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Boletim Eletrônico Nº 1683 - 12/02/2026




DESTAQUE

Equidade de Gênero

Políticas institucionais avançam na Unicamp, e SBQ adere a mentoria para mulheres


Temas serão tratados no simpósio do Núcleo Mulheres SBQ, na 49ª RASBQ

Este ano, vinte doutorandas e pós-doutorandas e vinte professoras e pesquisadoras em química, associadas à SBQ, concluirão a segunda edição do Programa de Mentoria para Mulheres, promovido conjuntamente pela Sociedade Brasileira de Matemática, a Sociedade Brasileira de Física e a Sociedade Brasileira de Química. O objetivo da mentoria é apoiar e incentivar o desenvolvimento profissional e pessoal de mulheres em início de carreira nessas áreas, ajudando-as a enfrentar os diversos desafios da carreira acadêmica e profissional.

Para isso, duplas de mentoras e mentorandas se reúnem quinzenalmente para tratar de assuntos trazidos pelas mentorandas. Pode ser algo diretamente ligado à vida acadêmica, ou algo mais no campo pessoal ou familiar. Além disso, todas as semanas são realizadas palestras proferidas por professoras e pesquisadoras das áreas, ou especialistas convidadas de outras áreas – como psicólogas ou profissionais especializadas em questões de assédio e gênero.

"A idéia é que as jovens aproveitem a experiência das mentoras, que já passaram por situações que se repetem para todas nós", afirma a professora Taícia Pacheco Fill (Unicamp), coordenadora do Núcleo Mulheres SBQ, e um das coordenadoras do programa de mentoria.

Professora Valéria Neves Domingos Cavalcanti (UEM): "A mentoria é muito importante para ajudar as jovens mulheres a superar os muitos obstáculos que temos na carreira científica, e queremos que ela seja replicada nas universidades como subgrupos vinculados ao programa."

A inclusão da SBQ neste projeto iniciado em 2023 é uma realização do Núcleo Mulheres SBQ, que convidou uma das criadoras do programa, a matemática Valéria Neves Domingos Cavalcanti, docente da UEM, para o Simpósio "Catalisadores de equidade: políticas institucionais e mentoria como mecanismos de transformação", na 49ª RASBQ, de 15 a 18 de junho em Campinas.

"A entrada da SBQ veio para somar esforços e qualidade a este programa, e conseguimos dobrar o número de participantes na atual edição", conta a professora Valéria. Ela explica que no processo de seleção – feito via edital – as organizadoras procuram buscar mentoras e mentorandas das diversas regiões do país. "A mentoria é muito importante para ajudar as jovens mulheres a superar os muitos obstáculos que temos na carreira científica, e queremos que ela seja replicada nas universidades como subgrupos vinculados ao programa."

O simpósio contará também com a presença da física Mônica Alonso Cotta, docente e pró-reitora de Graduação da Unicamp, uma das universidades pioneiras do estabelecimento de políticas institucionais de equidade de gênero.

Professora Mônica Alonso Cotta (Unicamp), primeira concursada a se tornar titular nos primeiros 50 anos do Instituto de Física: "Estamos trabalhando para melhorar o diálogo, fortalecer os serviços que já existem e estabelecer protocolos mais robustos de penalizações"

Lá, as políticas institucionais começaram a ser pensadas e implementadas na década passada a partir de um Grupo de Trabalho para políticas de atenção à violência sexual e discriminação de gênero. Em 2019, foi criada a Diretoria Executiva de Direitos Humanos, ligada ao Gabinete do Reitor, e que comporta uma série de comissões, sendo uma delas "Gênero e Sexualidade".

"Essa comissão tem tido bastante trabalho. Estabelecemos uma Política de Combate à Discriminação baseada em Gênero, definimos regras e procedimentos para prevenção de violência sexual e acolhimento de queixas, publicamos um Guia de Boas Práticas para a Promoção da Equidade de Gênero e outro sobre violência sexual…. ", assinala a Professora Mônica.

Outra ação institucional estabelecida pela Unicamp é a inclusão de critérios de equidade de gênero nos editais de contratação de docentes. "Nós incluímos uma cláusula que prorroga o período de avaliação para que as mulheres (e casais) possam ter mais segurança na época de nascimento de filhos", explica a pró-reitora.

A cláusula é redigida assim:
"5.1. Para promover a equidade entre homens e mulheres nas atividades acadêmicas, será levado em conta o impacto da maternidade na carreira. Nesse caso, os prazos de titulação definidos no item 4 deste edital serão estendidos para solicitantes do sexo feminino, por dois anos para cada advento de prole ocorrido depois da referida titulação. O mesmo direito é concedido: a. às solicitantes que deram à luz uma criança natimorta; b. ao solicitante de sexo masculino que adotar singularmente; e c. ao solicitante do sexo masculino ou feminino que for membro de uma união homoafetiva e que tenha realizado adoção no período contemplado."

A Diretoria Executiva de Direitos Humanos da Unicamp também implementou o SAVS, Serviço de Atenção à Violência Sexual, que acolhe, faz denúncias, encaminha casos para redes de apoio, centros de Saúde da mulher, e delegacia quando for o caso.

"Nosso olhar é muito atento. Se soubermos que em alguma unidade está tendo algum tipo de conflito – que pode ser do 'inadequado' ao limite de um crime – nós intervimos com rodas de conversas específicas para aquela situação. E na calourada, temos oficinas falando sobre a questão do consentimento", descreve a Professora Mônica.

Ela conta que na Física, a questão de gênero é muito acentuada. "Desde a graduação, as mulheres são minoria. Fui a primeira professora concursada a se tornar titular em 50 anos do Instituto. Hoje, dez anos depois, ainda somos apenas três mulheres titulares.

Mesmo com os grandes avanços, a pró-reitora considera que ainda há muito trabalho a ser feito na questão da equidade de gênero. "Estamos trabalhando para melhorar o diálogo, fortalecer os serviços que já existem e estabelecer protocolos mais robustos de penalizações", afirma.

Além do Simpósio "Catalisadores de equidade: políticas institucionais e mentoria como mecanismos de transformação", que será moderado pelas professoras Luana Forezi (UFF), Taícia Pacheco Fill (Unicamp) e Ana Paula Paim (UFPE) – coordenadoras do Núcleo Mulheres, o Núcleo também realizará o minicurso "Conexões no ambiente profissional: relações saudáveis e comunicação consciente", que terá como palestrante convidada a Professora Maria da Conceição Ferreira de Oliveira (UFC). Ela vai falar sobre sua experiência na transformação de pesquisa em soluções inovadoras para o mercado, liderança e empreendedorismo feminino.

Saiba mais:

Programa de Mentoria para Mulheres:
https://www.instagram.com/mentorianasexatas?igsh=ZWNnanB1aWc5Z3hk

DEDH Unicamp:
https://direitoshumanos.unicamp.br/comissoes/genero-e-sexualidade/documentos/


Texto: Mario Henrique Viana (Assessoria de Imprensa da SBQ)



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