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Boletim Eletrônico Nº 1682 - 05/02/2026




DESTAQUE

49ª RASBQ
Agricultura 4.0: Química permite a produção de soja sem sementes


No Grupo de Espectrometria, Preparo de Amostras e Mecanização (GEPAM) do Instituto de Química da Unicamp, o professor Marco Aurélio Zezzi Arruda desenvolve uma abordagem inovadora para a produção de soja sem sementes, baseada em princípios da nanobiotecnologia. O processo tem início com a obtenção de um calo organogênico — um agregado de células derivado de uma região específica da planta — que é cultivado em uma solução contendo nutrientes, hormônios e agentes mutagênicos. Esse calo desempenha um papel funcionalmente análogo ao das células-tronco em humanos, por sua capacidade de diferenciação.

Nanopartículas metálicas são incorporadas ao meio de cultivo com dupla finalidade: prevenir processos oxidativos e modular características fenotípicas desejáveis nas plantas em desenvolvimento. A proposta visa, ao final, aumentar a produtividade agrícola por meio da geração de variedades mais resistentes a pragas e melhor adaptadas a diferentes condições de clima e solo.

Prof. Marco Aurélio Zezzi Arruda, com alunas do GEPAM: "Atualmente, estamos na fase laboratorial. Já obtivemos calos a partir de diferentes plantas-mãe, iniciamos a regeneração das plantas e, neste momento, investigamos os efeitos das diversas nanopartículas aplicadas"

Diversos alunos participam diretamente da pesquisa, que conta com a colaboração dos professores Marcelo Menossi, do Instituto de Biologia, e Ítalo Mazali, responsável pela síntese das nanopartículas.

"Atualmente, estamos na fase laboratorial. Já obtivemos calos a partir de diferentes plantas-mãe, iniciamos a regeneração das plantas e, neste momento, investigamos os efeitos das diversas nanopartículas aplicadas, especialmente no que diz respeito a proteínas, metabólitos e pequenas moléculas", explica o professor Zezzi.

Ele é um dos palestrantes confirmados para a sessão temática "Química, Agricultura 4.0 e Sustentabilidade", organizado pelas divisões de Eletroquímica/Eletroanalítica, Química Analítica e Alimentos e Bebidas, na 49ª Reunião Anual da SBQ, de 15 a 18 de junho, em Campinas.

Além do Professor Zezzi, estarão presentes a pesquisadora Fabiane Goldschmidt Antes (EMPRABA), o professor Bruno Campos Janegitz (UFSCar), e a professora Jéssica Santos Stefano (UFMA).


AVANÇOS NA ELETROANALÍTICA

São várias as contribuições da química para a chamada agricultura 4.0, que pressupõe o uso intensivo de ciência e tecnologia não somente para aumentar a produtividade, mas também para reduzir os impactos ambientais.


Professora Cristiane Jost (direita) com alunos e colaboradores do ampere - Laboratório de Plataformas Eletroquímicas da UFSC: "Vimos uma grande evolução da eletroanalítica nos últimos anos, na caracterização e controle de contaminantes na água, no solo, no ar, e também em produtos industrializados"

A química Cristiane Jost, docente da UFSC, vice-diretora da Divisão de Eletroquímica/Eletroanalítica, e uma das moderadoras da sessão temática, destaca a importância da química, também na garantia da segurança de produtos importados e exportados, por meio de análises cada vez mais rápidas e de menor custo econômico e ambiental.

"Vimos uma grande evolução da eletroanalítica nos últimos anos, na caracterização e controle de contaminantes na água, no solo, no ar, e também em produtos industrializados", afirma a docente. "Isso se deve ao desenvolvimento de novos métodos em química analítica."

Ela conta que uma preocupação antiga da área de eletroanalítica é a possibilidade de realizar a análise no local de amostragem, por exemplo a lavoura, a beira de um rio, ou uma região de fronteira. "A eletroanalítica tem essa vantagem. Podemos trabalhar com equipamentos muito pequenos conectados a aplicativos específicos por meio de um aparelho celular. Então todo o sistema é portátil com potencial para miniaturização", descreve a professora Jost.

As vantagens são muitas: monitoramento em tempo real, consumo mínimo de reagentes, baixa geração de resíduos, custo acessível do sistema, e fácil operação. Os desafios atuais, segundo a docente, são a melhoria da seletividade e da sensibilidade dos métodos, para que se alcance maior exatidão nas análises, também para quantidades muito pequenas de contaminantes. "Este é um obstáculo a ser superado para que essas tecnologias se disseminem para além da universidade."

A sessão temática "Química, Agricultura 4.0 e Sustentabilidade" terá como moderadoras também as professoras Kelly das Graças Fernandes Dantas (UFPA) e Wanessa Melchert Mattos (ESALQ-USP).

Saiba mais sobre a pesquisa do Professor Marco Aurélio Zezzi Arruda:
https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0003267024008857?via%3Dihub
https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acs.jafc.2c08065?ref=PDF


Texto: Mario Henrique Viana (Assessoria de Imprensa da SBQ)



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