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01/04/2021



O impacto da pandemia nas bancadas dos laboratórios


Atraso nos experimentos e mudança de objeto de estudo são alguns dos prejuízos causados à pós-graduação em química

O estrago causado pela pandemia no ensino de química atingiu não somente as aulas e a qualidade da interação entre professores e alunos, mas principalmente a atividade de pesquisa em laboratório. Se as ferramentas de teleconferências contribuíram para a realização de aulas online – mesmo que muito longe da qualidade de uma boa aula presencial -, elas nada puderam fazer pela parte experimental.

"É uma situação preocupante, porque sabemos que milhares de linhas de pesquisa tiveram algum tipo de interrupção nos experimentos", alerta o pesquisador Alan Pilon, membro do comitê Jovens Pesquisadores-SBQ.

As pesquisadoras Conceição Alves (esq), mestranda da UFC, e Iva Souza de Jesus, doutoranda da UFBA: mudança de objeto de estudo e atraso em experimentos afetam a conclusão da pós-graduação

Iva Souza de Jesus é doutoranda no Grupo de Pesquisa em Síntese Química Aplicada e Sustentável – GPSQ, da UFBA. Sua tese envolve o estudo das aplicações sintéticas dos ácidos cumarínicos frente a enaminonas, visando a obtenção de moléculas carbo e heterocíclicas potencialmente bioativas, e corre o risco de ficar prejudicada caso não seja possível retomar os experimentos até o início do segundo semestre. "A pandemia chegou no meu terceiro ano, justamente quando eu ia começar os experimentos sobre as aplicações sintéticas das moléculas obtidas. Tudo que tenho são os experimentos das obtenções das moléculas", conta a pesquisadora.

Ela conseguiu a extensão da bolsa CAPES por seis meses, então o trabalho que deveria ser concluído em maio de 2021 terá de ser defendido no final do ano. Agora, a expectativa de Iva é quanto ao possível retorno ao laboratório. "Não piso no laboratório há mais de um ano. Isso é muito ruim para quem é dependente da bancada. Se for possível retomar em agosto, poderei concluir meu doutorado a contento. Se não for possível, vou escrever a tese com os resultados que tenho", afirma Iva.

A impossibilidade dos experimentos é um, mas não o único tipo de prejuízo trazido pela pandemia. No caso de Conceição Alves, pós-graduanda do Laboratório de Materiais Nanoestruturados da UFC, o jeito foi mudar drasticamente o objeto de estudo de seu mestrado.

Sua pesquisa inicialmente seria sobre adsorção de CO2 para purificação do biogás. Porém, o tema exigiria a parceria com outros laboratórios de análises e caracterizações, o que poderia inviabilizar os experimentos. "Então, em conjunto com o meu orientador, decidimos alterar logo no início para o desenvolvimento de materiais nanoestruturados para o abrandamento de águas", relata Conceição.

A mudança no tema acarretou um pequeno atraso no trabalho, que foi superado porque Conceição conseguiu frequentar o laboratório durante grande parte dos últimos 12 meses. "Como eu fico perto da universidade e não dependo do transporte público, pude ir ao laboratório – seguindo os protocolos de segurança implementados pela UFC – a não ser nos períodos em que Fortaleza ficou em lockdown", assinala.

Ambas as pesquisadoras têm seus planos para o futuro, porém, as incertezas seguem enquanto a pandemia perdura. "Tenho o desejo de fazer doutorado no exterior, mas não imagino ainda quando e como isso será possível. Por enquanto, eu sonho com a vacina", revela Conceição. "Sabemos que a pandemia vai passar, mas não sabemos quando. O fato que o cenário será muito mais competitivo, então é para isso que temos que nos preparar", observa Iva.

Ouça a íntegra da conversa do JP-SBQ com Conceição e Iva aqui.


Texto: Mario Henrique Viana (Assessoria de Imprensa da SBQ)








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