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25/01/2018



41ª RA: Arte traz emoção ao aprendizado de Química


Especialista em ensino de química mostrará o papel da arte como ferramenta auxiliar em sala de aula

Não é novidade que o ensino de química no ensino médio no Brasil tem lá seus obstáculos. Tida como matéria difícil, a química foi objeto do "ódio" do compositor Renato Russo ao resumir as preferências de adolescentes em idade escolar na música "Química". O prejuízo sócio-econômico de uma nação cuja população carece de conhecimentos científicos básicos é uma preocupação de especialistas em ensino de ciências. Um deles, o professor Wilmo Ernesto Francisco Junior (UFAL), mostrará os resultados de suas pesquisas utilizando arte como uma ferramenta educacional, na 41ª Reunião Anual da SBQ, que será realizada em Foz do Iguaçu, de 21 a 24 de maio.

Professor Wilmo Ernesto Francisco Junior (UFAL): "O ser humano tem, além da capacidade de cognição, as dimensões de emoção e atitudes. Historicamente as escolas só levam em conta a cognição, o que é um erro."

"O ser humano tem, além da capacidade de cognição, as dimensões de emoção e atitudes. Historicamente as escolas só levam em conta a cognição, o que é um erro. Então a arte pode ser utilizada como uma ferramenta para emocionar os alunos e despertar um estímulo de resposta, é um facilitador do processo de aprendizado", explica Wilmo, que adquiriu experiência como professor em colégios e cursinhos pré-vestibulares, antes de lecionar da graduação e no mestrado profissional (suas ocupações atuais).

"O professor Wilmo é um pesquisador jovem e já tem relevantes contribuições para a área de Ensino de Química no Brasil. Seus temas de pesquisa são sempre inclusivos, na tentativa de aliar a educação química com a inclusão social dos estudantes em todos os níveis de ensino", declara o professor Márlon Soares (UFG), diretor da Divisão de Ensino de Química da SBQ. "Para o professor Wilmo, o conhecimento químico é um importante meio de inclusão social e de transformação do sujeito e da sociedade na qual ele vive."

Segundo o professor Márlon, outro aspecto de extrema importância é que o professor Wilmo desenvolve pesquisas relevantes para a área de ensino de química em estados do Brasil que não são considerados cenários do ensino de química. "Ele foi professor na UNIR no estado de Rondônia e atualmente é professor na UFAL - Campus Arapiraca, em Alagoas, instituições mais periféricas ao eixo sul-sudeste, com baixa inserção de pesquisadores e alunos em eventos do porte da SBQ, o que torna suas ações, falas e discursos mais relevantes ainda para o desenvolvimento da área em todo o Brasil."

Na RASBQ, além da conferência do professor Wilmo, a DEQ realizará também um workshop (em conjunto com a DQA) intitulado "Como é o Ensino de Química Ambiental e Educação Ambiental no Brasil?", no qual serão discutidos os caminhos do ensino e aprendizagem dos conceitos relacionados a essas áreas e um minicurso do professor Hélio Messeder Neto da UFBA, sobre a medicalização do ensino. "Há no Brasil hoje, a tentativa de resolver problemas na escola a partir do receituário de medicamentos aos alunos com supostos problemas de aprendizagem", conta o professor Márlon. "Alguns dos problemas mais discutidos no campo educacional são as questões da indisciplina e da desatenção em sala de aula. Nessa perspectiva, muitos pais e psicólogos têm optado por tratar problemas como desinteresse e TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) a partir da medicalização das crianças e jovens, o que leva ao alto consumo de Ritalina e outros medicamentos que podem causar dependência."

Leia pensata sobre Arte e Educação escrita pelo professor Wilmo Ernesto Francisco Junior

Educação é uma questão de arte


"Falamos bastante sobre qual é o nosso dever, e como poderíamos chegar a algo bom, e chegamos à conclusão que nosso objetivo em primeiro lugar deve ser o de achar um lugar determinado, e uma profissão à qual possamos nos dedicar integralmente".

Nas palavras de Van Gogh, que inspiraram a própria temática da palestra, não poderia deixar de mencionar a importância de que, para se fazer algo de bom, seja pessoal ou profissionalmente, é preciso "achar o seu lugar", assim como se dedicar integralmente, com apoio para tal. Em outras palavras, ser um "bom professor" exige gostar daquilo que se faz, o que fomenta uma contumaz dedicação àquilo, sem deixar de lado as condições objetivas, de estrutura, salário e financiamento.

