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22/02/2018



41ª RA: Mulheres debatem suas conquistas e obstáculos na carreira científica


Sessão Temática reúne experiências de pesquisadoras de gerações e regiões diferentes

Quando cerca de 60 crianças de uma escola pública de São Paulo foram apresentadas à história de "uma pessoa cientista" especializada na análise da estrutura de materiais por difração de raio-x (cujo trabalho contribuiu para compreensão do DNA), 72% associaram a história a um homem. Retrataram em desenhos um senhor barbudo, por vezes tendo uma mulher como assistente. Na verdade, o sujeito da história era a físico-química britânica Rosalind Franklin, que pesquisou em King´s College e no Birkbeck College, em Londres. Seu trabalho com DNA foi utilizado por Watson, Wilkins e Crick ao elucidarem a dupla estrutura helicoidal do DNA. Rosalind faleceu em 1958, aos 37 anos.

Professora Rossimiriam P. Freitas, secretária-geral da SBQ: "Muitas de nós construímos nossas carreiras ouvindo que aquilo não era para nós. As mulheres encaram uma desconfiança muito grande quando optam por seguir uma carreira científica. E uma vez que você está na carreira, tem que lutar o tempo todo para ser reconhecido pelos pares, exclusivamente por mérito."

O diagnóstico feito com as crianças de São Paulo mostra a necessidade de mudanças que incentivem meninas a ingressarem em carreiras científicas. Em 2015, apenas 33% dos graduados em áreas científicas no Brasil eram mulheres. "As meninas ainda têm poucos modelos de mulheres cientistas a ser seguidos, precisamos encorajá-las todo o tempo", avalia a professora Rossimiriam P. Freitas (UFMG), secretária-geral da SBQ e uma das coordenadoras da sessão temática "Elas, as cientistas", na 41ª Reunião Anual da SBQ, que será realizada de 21 a 24 de maio, em Foz do Iguaçu. "O papel das mulheres na ciência, e a discriminação que ainda ocorre, são temas de que temos que falar sempre que tivermos a oportunidade!", pontua a professora.

O painel reunirá químicas de gerações distintas e regiões diferentes. A professora Yvonne Mascarenhas (IFSC-USP), decana da química no Brasil, se juntará à chilena Paulina Pavez (Pontifícia Universidade Católica do Chile) e à jovem pesquisadora Elisama Vieira dos Santos (UFRN), sob a coordenação das professoras Rossimiriam e Elisa Orth (UFPR). "Procuramos trazer três pesquisadoras produtivas e de contextos diversos", explica Rossimiriam.

Um estudo conduzido em 14 países e divulgado pela ONU mostrou que a probabilidade de mulheres concluírem estudos com formação de doutorado, mestrado ou mesmo bacharelado varia de metade a um terço em relação aos homens. Até hoje apenas quatro mulheres foram agraciadas com o Prêmio Nobel de Química e apenas uma vez a SBQ foi presidida por uma mulher (a professora Vanderlan Bolzani, de 2008 a 2010). "Muitas de nós construímos nossas carreiras ouvindo que aquilo não era para nós. As mulheres encaram uma desconfiança muito grande quando optam por seguir uma carreira científica", reflete Rossimiriam. "E uma vez que você está na carreira, tem que lutar o tempo todo para ser reconhecido pelos pares, exclusivamente por mérito."

A professora Yvonne Mascarenhas é um modelo a ser seguido pelas jovens estudantes. Pioneira da cristalografia no Brasil, formou-se nos anos 50, e em 1959 partia pela primeira para o exterior, para uma temporada do departamento de Cristalografia da Universidade de Pittsburgh. Nas décadas seguintes realizou trabalhos em Princeton, Harvard e na Universidade de Londres. "Sempre me perguntam se o fato de ser mulher me trouxe barreiras, mas acho que nem prestei atenção a isso durante minha carreira", contou ao Boletim SBQ, em 2017. "Creio que quando se tem foco, determinação e empenho homens e mulheres farão carreiras brilhantes."

