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Boletim Eletrônico Nº 1311

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29/03/2018



41ª RA: ainda restam algumas vagas para os minicursos


Indicadas pelas divisões científicas, aulas sobre temas atuais e específicos despertam atenção de estudantes de graduação e pós

Ainda há vagas disponíveis para os minicursos que serão ofertados durante a 41ª Reunião Anual da SBQ, que será realizada de 21 a 24 de maio, em Foz do Iguaçu. São 12 minicursos com carga horária de seis horas, que abrangem temas variados da química. "Os minicursos se destacam por serem ligados a temas muito específicos e atuais, ministrados por pesquisadores ativos e importantes em suas áreas. É uma injeção de muito conhecimento em pouco tempo", afirma a professora Rossimiriam Freitas, secretária-geral da SBQ. Cada minicurso custa R$ 35 reais, gera certificado e a inscrição só é permitida para quem estiver inscrito na RASBQ.

Um exemplo de tema atual é a questão de micropoluentes em águas urbanas, assunto do curso que será dado pelo professor Fernando Fabriz Sodré (UnB). "As águas urbanas no Brasil estão em situação de vulnerabilidade", declarou Sodré ao Boletim SBQ. "No Brasil, enfrentamos problemas crônicos com o aporte de esgoto bruto nestas águas o que sempre leva a um quadro preocupante de contaminação. Porém, além de contaminantes clássicos, como nutrientes, matéria orgânica e patógenos, o esgoto contém várias substâncias químicas que estão diretamente associadas ao estilo de vida das sociedades urbanas. Muitas delas ainda são pouco estudadas em comparação aos contaminantes clássicos, mas podem apresentar efeitos deletérios ao ambiente aquático e às espécies que ali vivem. Embora a vasta maioria destas substâncias ainda não sejam legisladas, há uma preocupação emergente tanto do meio acadêmico quanto de tomadores de decisão, com relação aos seus impactos sobre o ambiente à curto, médio e longo prazos."

O Boletim SBQ pediu que cada pesquisador descrevesse brevemente seu curso e contasse um pouco sobre seu trabalho. Abaixo publicamos os depoimentos recebidos.

Fernando Fabriz Sodré (UnB)
Micropoluentes emergentes em áreas urbanas
O minicurso busca divulgar à comunidade acadêmica um tema de interesse relativamente recente que tem sido alvo de inúmeras investigações no mundo. No Brasil, este tema tem ganhado destaque cada vez maior nos projetos de pesquisas conduzidos por colegas de diferentes áreas, com destaque para as áreas de química ambiental, química analítica, saneamento e ecotoxicologia. Os micropoluentes emergentes são assim chamados por fazerem parte de um rol de substâncias cuja presença e efeitos no ambiente são objeto de inúmeros estudos na literatura, de modo que possam ser criadas evidências que sustentem a elaboração de critérios e padrões de qualidade da água mais condizentes com o cenário atual. Substâncias como fármacos, drogas de abuso, produtos de excreção, produtos de limpeza e de higiene pessoal, compartilham a mesma origem em meios urbanos, ou seja, o lançamento de esgoto bruto ou tratado em corpos aquáticos receptores. Por serem, em sua maioria, substâncias não legisladas, a comunidade científica já tem explorado diferentes aspectos do problema, tais como a ocorrência em diferentes matrizes, o desenvolvimento de métodos e técnicas analíticas, a elucidação de efeitos potencialmente tóxicos, a remoção/destruição em estações de tratamento, o cálculo de estimativas de carga, dentre outros. Assim, o minicurso deverá abordar os seguintes aspectos: Definições e classes de micropoluentes emergentes; Níveis de concentração e fontes de aporte no ambiente; Efeitos e abordagens para investigações ecotoxicológicas; Sequencias analíticas típicas e avançadas para análise de águas urbanas; Evolução dos trabalhos no Brasil e no mundo; Propostas para regulação e perspectivas futuras.

