo e pesquisa em tecnologias ambientais

Nos últimos anos surgiram dos projetos do PPG-Q seis empresas criadas por professores, cinco por alunos e mais uma aceleradora de start-ups, também projeto de um aluno. São empresas de alto conhecimento científico, como a Nanum Nanotecnologia, que produz tintas inovadoras e materiais para indústria automotiva, ou a Cell Bio, que desenvolveu um novo método para produzir o biovidro, material que pode ser usado para preparar implantes dentários com menor custo e por meio de cirurgia menos invasiva.

O professor Guilherme Dias Rodrigues ingressou no Programa em 2013. Ele coordena o Laboratório de Soluções Analíticas Verdes –LaSAV, e atualmente orienta e coorienta cinco doutorandos e três mestrandos, atuando no desenvolvimento de metodologias analíticas ambientalmente mais seguras para extração de composto de interesse econômico e ambiental. Ele também coordena o setor de Química Analítica do Departamento de Química. Dentre os trabalhos de pesquisa, recentemente, ele teve um projeto aprovado pela Fapemig com foco na remediação das águas da bacia Rio Doce, atingidas pelo desastre da barragem de Bento Rodrigues. "Nossa proposta é desenvolver um novo nanomaterial sustentável para remover metais dissolvidos e material particulado da água do Rio Doce utilizada para abastecimento da população", explica.

Professor Guilherme Rodrigues, ao centro, com grupo de pesquisa em Soluções Analíticas Verdes: participação em ação para remediação de água da bacia do Rio Doce.

Engajado em parcerias no mundo corporativo e nas soluções das questões sócio-ambientais, o PPG-Q da UFMG, por meio de seus docentes e discentes, é historicamente envolvido com os eventos e atividades da SBQ, como explica o Professor Ângelo. "É sempre saudável participar de eventos científicos. Aqui sempre pagamos o transporte dos alunos para as Reuniões Anuais da SBQ. Também temos o apoio individual e organizamos a participação em eventos regionais e de divisões", observa. "Se um aluno meu falta uma aula porque vai a um evento científico, fico feliz. Lá ele tem a chance de defender seu trabalho, debater, conhecer novos horizontes..."

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Cinco publicações relevantes:

“Overcoming naphthoquinone deactivation: rhodium-catalyzed C-5 selective C-H iodination as a gateway to functionalized derivatives”, G.A.M. Jardim, E.N da Silva-Júnior, J.F. Bower, Chemical Science 2016, 7, 3780-3784.

“Gold nanoparticles supported on modified red mud for biphasic oxidation of sulfur compounds: A synergistic effect”, A.A.S. Oliveira, D.A.S. Costa, I.F. Teixeira, F.C.C. Moura, Applied Catalysis. B, Environmental 2015, 162, 475-482.

“Magnetic amphiphilic hybrid carbon nanotubes containing N-doped and undoped sections: Powerful tensioactive nanostructures”, A.D. Purceno, B.F. Machado, A.P.C. Teixeira, T.V. Medeiros, A. Benyounes, J. Beausoleil, H.C. Menezes, Z.L. Cardeal, R.M. Lago, P. Serp, Nanoscale 2015, 7, 294-300.

“Magnetic poles determinations and robustness of memory effect upon solubilization in a dyIII-based single ion magnet”, T.T. da Cunha, J. Jung, M.E. Boulon, G. Campo, F. Pointillart, C.L.M. Pereira, B.L. Guennic, O. Cador, K. Bernot, F. Pineider, S. Golhen, L. Ouahab,  Journal of the American Chemical Society 2013, 135, 16332-16335.

“Supercapacitors based on modified graphene electrodes with poly(ionic liquid)”, J.P.C. Trigueiro, R.L. Lavall, G.G. Silva, G.G, Journal of Power Sources 2014, 15, 264-273.


Texto: Mario Henrique Viana (assessor de imprensa da SBQ)








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