A professora Elisama Vieira dos Santos obteve seu doutorado em 2015 e no ano seguinte foi agraciada com o Prêmio L'Oreal ABC Unesco para Mulheres na Ciência. Ela concedeu a seguinte entrevista ao Boletim SBQ:

Professora Elisama Vieira dos Santos (UFRN): "A diferença de gênero é perceptível quando analisamos a quantidade de artigos publicados em jornais científicos por mulheres. Um recente estudo analisou que existe uma distorção no processo avaliativo de publicações em jornais científicos por parte dos revisores. Esse estudo adverte que durante a avaliação, ao trocar-se o nome de um pesquisador por uma pesquisadora, a avaliação é feita de forma diferente.

Existem desafios peculiares à mulher na pesquisa científica?
A atuação feminina na carreira científica vem aumentando nos últimos anos, no entanto é possível observar que há desafios que são peculiares a nós mulheres, muitas horas de trabalho, dupla jornada de trabalho, que quase todas as mulheres têm. O ponto mais preocupante é a falta de informação sobre a desigualdade entre pesquisadoras e pesquisadores. A diferença de gênero é perceptível quando analisamos a quantidade de artigos publicados em jornais científicos por mulheres. Um recente estudo analisou que existe uma distorção no processo avaliativo de publicações em jornais científicos por parte dos revisores. Esse estudo adverte que durante a avaliação, ao trocar-se o nome de um pesquisador por uma pesquisadora, a avaliação é feita de forma diferente. Esta ação também se reflete na quantidade de projetos científicos aprovados sob coordenação feminina. Diante da desigualdade de gênero, projetos como o prêmio L'Oréal UNESCO ABC para Mulheres na Ciência são de fundamental importância, pois proporcionam visibilidade de trabalhos científicos desenvolvidos por mulheres, assim como o ingresso e permanência de jovens pesquisadoras no âmbito científico.

De sua turma na escola, muitas mulheres foram para carreiras científicas?
Quando faço uma reflexão sobre as minhas colegas do período de escola a fim de estimar quantas foram para a carreira científica, me deparo com um pequeno percentual. Na realidade, poucas das colegas daquela época chegaram ao ensino superior.

Em linhas gerais, o que pretende falar na RASBQ?
Eu pretendo falar sobre a atuação da mulher brasileira na carreira científica nos diferentes níveis. Nos últimos anos tem aumentado o número de mulheres em cursos de exatas, o que antes representava um pequeno percentual. No entanto, em curso de pós-graduação este percentual diminui, e torna-se ainda menor quando comparamos professoras pesquisadoras que são bolsista produtividade. Avaliando cargos de chefia observamos que esta diferença é ainda mais intensa. É importante que tenhamos o incentivo de jovens pesquisadoras para o desenvolvimento da pesquisa em seus diferentes níveis.

Descreva seu trabalho e grupo de pesquisa.
Nos últimos anos, temos dedicado esforços ao desenvolvimento de novas tecnologias favoráveis ao meio ambiente para remover poluentes orgânicos persistentes em solo e água residuárias. No aspecto do tratamento de solos contaminados, temos investigado os fundamentos e aplicação da remediação eletrocinética em solos de baixa permeabilidade contaminados com compostos orgânicos e inorgânicos. Integrado ao tratamento de solo, estamos trabalhando com tecnologias eletroquímicas para o tratamento de efluentes empregando painéis solares a fim de reduzir os gastos energéticos associados ao processo. Como proposta de monitoramento destes contaminantes durante o tratamento empregamos a eletroanálise, com eletrodos modificados para determinação de metais e compostos orgânicos. O grupo de pesquisa é composto em maior parte por mulheres, sendo constituído por alunas de iniciação científica e pós-graduação.

A sessão temática ocorrerá no dia 24 de maio e a abordagem das três cientistas sobre o tema pode ser conferida em: http://www.sbq.org.br/41ra/pagina/sessoes-tematicas.php


Texto: Mario Henrique Viana (Assessor de imprensa da SBQ)








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