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Boletim Eletrônico Nº 1643 - 27/03/2025




DESTAQUE

Mulheres que inspiram a todos


Simpósio do Núcleo Mulheres deve ter plateia cheia para ouvir a primeira vice-reitora preta da UFOP e a professora que se tornou secretária de CT&I

Roberta Fróes chegou à Universidade Federal de Ouro Preto em 2011, logo depois de concluir seu pós-doutorado em Métodos Óticos de Análise na UFMG. Havia passado no concurso para assumir a posição de professora adjunta no Departamento de Química, e assim, dava início a um sonho de infância, pois desde pequena, quando via as figuras da revista Super Interessante, que seu pai lia todo mês, sabia que seria uma cientista.

Apenas dois anos depois, ajudou a redigir o projeto do programa de Pós-Graduação em Química, que seria aprovado pela CAPES e começaria a funcionar no ano seguinte. Em 2017, foi eleita Chefe do Departamento de Química, em 2021, foi eleita Diretora do Instituto de Ciências Exatas e Biológicas, e no final do ano passado, apenas 13 anos depois de ter dado sua primeira aula na UFOP, foi eleita vice-reitora, a primeira vice-reitora preta da história da universidade.

Roberta Fróes, vice-reitora da UFOP, com Álvaro (e) e Humberto (d): "É a primeira vez que uma mulher preta dentro da reitoria da UFOP não está servindo café ou fazendo a limpeza, e isso tem um significado muito grande"

"É a primeira vez que uma mulher preta dentro da reitoria da UFOP não está servindo café ou fazendo a limpeza, e isso tem um significado muito grande", afirma a professora Roberta.

Embora 88% da população de Ouro Preto seja negra, a cidade ainda é racista na visão da professora Roberta. "Muitos não se consideram pretos, e não se consideram pertencentes ao núcleo histórico, à parte bonita da cidade. Outro dia fui a um restaurante, a garçonete – preta – não parava de me olhar. Aí veio até a mesa e me disse que estava muito feliz de me ver lá, porque pessoas como nós raramente iam lá como clientes, apenas para trabalhar."

'Representatividade' define a chegada da professora Roberta à vice-reitoria da UFOP. Os desafios que ela superou em sua trajetória são exemplos que seus filhos Humberto, de 13 anos, e Álvaro, de 10, têm observado de perto. "Quando eu era pequena e sabia que seria cientista, eu nunca tinha visto a imagem de uma mulher preta cientista. Agora sei que sou exemplo, não somente para meus filhos, mas para minhas alunas e as mulheres e pessoas pretas", declara. A professora Roberta será uma das conferencistas do Simpósio "Pluralidade da Química: a contribuição das mulheres para um futuro inclusivo e diverso", organizado pelo Núcleo Mulheres SBQ, e que será realizado na 48a Reunião Anual da SBQ, no dia 10 de junho, às 14h.

"Será um evento fantástico, em que conheceremos a história de duas mulheres fortes e empoderadas, com trajetórias inspiradoras, de dedicação e superação", conta a professora Luana Forezi (UFF), coordenadora do Núcleo Mulheres. Ela destaca o fato de o simpósio ser um evento único na grade da RASBQ, sem que outras conferências ocorram no mesmo horário, de modo que todos, mulheres e homens, possam comparecer. "Queremos mostrar histórias de sucesso, destacar os aspectos positivos das contribuições femininas à ciência, e esperamos uma plateia cheia."

Tatiana Marins Roque (UFRJ), secretária municipal de CT&I: "Entrei para a política a partir da situação que as universidades começaram a viver, de corte de verbas em 2015. Eu era presidente do sindicato dos professores da UFRJ, fiz uma série de ações contra o corte de verbas e acabei me tornando uma liderança nessa área"

A outra palestrante será a professora Tatiana Marins Roque (UFRJ), eleita vereadora do Rio de Janeiro e nomeada secretária municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação pelo prefeito Eduardo Paes. Ela é graduada em Matemática pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestrado em Matemática Aplicada pela UFRJ e doutorado na área de História e Filosofia das Ciências pela UFRJ, com doutorado sanduíche em Paris no laboratório REHSEIS - CNRS (Recherches Épistémologiques et Historiques sur les Sciences Exactes et les Institutions Scientifiques). Seu livro "História da Matemática: uma visão crítica, desfazendo mitos e lendas" (Zahar, 2012) foi um dos vencedores do Prêmio Jabuti 2013 e seu último livro "O Dia em que Voltamos de Marte" (Planeta, 2021) foi finalista do Jabuti em 2022.

"Entrei para a política a partir da situação que as universidades começaram a viver, de corte de verbas a partir de 2015, 2016", conta. "Eu era presidente do sindicato dos professores da UFRJ e fiz uma série de ações contra o corte de verbas e liderei uma campanha chamada Conhecimento sem cortes. Como depois daquilo, a situação das universidades só piorou, acabei me tornando uma liderança nessa área."

Ela considera a política uma área muito difícil para mulheres. "São muitos obstáculos, alguns mais explícitos, outros implícitos. Acho que a política é uma das áreas com mais obstáculos para as mulheres. É só olhar em volta e ver a baixa representatividade das mulheres nos espaços de poder", avalia.

Em sua conferência a professora Tatiana apresentará números sobre a representatividade das mulheres na ciência, com destaque para o fenômeno do teto de vidro, que quanto mais perto das posições de poder, menor a representatividade das mulheres. "Também falarei sobre a baixa participação das mulheres nos cargos de poder da ciência, e o que podemos fazer para mudar isso", revela. "Às meninas e mulheres da SBQ, digo que mirem-se nas mulheres cientistas que vocês conhecem, ainda que poucas. Essa pedagogia do exemplo é muito importante para que meninas e mulheres não desistam de seguir as carreiras científicas."


Texto: Mario Henrique Viana (Assessoria de Imprensa da SBQ)



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