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20/10/2016



PPGQ-UFC: vocação para formar docentes


Com maioria dos egressos em instituições públicas de ensino superior, programa ajuda a semear a química no Ceará

Com a maioria de seus egressos atuando como professores do ensino superior, o Programa de Pós-Graduação em Química da Universidade Federal do Ceará tem se destacado em sua vocação para a docência. A avaliação é do coordenador do Programa, professor Luiz Gonzaga de França Lopes.

O Programa foi criado em 2009, pela fusão dos programas de pós-graduação em Química Orgânica (fundado em 1976) e em Química Inorgânica, (1977). Nestes sete anos formou 218 mestres e 86 doutores – nos primórdios, foram 298 mestres e 91 doutores. Desde então tem conceito 5 da CAPES – que era o conceito da PG em Inorgânica; Orgânica era conceito 4. Entre 2012 e 2015 gerou 816 publicações.

Alunos e professores do PPGQ-UFC: menos de cinco alunos por orientador, e forte ligação com a graduação são pontos fortes do programa.

Um projeto de pesquisa nascido no PPGQ tornou-se política pública em Fortaleza e no Ceará. "Trata-se um programa de ensino cooperativo desenvolvido pelo professor Manoel Andrade Neto, que hoje está cedido à secretaria estadual de Educação", explica Luiz Gonzaga. "Era um projeto de trabalho pessoal, foi encampado pela UFC, depois pela Prefeitura e Governo."

O Programa tem 45 docentes permanentes e 8 colaboradores, com média de 4,9 estudantes por orientador, e a grande maioria dos docentes também leciona na graduação – "isso é fundamental para nós, no sentido de fortalecer os cursos", ressalta o coordenador do Programa.

"Temos uma dificuldade em atrair pessoas com foco para pesquisa científica. Sinto às vezes nos estudantes falta de interesse em desenvolver trabalhos. É como se estivessem aqui por falta de opção", admite o Professor Luiz Gonzaga. "Acredito que no médio prazo vamos conseguir, porque depois da união dos programas observamos um aumento na procura e uma diversificação nas linhas de pesquisa.". O coordenador do programa está na UFC desde 1998, na área de Inorgânica, e orienta três mestrandos e três doutorandos em pesquisas na área de metalofármacos.

Mais recente no quadro de orientadores é o professor Adonay Rodrigues Loiola, que chegou ao Programa há três anos. Já formou dois mestres na área de físico-química inorgânica, e co-orienta três doutorandos em pesquisa em "síntese, caracterização e aplicações de materiais porosos".

"Uma coisa que percebo aqui é que os estudantes ainda não se envolvem como poderiam com a SBQ e eventos científicos em geral. Nós estamos tomando iniciativas no sentido de divulgar melhor a sociedade, porque acreditamos que é muito importante para a formação do químico", avalia Adonay, que é tesoureiro da SBQ-CE. "Estive em um evento da Royal Society of Chemistry e observei que eles tomam tempo de palestra para promover a Sociedade. Vamos começar a fazer isso nos nossos eventos regionais", declara.

O Programa tem atualmente 122 doutorandos e 68 mestrandos, sendo as principais linhas de pesquisas a bioinorgânica, materiais, química de polímeros, química de produtos naturais, eletroanalítica, e biotecnologia. A Professora Selma Elaine Mazzetto conduz um trabalho ligado à castanha de caju, fruto que tem como maior produtor no país o estado do Ceará. Seu grupo trabalha no desenvolvimento de novos produtos e processos tecnológicos, tendo como matéria prima principal o líquido da casca da castanha de caju (LCC). "Por meio de uma abordagem sistêmica, buscamos transformar um resíduo agroindustrial de nossa região em novos materiais com maior valor agregado e que possam, deste modo, dar um fim ecologicamente viável a um dos principais entraves da indústria do caju, além de promover uma aproximação com o setor produtivo", observa a professora.

Ela concedeu à seguinte entrevista ao Boletim SBQ:

Descreva seu grupo e o dia-a-dia no laboratório

O Laboratório de Produtos e Tecnologia em Processos, mais conhecido dentro do Departamento pela sua sigla, LPT, surgiu em 2003, após um período de pós-doutorado na Itália (Università del Salento - Lecce). Com as novas experiências vividas por lá - desenvolvi minhas atividades em um laboratório de química inserido em um Departamento de Engenharia de Inovação - senti a necessidade de expressar minhas inclinações no sentido de desenvolver uma química mais sustentável, a chamada Química Verde.

Outro ponto muito importante era o fato de poder vislumbrar os resultados do meu trabalho servindo a sociedade de alguma forma, onde eu pudesse de fato responder a célebre pergunta: O que eu faço serve pra que? Pode ajudar em que? Assim, a ideia passou a ser a criação de um grupo que tivesse como espinha-dorsal a obtenção de novos produtos/processos mediante o uso de matérias-primas renováveis, em especial o LCC, mas também outras fontes, como fibras vegetais, óleos naturais, dentre outras, de modo a conectar meus conhecimentos como química aos de outras áreas com maiores aptidões tecnológicas.