Entretanto, essa ideia de que "professor trabalha por amor", "de que é um artista", "ou se nasce com um dom", é uma visão sobremaneira simplista e enviesada da atividade docente. Não se nasce um bom professor. Um bom professor se forma, se transforma pelo estudo sério, pela dedicação, pela prática, pela pesquisa, pela procura por conhecimentos teóricos que se materializam na capacidade crítica de questionar e problematizar. Também não vá acreditando caro leitor, que mestres das artes nascem com dons. Um bom pintor, por exemplo, precisa estudar, conhecer e dominar as técnicas, ter contato com outras grandes obras. Não sou eu dizendo isso, é Van Gogh:

"Quanto antes procurarmos nos qualificar num certo ramo de atividade e numa certa profissão (...), e quanto mais nos ativermos a regras fixas, mais firme se torna o caráter, sem que para isso tenhamos que nos tornar limitados (...); se nos aperfeiçoarmos numa única coisa e a compreendemos bem, alcançamos além disto a compreensão e o conhecimento de muitas outras coisas."

Ainda prossegue Van Gogh : "Mas no caminho que estou devo continuar – se eu não fizer nada, se eu não estudar, se não procurar mais, então estarei perdido. Então ai de mim. Eis como vejo a coisa: continuar, continuar, isso é necessário."

Somente o estudo contínuo e dedicado permite ao artista libertar, com rigor, seus mais profundos sentimentos, expressos na melhor técnica, na melhor escolha das cores, nos melhores posicionamentos. É isso que nos emociona. Assim também deveria ser a educação. Professores e estudantes em um estudo contínuo e dedicado. Para isso é preciso sublinhar que educação não é exclusivamente cognição, é emoção. Sentimentos e pensamentos atuam mutuamente na constituição do sujeito. Só a partir disso é que a criatividade, e não o improviso, emergem como elemento fundamental de qualquer atividade intelectual. Criticidade e criatividade. Cognição e emoção. É nessa direção, que educação é uma questão de arte.

Contudo, nossa profissão é frequentemente tratada como um "bico", como algo que qualquer um pode fazer. Mesmo nas universidades, em que as condições de salário e estrutura são um pouco melhores, há inúmeros "professores" que nunca leram um só livro, um só artigo sobre ensino ou educação. As aulas não têm emoção e são uma quase constante repetição. Por outro lado, a arte cria, inventa, expressa emoção sem perder a cognição. O que pretendemos mostrar com essa analogia entre o artista e o educador é que, assim como o artista precisa ser dedicado e dominar saberes técnicos e práticos, o professor os também precisa. Poucos se arriscam a ser pintores, escultores, escritores, mas muitos se "arriscam" a ser professores.


Algumas publicações

“Arte na educação para as relações étnico-raciais: um diálogo com o ensino de química”, W.E. Francisco Junior, E.M.S. SILVA, Química Nova na Escola (aceito para publicação) 2018.

“Digital videos of experiments produced by students: learning possibilities. In: Kaisa Hahl; Kalle Juuti; Jarkko Lampiselkä; Anna Uitto; Jari Lavonen. (Org.). Cognitive and Affective Aspects in Science Education Research”, W.E. Francisco Junior, Gewerbestrasse: Springer 2017, 141-153.

“História em quadrinhos para o ensino de química: contribuições a partir da leitura de licenciandos”, W.E. Francisco Junior, E.J.S. Gama, Revista Electrónica de Enseñanz
a de las Ciencias
2017, 16, 152-172.
“Exposições científico-culturais: diferentes dimensões por um engajamento educativo. In: Welington Francisco. (Org.). Feiras de Ciências: múltiplas possibilidades para o ensino”, W.E. Francisco Junior, Saarbrücken: Novas Edições Acadêmicas 2016, 67-84.

“O teatro científico como ferramenta para a formação docente: uma pesquisa no âmbito do PIBID”, W.E. Francisco Junior, M. Yamashita, D.M. Silva, R.F. Nascimento, Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências 2014, 14, 79-100.


Texto: Mario Henrique Viana (Assessor de Imprensa da SBQ)








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