Sobre meu trabalho: Tenho trabalhado com micropoluentes emergentes desde 2006, época em que fazia estágio de pós-doutorameto na UNICAMP. Fiz parte de um grupo de pesquisadores que iniciaram os estudos sobre esta temática no Brasil e, desde então, tenho contribuído para difusão do conhecimento em vários temas correlatos. Meus trabalhos envolvem principalmente o diagnóstico de águas brasileiras, por meio do desenvolvimento e da aplicação de métodos capazes de acessar baixos níveis de concentração de diferentes micropoluentes emergentes. Também faço parte de uma rede de pesquisadores brasileiros que, com o apoio do Instituto Nacional de Ciências e Tecnologias Analíticas Avançadas (INCTAA), realizou o primeiro diagnóstico nacional sobre a presença de micropoluentes em águas de abastecimento público. Além de desafios analíticos inerentes à esta área, também tenho buscado trabalhar com equipes interdisciplinares de modo que seja possível contribuir mais efetivamente em áreas como ecotoxicologia, tecnologias de abatimento, desenvolvimento de sensores e avaliação integrada. Também tenho trabalhado em conjunto com as Polícias Federal e Civil do Distrito Federal de modo que seja possível consolidar no Brasil uma ferramenta capaz de estimar empiricamente o consumo de drogas de abuso em meios urbanos. Esta abordagem, denominada epidemiologia do esgoto, baseia-se na determinação analítica de drogas de abuso e seus metabólitos do esgoto bruto de modo que seja possível calcular de maneira reversa a origem e a carga destas substâncias, bem como seu consumo per capita.

Wendell Coltro (UFG)
Microfluídica
A microfluídica é uma das tendências atuais nas mais diferentes áreas do conhecimento, contribuindo de forma significativa para estudos multidisciplinares. No minicurso serão apresentados conceitos básicos sobre o tema, modos de transporte fluídico em microcanais, processos de fabricação incluindo tecnologias convencionais e alternativas bem como aplicações analíticas e bioanalíticas.

Sobre meu trabalho: Nosso grupo de pesquisa tem atuado em diferentes vertentes explorando a microfluídica. Destacam-se (i) a utilização de dispositivos descartáveis fabricados em poliéster-toner e em papel para aplicações forenses e biomédicas com diferentes fluidos biológicos e (ii) a fabricação de dispositivos com impressora 3D para uso em associação com espectrometria de massas e detecção eletroquímica para aplicações bioanalíticas.

Carlos Roque Duarte Correa e Caio Costa Oliveira (Unicamp)
Fundamentos de catálise assimétrica

Compostos enantiomericamente enriquecidos são de grande importância na preparação de moléculas de interesse farmacológico e da química fina. Uma das estratégias mais elegantes para obtê-los consiste no desenvolvimento de métodos catalíticos quirais, que permitem a transformação preferencial de um material pró-quiral em um produto enantioenriquecido em condições reacionais brandas. O objetivo principal deste minicurso é apresentar aos participantes alguns métodos catalíticos modernos e eficientes para a síntese enantiosseletiva de compostos sinteticamente úteis. Especificamente, serão apresentados os princípios básicos de catálise e enantiodiferenciação, bem como os aspectos gerais das reações em fase homogênea catalisadas por complexos metálicos e organocatalisadores. Adicionalmente, serão discutidos estudos mecanísticos relevantes para algumas transformações e como o seu entendimento foi utilizado para o desenvolvimento de catalisadores mais eficientes.

Sobre nosso trabalho: Temos interesse em diversos ramos da Química Orgânica e Medicinal. Especificamente, Caio têm experiência no design de organocatalisadores e ligantes quirais, reações de Heck assimétricas, reações de funcionalização C-H quirais e catálise multimetálica. O grupo do Prof. Carlos Roque tem contribuído ativamente na popularização da reação de Heck com sais de arenodiazônio (reação Heck-Matsuda), como uma metodologia robusta em síntese orgânica. 4 Além das diversas aplicações em síntese de compostos de interesse farmacológico, seu grupo relatou a primeira versão enantiosseletiva desta reação na literatura e tem demonstrado sua aplicabilidade para a obtenção de diversas classes de compostos enantioenriquecidos.

César Tarley (UEL) e Maria Del Pilar Sotomayor (IQAr-Unesp)
Avanços em polímeros molecularmente impressos (MIP) aplicados em sensores e extração

A tecnologia de impressão química visando a obtenção de materiais poliméricos molecularmente (MIPs) ou ionicamente impressos (IIPs) com reconhecida seletividade possui um amplo campo de aplicação nas Ciências Químicas. Estes materiais podem ser empregados, por exemplo, no desenvolvimento de métodos analíticos visando a detecção de biomarcadores de doenças, monitoramento ambiental, controle de qualidade de alimentos e amostras de interesse industrial, bem como em dispositivos de liberação controlada de drogas.

Sobre nosso trabalho: Nosso grupo de pesquisa em parceria com a Profa. Maria Del Pilar Taboada Sotomayor tem sintetizado polímeros quimicamente impressos visando seu emprego sorvente de antibióticos. Acredito que dentre as maiores conquistas obtidas no grupo de pesquisa cita-se a síntese de polímeros orgânicos duplamente impressos visando a extração seletiva de níquel em amostras de água; novos polímeros quimicamente impressos híbridos com acesso restrito para pré-concentração de ácido fólico em amostras de leite; polímeros impressos com metais e com acesso restrito para pré-concentração de cobre na presença de macromoléculas e síntese de nanocompósitos baseados em polímeros quimicamente impressos suportado em nanotubos de carbono como uma nova plataforma seletiva para detecção eletroquímica de antioxidantes em amostras de alimentos e biodiesel. Alguns dos resultados obtidos foram reportados em periódicos internacionais com elevado fator de impacto ou gerado depósito de patente.