Hoje, com 10 anos de formado, o grupo conta com a presença de mais dois professores, ex-alunos meus, que, inevitavelmente, trouxeram suas experiências pessoais e desenvolvem linhas afins dentro do laboratório. O Prof. Diego Lomonaco, com uma abordagem mais orientada à química orgânica, vem expandido a gama de matérias-primas renováveis utilizadas, aperfeiçoando as rotas sintéticas com o uso de metodologias mais limpas e eficientes, e estabelecendo uma união bastante interessante entre síntese orgânica e análise mecânica. O Prof. Claudenilson Clemente, numa vertente mais inorgânica, faz uso dessas metodologias limpas na obtenção de novas macromoléculas cíclicas (porfirinas e ftalocianinas) com o objetivo de avaliar as influências de diferentes funcionalizações nas propriedades ópticas e catalíticas desses novos materiais.

Professora Selma Elaine Mazzetto (ao centro), com seu grupo do Laboratório de Produtos e Tecnologia em Processos.

E, é claro, os responsáveis por levar adiante todas essas ideias são os alunos, nossos maiores parceiros. Atualmente, fazem parte do LPT 23 alunos, sendo 2 pós-docs, 7 doutorandos, 8 mestrandos e 6 bolsistas de iniciação científica.

O laboratório é sempre bastante movimentado. Como são muitos alunos que cursam diferentes disciplinas, os horários para o trabalho acabam por se alternar, assim tem sempre alguém nas bancadas, desde 7 da manhã até 9 da noite. Além disso, é bastante comum encontrar alunos de outros grupos que são nossos colaboradores (Depto de Farmácia; Depto. De Física; Depto. de Engeharia Mecânica; Depto de Odontologia; Embrapa).

Como se deu a aproximação com o setor empresarial?

Como trabalhamos com o resíduo da agroindústria, era inevitável o encontro com os empresários do setor produtivo. No entanto, apesar desses encontros, poucos têm interesse em realmente patrocinar de algum modo a pesquisa. Como se trata de um processo a longo prazo e sem a certeza do lucro, o processo de inovação por parte das indústrias tem se dado de modo muito tímido. Diferentemente do que acontece no eixo sul-sudeste, a cultura por aqui ainda é de somente reproduzir o que já se conhece no mercado. Entretanto, com o passar dos anos os empresários locais estão entendendo que as mudanças são necessárias e que a parceria Universidade-Indústria é o caminho. Me considero felizarda no sentido de poder ter interagido com vários empresários durante estes anos de trabalho, mas reconheço não ser esse o caminho habitual.

Quais os próximos passos?
Apesar de já trabalharmos com a proteção intelectual dos resultados mais promissores e a UFC ter apresentado um enorme aumento no número de patentes depositadas, de um modo geral, ainda é bastante incipiente a transferência de tecnologia para o setor produtivo.

Nossos objetivos estão voltados em estudar adequações de interesse do setor industrial para desenvolvermos nossas atividades em consonância com as necessidades do processo desenvolvido. Trabalhar com o setor produtivo não é simplesmente ter um produto/processo em mãos dizendo que ele possui determinadas propriedades ou que ele é melhor que os demais do mercado. Há todo um contexto diferenciado neste aspecto, arestas a serem aparadas.

Desse modo, de um ponto de vista direcionado às parcerias industriais, nossos interesses estão focados em otimizar as condições de obtenção de alguns potenciais materiais que já patenteamos, no sentido de coloca-los para fora de laboratório como um produto comercial oriundo de uma parceria Universidade-Indústria.

- Cinco artigos relevantes produzidos no PPGQ UFC

“Cation-Dependent Stabilization of Electrogenerated Naphthalene Diimide Dianions in Porous Polymer Thin Films and Their Application to Electrical Energy Storage”, C.R. Deblase, K. Hernández-Burgos, J.M. Rotter, D.J. Fortman, D.S. Abreu, R.A. Timm, I.C.N. Diógenes, L.T. Kubota, H.D. Abruña, W.R. Dichtel, Angewandte Chemie (International ed. Print) 2015, 54, 13225-13229.

“Cytotoxic Plakortides from the Brazilian Marine Sponge Plakortis angulospiculatus”, E.A. Santos, A.L. Quintela, E.G. Ferreira, T.S. Sousa, F.C.L. Pinto, E. Hajdu, M.S. Carvalho, S. Salani, D.D. Rocha, D.V. Wilke, M.C.M. Torres, P.C. Jimenez, E.R. Silveira, J.J. La Clair, O.D. L. Pessoa, L.V. Costa-Lotufo, Journal of Natural Products 2015, 78, 996-1004.

“Effects of Polypropylene Glycol 400 (PPG400) on the Micellization and Gelation of Pluronic F127”, C.M. de Lima, S.M.C. Siqueira, A.F.V. de Amorim, K.B.S. Costa, D.H.A. de Brito, M.E.N.P. Ribeiro, N.M.P.S. Ricardo, C. Chaibundict, S.G. Yeates, Macromolecules 2015, 48, 7978-7982.

“Insights into electrodegradation mechanism of tebuconazole pesticide on Bi-doped PbO2 electrodes”, F.A.A. Figueiredo-Sobrinho, L.W.S. Lucas, T.P. Fill, E. Rodrigues-Filho, L.H. Mascaro, P.N.S. Casciano, P. Lima-Neto, A.N. Correia, Electrochimica Acta 2015, 154, 278-286.

“Non-Nitric Oxide Based Metallovasodilators : Synthesis, Reactivity and Biological Studies”, D.S. Sá, A.F. Fernandes, C.D.S. Silva, P.P.C. Costa, M.C. Fonteles, N.R.F. Nascimento, L.G.F. Lopes, E.H.S. Sousa, Dalton Transactions 2015, 44, 13633-13640.


Para saber mais

Página do PPGQ-UFC
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Texto: Mario Henrique Viana (assessor de imprensa da SBQ)








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