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Boletim Eletrônico Nº 1415

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04/06/2020



Romeu Cardozo Rocha Filho assume a SBQ em AGO virtual


Eletroquímico da UFSCar é o 21º presidente da Sociedade, em substituição a Norberto Peporine Lopes

Na última segunda-feira a SBQ realizou pela primeira vez na história uma Assembleia Geral Ordinária em ambiente virtual.* A assembleia – que contou com a presença de cerca de 300 sócios – marcou o início do mandato do professor Romeu Cardozo Rocha Filho (UFSCar) à frente da SBQ, em substituição ao professor Norberto Peporine Lopes (FCFRP-USP), que presidiu a Sociedade de 2018 até agora.

Em um breve discurso de posse, o prof. Romeu destacou o momento de crise econômica, política e sanitária pelo qual o Brasil passa e enfatizou o trabalho da SBQ em defesa da ciência e a representatividade dos sócios. "O presidente é só mais um participante de uma corrida de revezamento, uma criação coletiva iniciada pelo saudoso professor Simão Mathias em 1977", declarou. Ele afirmou que trabalhará para que a Sociedade possa reativar sua participação na IUPAC em 2022. "Se cada sócio trouxer um novo sócio, conseguiremos."

Romeu Cardozo Rocha Filho (UFSCar), novo presidente da SBQ: "Em condições normais, já seria um desafio, dados o significado e representatividade da SBQ para a comunidade química brasileira e a sua importância entre as sociedades científicas nacionais. Neste momento, em que ademais vivemos a pandemia da Covid-19 e temos um governo com posturas pré- e anti-iluministas, tal desafio se amplifica de modo significativo."

Na visão do prof. Norberto, a SBQ está muito bem encaminhada. "O Romeu é uma pessoa muito admirada dentro da SBQ. Ele faz parte da nossa história e fez trabalhos importantes lá atrás – profissionalizou a secretaria, indexou o JBCS e a Química Nova na Web of Science, entre outros. Tem uma cultura geral fantástica, transita por diferentes áreas, escuta muito, é calmo, ponderado, mas sempre tem posições firmes. O respeito que ele tem será muito importante para a SBQ neste momento", afirmou o ex-presidente.

Especializado em eletroquímica, o prof. Romeu é licenciado em Química pela Universidade Federal de São Carlos -- UFSCar (1976), Mestre em Físico-Química (1979) e Doutor em Ciências -- área Físico-Química (1983) pela Universidade de São Paulo -- USP. É sócio da SBQ desde 1978, tendo sido secretário-geral por duas gestões (1992 a 1996) e atuado em outras funções.

Docente do Departamento de Química da UFSCar desde dezembro de 1976, é um dos líderes do Laboratório de Pesquisas em Eletroquímica (www.lape.ufscar.br) e já supervisionou dezenas de mestrandos, doutorandos, pós-doutorandos e alunos de iniciação científica. Publicou cerca de 200 artigos e é autor ou coautor de diversos livros, entre eles Cálculos Básicos da Química - 4ª ed. e Introdução à Química Experimental – 3ª ed., ambos publicados pela EdUFSCar. Recentemente co-coordenou a tradução do Livro Verde da IUPAC, publicado pela EditSBQ (www.sbq.org.br/livroverde).

Leia íntegra da entrevista concedida pelo Professor Romeu ao Boletim Eletrônico SBQ:

O que significa assumir a presidência da SBQ?
Em condições normais, já seria um desafio, dados o significado e representatividade da SBQ para a comunidade química brasileira e a sua importância entre as sociedades científicas nacionais. Neste momento, em que ademais vivemos a pandemia da Covid-19 e temos um governo com posturas pré- e anti-iluministas, tal desafio se amplifica de modo significativo.

O sr. assume em um momento único na história recente. Quais devem ser suas prioridades à frente da SBQ?
Quando candidato, há mais de dois anos, me propus a contribuir para ajustar as atividades da SBQ aos tempos que vive(re)mos (sic), auscultando os sócios sobre como melhor atender suas necessidades, desde o aluno de iniciação científica até o pesquisador renomado. Então, a marca era a crise do financiamento da pesquisa científica e um certo descrédito difuso da Ciência. Agora, temos também a grave crise sanitária, cuja urgente solução depende da ciência. Isto, felizmente, vem fazendo que a Ciência volte a ter prestígio. Neste contexto, coincidentemente, mais ainda cabe ajustar as atividades da Sociedade, focando nas necessidades e anseios dos sócios. Por outro lado, sempre que possível, procuraremos aumentar ainda mais as possibilidades de participação.