Helio da Silva Messeder Neto (UFBA)
Desmedicalizando o olhar sobre a escola: contribuições para a atuação do educador químico

O minicurso vai tratar de um tema muito relevante para o processo de formação dos professores. O minicurso vai discutir medicalização, um fenômeno complexo que envolve um a que desconsidera a complexidade da vida humana, reduzindo-a a questões de cunho individual, seja em seu aspecto orgânico, seja em seu aspecto psíquico, seja em uma leitura restrita e naturalizada dos aspectos sociais. Nessa concepção, características comportamentais são tomadas apenas a partir da perspectiva do indivíduo isolado, que passaria a ser o único responsável por sua inadaptação às normas e padrões sociais dominantes (FÓRUM, 2015).

Esse fenômeno tem aberto espaço para o aumento exponencial de alunos diagnosticados com doenças ou transtornos de aprendizagem que na verdade não veem sentido na escola e nas aulas de química e muitas vezes são considerados dotados de algum distúrbio, incapazes e fracassados. O curso discutirá como a química e as ciências exatas, no geral, tem sido negada para a população mais pobre que tem recebido cada vez mais explicações organicistas para o seu não aprendizado, colocando a culpa no "cérebro do sujeito" que não aprende. Por fim, o curso tentará trazer alternativas metodológicas que ajudem o professor a tensionar o olhar medicalizante da escola pública e dos processos de ensino e aprendizagem na sala de aula de química.

Sobre meu trabalho: Trata-se de um campo coletivo, que tem gerado conquista coletivas. O fórum sobre medicalização da educação e da sociedade (http://medicalizacao.org.br/) do qual faço parte conseguiu instituir, por exemplo, em Salvador o dia municipal de luta contra a medicalização da educação e da sociedade. Outro destaque, está na produção de uma nota técnica: O consumo de psicofármacos no Brasil, dados do sistema nacional de gerenciamento de produtos controlados ANVISA, que traz dados alarmantes sobre o consumo de metilfenidato no Brasil.

Maria Luiza Rocco Duarte Pereira (UFRJ)
Métodos espectroscópicos avançados aplicados ao estudo de materiais

Estudos sobre a estrutura eletrônica, a morfologia de filmes finos e processos de transferência de carga ultra-rápida são de extrema importância para diversas áreas, como femtoquímica, fotoquímica de superfícies, eletrônica molecular, dispositivos fotovoltaicos, dentre outras. Neste contexto, técnicas espectroscópicas constituem ferramentas analíticas poderosas capazes de fornecer tais informações. Neste minicurso, serão apresentados os conceitos fundamentais das técnicas de fotoemissão (UPS e XPS), fotoabsorção (NEXAFS) e Auger ressonante, a instrumentação associada e alguns exemplos de estudos realizados com diferentes materiais utilizados em dispositivos.

Sobre meu trabalho: O grupo de Química de Superfícies do IQ-UFRJ vem utilizando técnicas espectroscópicas com o emprego de fontes convencionais bem como a luz síncrotron na elucidação da estrutura eletrônica, do ordenamento e da orientação de filmes finos poliméricos e moleculares e no estudo da dinâmica de transferência de carga que ocorre na escala de fentosegundos. Estes estudos vêm sendo desenvolvidos em parceria com diversos grupos atuantes na área de Eletrônica Molecular. Diversos trabalhos foram publicados que demonstram o potencial destas técnicas para a compreensão da relação estrutura-propriedade- eficiência de materiais utilizados em dispositivos optoeletrônicos.

Paulo Augusto Netz (UFRGS)
As diferentes versões da termodinâmica fora do equilíbrio

