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Boletim Eletrônico Nº 1409

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23/04/2020



Um blog para falar de nanotecnologia e covid-19


Iniciativa do INCT Nanocarbono divulga o papel da nanociência na prevenção, combate e tratamento ao novo coronavírus

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanomateriais de Carbono (INCT Nanocarbono) lançou, na semana passada, um blog para veicular notícias que relacionem a nanociência e a nanotecnologia às diferentes ações relacionadas ao covid-19. "Queremos que este blog seja um observatório que consiga agregar pesquisas, resultados, notícias, materiais ligados a empresas... enfim, tudo que for informação de qualidade neste tema", explica a professora Solange Fagan, do Departamento de Física da Universidade Franciscana (Santa Maria-RS), coordenadora do blog.

O professor Aldo Zarbin (DQ-UFPR), ex-presidente da SBQ (2016-18), vice-coordenador do INCT Nanocarbono, destaca que uma das missões do INCT é fazer divulgação científica, e que a nanociência tem uma participação ampla no enfrentamento, prevenção, detecção e tratamento do covid-19. "A nanociência tem um papel muito importante: desde o desenvolvimento e carreamento de fármacos, desenvolvimento de testes rápidos, confiáveis, seletivos e baratos, possibilidade de vacinas baseadas em nanopartículas, novos materiais para máscaras, uniformes, jalecos, materiais para desinfecção de organismos e ambientes... existe uma grande atuação em todas essas vertentes", declara.

Professor Aldo Zarbin (DQ-UFPR): "Talvez uma das poucas consequências positivas dessa pandemia é que a ciência sairá mais forte, mesmo diante dessa avalanche de negacionismo, de fake news"

Leia a íntegra da entrevista concedida pelo professor Aldo Zarbin ao Boletim Eletrônico SBQ:

Como você avalia a situação de pandemia no Brasil e a resposta do governo?
Não sou da área de saúde, mas sou cientista. Como cientista, digo que temos que ouvir a ciência. E ciência não se rebate com opinião e com achismos, mas com fatos. Um dado científico somente pode ser refutado com um outro dado que tenha melhores evidências científicas.

Temos um processo que já foi experimentado no mundo inteiro, onde o vírus chegou antes do que no Brasil: o isolamento social. Uso de máscaras, uso de álcool em gel, higienização das mãos, desinfecção dos lugares também, mas o fundamental é que as pessoas não circulem, para evitar que o vírus circule, para que a curva de infectados se achate, e para que o sistema de saúde tenha condição de atender a população.

Isso não é minha opinião, mas sim o que diz a ciência.

Nosso governo federal infelizmente está indo contra os dados científicos e contra a experiência dos países que nos precederam. A gente teve a 'sorte' do vírus atacar vários países antes do nosso. Poderíamos aprender com essas experiências, com as práticas adotadas nos países e lugares que seguiram recomendações da ciência, da OMS e os resultados que tiveram. Mas não estamos seguindo o caminho que a ciência diz como correto.

Tem conversado com seus pares fora do Brasil? Qual a percepção deles?
Sim, tenho conversado com amigos e colaboradores fora do Brasil, na Inglaterra, França, Alemanha, EUA, e todos estão muito assustados, respeitando o vírus e entendendo o que está acontecendo no mundo. A grande dificuldade que eles têm é em entender as notícias que chegam do Brasil. "É verdade isso que estamos vendo nos telejornais?", me perguntam. Estão incrédulos sobre a maneira pela qual essa pandemia está tratada por algumas autoridades no nosso país.

No seu laboratório, como está o dia-a-dia?
No nosso laboratório estamos fazendo o que tem que ser feito. Estamos fechados, evitando aglomerações. Os alunos têm feito aparições esporádicas para manutenções dos equipamentos, mas em escala, de modo que não se encontrem. Mas o Departamento de Química da UFPR não está parado, há vários docentes, discentes e técnicos administrativos trabalhando e fazendo o papel social esperado pelas Universidades Públicas. Por exemplo, estamos produzindo grande quantidade de álcool gel, em um trabalho voluntário brilhantemente coordenado pelo professor Rilton Alves de Freitas para doar para hospitais e postos de saúde de Curitiba e região. Dentro do Setor de Ciências Exatas há colegas produzindo máscaras e protetores faciais para doação. A UFPR também criou um canal "Fale com o Cientista", um caminho direto para responder dúvidas da população com relação aos diferentes aspectos do dia a dia nessa pandemia, e fundamental para o combate às fake News.

Você acredita que essa pandemia terá algum impacto na forma como a sociedade percebe a ciência?
Acredito. Talvez uma das poucas consequências positivas dessa pandemia é que a ciência sairá mais forte, mesmo diante dessa avalanche de negacionismo, de fake News. Estamos vivendo período muito obscurantista: terraplanismo, movimento anti-vacina, criacionistas em órgãos oficiais tentando impor seus pontos de vista religiosos à ciência, tentativa de fuga do estado laico que é afirmado na Constituição Federal. E no Brasil atual há ainda uma forte campanha de tentativa de descrédito e desmoralização das universidades públicas, onde se realiza 95% da pesquisa científica no Brasil, além de cortes absurdos de recursos destinados à área nos anos recentes. Mas essa onda de retrocesso não irá vencer a verdade das evidências científicas, pois na hora que a coisa aperta, as pessoas percebem a importância do trabalho dos cientistas, que atuam na fronteira do conhecimento. Se você pensar que em seis meses não sabíamos nada sobre esse vírus, e olhar tudo o que sabemos hoje... a comunidade científica mundial se abraçou em torno desse problema, e é somente a ciência que trará as soluções a ele.

Pra terminar, é importante novamente que olhemos para o que a ciência brasileira é capaz de fazer. A grande mídia finalmente está mostrando, e creio que a população está cada vez mais ciente, a enorme capacidade de resposta que nossos cientistas, nossos Institutos de Pesquisa e nossas Universidades possuem quando são chamados. Já havíamos visto isso quando da descoberta da relação entre o zika vírus e a microencefalia em bebês, e temos visto isso na história regressa nos mais diferentes campos de ação, onde nossa ciência responde e retorna à sociedade aquilo que lhe cabe. E tudo isso com bolsas de pós-graduação cortadas e congeladas, com recursos cortados, sem investimentos, e com uma enorme campanha de desmoralização e de tentativa de desconstrução. Imaginem o que seríamos capazes de fazer se nos fosse garantido o mínimo de investimento, se nosso orçamento não estivesse sendo continuamente cortado, e se tivéssemos tranquilidade para trabalhar. Creio que essa pandemia trouxe luz a essa realidade.

Blog do INCT Nanocarbono: https://www.inctnanocarbono.com/blog
Coordenação do INCT: Marcos Assunção Pimenta (UFMG)
Vice-coordenação: Aldo José Gorgatti Zarbin (UFPR)
Coordenação do blog: Solange Fagan (UFN)


Texto: Mario Henrique Viana (Assessoria de Imprensa da SBQ)








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