O sr. é sócio da SBQ desde 1978. O que mudou no ambiente universitário da química brasileira neste período?
A mudança é enorme. A comunidade química cresceu de maneira espetacular, tanto em número, como em qualidade e diversidade. Naquele ano, no livro de resumos da 1ª Reunião Anual da SBQ, realizada dentro da reunião anual da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, constam somente 279 trabalhos, aproximadamente metade deles das áreas de Química Orgânica (72) e Química de Produtos Naturais (70). Contrastando com a atualidade, o acesso à informação era penoso, mais ainda fora de algumas poucas capitais. Na época, nas Universidades ainda não era incomum se contratar graduados somente como docentes (este foi o meu caso, por exemplo), pois a formação de mestres e doutores era algo incipiente. Hoje tudo mudou. Temos programas de pós-graduação em química distribuídos por todo o país, a maioria contando com a contribuição de grupos de pesquisa de excelente nível. Precisamos lutar para que sejam adequadamente apoiados, pois isso sempre reverte em muitos benefícios à sociedade.

Qual a sua visão sobre a função das universidades públicas no Brasil?
As universidades públicas desempenham um papel fundamental no sistema de ciência, tecnologia e inovação, aí inclusas as áreas de artes e humanidades. Em nosso país, a maioria absoluta da pesquisa científica é desenvolvida nas universidades públicas, em geral no contexto de formação de recursos humanos, com muitos benefícios para a sociedade, em todos os aspectos. Sem dúvida, as universidades públicas são um patrimônio inestimável, construído ao longo de décadas, que necessita ser valorizado e apoiado, com financiamento adequado. Cabe destacar que todos os estados da federação, sem exceção, têm uma ou mais universidades públicas como instituições referenciais.

Qual sua visão sobre o financiamento à pesquisa científica no Brasil?
Sem produção intelectual de qualidade, nenhum país consegue almejar sua independência. Neste sentido, cabe ao estado financiar o desenvolvimento de pesquisas nas diferentes áreas do conhecimento. No caso da pesquisa científica, o financiamento da pesquisa básica é vital, pois sem esta não há como ter ciência aplicada. Na realidade, os conhecimentos advindos da ciência básica, em momento oportuno, serão ferramentas fundamentais, às vezes muito ecléticas, na ciência aplicada, na inovação tecnológica. Um país sem pesquisadores competentes, de todas as áreas, fica à mercê de outros, sem controle efetivo do seu destino.

Qual a sua visão sobre a integração entre empresas (setor produtivo) e universidades (pesquisa científica)?
Como já disse, as universidades públicas, junto com institutos de pesquisa e outros órgãos públicos, desempenham um papel predominante nas atividades de pesquisa desenvolvidas em nosso país. Para mim, são remotas as possibilidades de integração entre empresas e universidades, pois o ritmo da pesquisa acadêmica é diferente daquele do setor produtivo. Já interações são possíveis e recomendáveis. Contudo, para que sejam efetivas e profícuas, é importante que as empresas também atuem fortemente em pesquisa, pois só assim serão capazes de inovar em seus processos e produtos. Atualmente, a EMBRAPII – Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial tem, em parte, catalisado essa interação indústria-universidade, buscando inovação industrial. Para que inovações contínuas e marcantes ocorram é fundamental que as empresas invistam fortemente em pesquisa própria e passem a contribuir com uma fração importante do dispêndio nacional em PD&I, ao contrário do que hoje ocorre.

Uma mensagem para o aluno de graduação?
O teu curso de graduação será a base para o que você vai fazer no futuro. Assim, não deixe de construir esta base da maneira mais sólida possível. Além disso, não esqueça da importância da capacidade de bem se comunicar (oralmente e por escrito), bem como da de trabalhar em equipe. Lembre-se que muito possivelmente você terá que se reinventar como profissional, à medida que a tecnologia (e a sociedade) avançam. Neste sentido, a capacidade de autoaprendizagem será uma aliada importante sua.

Gostaria que falasse um pouco sobre a vida pessoal: família, hobbies, dia a dia, etc.
Sou casado com Sonia R. Biaggio, uma colega cientista, agora aposentada, e protetora de animais (disso, ela não tem como se aposentar). Não tivemos filhos, mas sempre tivemos cachorros em casa (no momento, são três). Com isso, sempre tive uma boa razão para me exercitar: levar os cachorros para passear, o que, estando em casa, é sagrado. Na prática, sempre tive uma rotina de exercícios; no passado, jogging, atualmente caminhadas e bicicleta estacionária. Nas poucas horas vagas, muita leitura, mais voltada à informação: jornais e revistas; atualmente, também me informo ouvindo podcasts. Apesar de não ter nenhuma vocação para músico, adoro música: instrumental, choro, jazz, blues ... Assim, comumente trabalho imerso em um som ambiente.

Cerimônia de posse da diretoria da SBQ biênio 2020-2022:
https://www.facebook.com/sociedadebrasileiraquimica/videos/560417661333758


Texto: Mario Henrique Viana (Assessoria de Imprensa da SBQ)








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