A termodinâmica é um dos mais importantes ramos da físico-química e possui uma aplicabilidade imensa. De fato, a termodinâmica nos permite saber quais processos ocorrem e quais não ocorrem, quais estados são acessíveis a partir de um determinado ponto de partida e quais não são, bem como permite mapear quais as inter-relações entre as variáveis que caracterizam os sistemas. Mas a termodinâmica usual está limitada a sistemas em equilíbrio e não inclui a variável tempo. Mas sistemas em equilíbrio na verdade são aproximações idealizadas e a variável tempo deveria cumprir um papel central para uma ciência que tem a palavra "dinâmica" no seu nome. Assim, já desde há muito tempo tem havido esforços no sentido de expandir a termodinâmica para que possa também descrever sistemas fora do equilíbrio. A maior parte destas abordagens se restringe a processos que ocorrem em sistemas ligeiramente fora do equilíbrio ou então em torno de estados estacionários de não equilíbrio. No entanto, pelo menos de um ponto de vista qualitativo, há abordagens promissoras para sistemas com processos mais afastados do equilíbrio, o que abre caminho para que a termodinâmica se torne uma poderosa ferramenta para explicar a nossa realidade - atmosfera, biosfera, a origem da vida - a qual transcorre num contexto de não equilíbrio. Este minicurso pretende abordar de um ponto de vista histórico e conceitual a termodinâmica de não equilíbrio, revisando a termodinâmica clássica, introduzindo as diferentes abordagens da termodinâmica linear de não equilíbrio - enfatizando os casos de sucesso, as aplicações e as limitações de cada abordagem - e também mostrando de modo panorâmico a área da termodinâmica não linear.

Fernando Batista da Costa (FCFRP-USP)
Tópicos de quimioinformática na pesquisa de produtos naturais

Quimioinformática é uma disciplina recente que a cada ano tem maior relevância, tanto na academia como na indústria. Já possui seu próprio periódico e outros que cobrem o tema. De maneira simplificada, esta disciplina trata da solução de problemas de química com uso de programas de computador. Diferentes aplicações da quimioinformática tem merecido destaque, por exemplo o desenvolvimento de algoritmos e aplicativos para a predição de propriedades químicas, abrangendo desde a descoberta de fármacos até novas ferramentas para elucidação estrutural de substâncias orgânicas, denominados métodos "in silico". Bases de dados de estruturas químicas e aplicativos online estão cada vez mais acessíveis à comunidade científica. Cada vez mais tem surgido novas aplicações da quimioinformática, sendo que no minicurso o foco será a área de química de produtos naturais, incluindo o armazenamento de estruturas químicas em banco de dados, ferramentas de busca de estruturas, modelagem e emprego em metabolômica e quimiotaxomomia, dentre outros.

Sobre meu trabalho: Recentemente criamos modelos de predição de tempos de retenção cromatográfica e de propriedades biológicas de substâncias naturais, respectivamente QSRR e QSAR. Desenvolvemos uma base de dados denominada AsterDB, a primeira coleção de estruturas químicas que ocorrem em espécies da família Asteraceae, com mais de 2,5 mil estruturas e suas propriedades relacionadas, tais como classe química, dados taxonômicos e origem geográfica, dentre outras. Esta base de dados hoje está online gratuitamente na web (http://zinc15.docking.org/catalogs/asternp/substances) e depositada na base de dados ZINC (http://zinc15.docking.org/catalogs/asternp). Estamos desenvolvendo uma ferramenta automatizada para desreplicação de substâncias em extratos vegetais a partir de dados de LC-MS e triagem virtual de bases de dados nas enzimas COX e LOX.

Erick Leite Bastos (USP)
Marcadores fluorescentes e as bases moleculares da fluorescência em sistemas biológicos

Existe um grande interesse no desenvolvimento de métodos não invasivos para o estudo e análise de células e tecidos in vivo. A interação entre luz e matéria permite interrogar questões clínicas e, até mesmo, tratar doenças com intervenções mínimas. Dependendo de sua estrutura química, espécies fluorescentes podem ser direcionadas para tipos específicos de células e aplicadas em conjunto com diferentes técnicas de imageamento. Neste minicurso, vamos discutir a relação entre a estrutura de uma molécula fluorescente e suas propriedades e aplicações. O participante terá acesso a informações básicas sobre fotociência, bem como com os destaques da literatura recente sobre moléculas orgânicas (e alguns complexos) fluorescentes.

Sobre meu trabalho: Estudamos pigmentos fluorescentes de flores e sua modificação para aplicação tecnológica. Compostos da classe das betalaínas são especialmente eficientes em marcar células e tecidos e nosso grupo desenvolveu diversos derivados com propriedades de interesse. Alguns destaques recentes: sondas bioinspiradas com propriedades óticas não lineares (Rodrigues et al. Dyes Pigm., 150: 105, 2018) e uso de produtos naturais fotoativos para o desenvolvimento de células a combustível (Pavliuk et al. Scientific Reports, 7: 8670, 2017).

Informações sobre os doze minicursos ofertados podem ser obtidas em http://www.sbq.org.br/41ra/pagina/minicursos.php. As inscrições vão até o dia 08 de maio mas alguns minicursos já estão com poucas vagas disponíveis.


Texto: Mario Henrique Viana (Assessoria de Imprensa da SBQ)








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