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Boletim Eletrônico Nº 1685 - 05/03/2026




DESTAQUE

Visibilidade trans e letramento LBGTQIAPN+: e eu com isso?


Desde 2004, o dia 29 de janeiro é marcado pela celebração do Dia Nacional da Visibilidade Trans. Esta data carrega uma importância única e levanta a reflexão sobre seu significado, já que pelo DÉCIMO SÉTIMO ano consecutivo, em 2025 o Brasil foi o país mais perigoso do mundo para pessoas trans ou travestis, ao mesmo tempo que, ironicamente, é um dos países que mais consome conteúdo adulto produzido por essa parcela da população [1]. Diante desse triste cenário, a SBQ enquanto uma sociedade acadêmica brasileira, tem o dever de discutir essa pauta com urgência.

A partir do processo de invasão europeia, a sociedade ocidental passou a projetar a organização de forma que somente a heterossexualidade seria permitida. Nesse contexto, o que conhecemos hoje por identidade de gênero deveria, obrigatoriamente, ser determinada pelo sexo biológico atribuído à pessoa ao nascer de forma binária: masculino ou feminino. No entanto, pessoas que não se identificam com essa atribuição ou não sentem atração sexual ou afetiva pelo gênero oposto sempre existiram e, em muitos casos, sempre viveram à margem da sociedade.

 
Hoje entende-se que orientação sexual é a “atração sexual, afetiva ou emocional” [2] por uma pessoa, enquanto a identidade de gênero é “a experiência de gênero vivenciada por uma pessoa durante a vida” [2], isto é, algo construído a partir das suas experiências, e que pode ou não corresponder ao sexo atribuído ao nascimento. Dentro desse guarda-chuva estão pessoas cisgênero, transgênero, não-binárias, agêneros e de gênero fluido.

Pela dinâmica social vigente no século XVI, presumia-se que todas as pessoas seriam cisgênero (cis) e, portanto, se identificariam com o gênero designado ao nascimento” [2] baseado em seu aparelho reprodutivo. Dentro dessa categoria estão as mulheres e os homens cisgênero. Em uma alusão a química orgânica, pode-se entender que os grupos funcionais/substituintes iguais ou de maior prioridade (identidade de gênero atribuída e reconhecida pelo indivíduo) estariam do mesmo lado, fazendo menção à isomeria cis (“me disseram que eu sou uma mulher e eu me reconheço como tal”). Por outro lado, a isomeria trans nos indica que tais grupos estão em lados opostos (“me disseram que eu sou um homem e eu não me vejo como tal”).

O conceito de transgeneridade foi, então, construído. Tal termo pode ser compreendido como o “estado ou condição em que uma pessoa não se identifica com o gênero designado ao nascer, mas com outra identidade de gênero. Uma transição não é fator determinante para a pessoa ser transgênera. Nesse caso, pessoas transgêneras podem ou não querer passar por procedimentos de transição hormonal, corporal ou outros.” [2].

 
Trocando em miúdos, as pessoas trans são aquelas que não se identificam com o gênero determinado no nascimento. Dentro desse guarda-chuvas de identidades estão mulheres transgênero, homens transgênero e trans-não-binárias; além da “identidade feminina, política e latino-americana" [2] das travestis.

A transexualidade sempre esteve presente em diferentes culturas como terceiro gênero ou papéis sociais sagrados: as Hijras na Índia, os Dois-Espíritos na América do Norte, Kathoey na Tailândia e os Bissu na Indonésia. Apesar desses exemplos, Shirley Costa, a primeira vereadora trans da Paraíba, afirmou, em depoimento ao G1, que “envelhecer sendo trans no Brasil (e no mundo) é, por si só, um ato político de resistência, que reafirma o direito de existir em uma sociedade que insiste em negar dignidade à população trans” [3].

Alinhada ao tema da 49a RASBQ, “Química para a soberania nacional”, a epígrafe do “Dossiê assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras em 2025” endossa essa discussão sob a perspectiva social, ao dizer que “se o Brasil pretende se afirmar como um país soberano, precisa começar reconhecendo a barbárie que promove nas favelas, nas esquinas, nos becos, nas manchetes e nos corpos trans que insiste em violar. Brasil soberano é país sem transfobia, racismo e misoginia”.

Antes de se perguntar “o que fazer?” ou “por onde começar?”, as palavras da juíza do trabalho Andrea Maria Limongi Pasold serve como resposta e alerta sobre como NÃO agir: “O que realmente funciona e é, principalmente, respeitoso, é sempre perguntar à pessoa por qual pronome ela deseja ser tratada. Uma atitude pequena, que mostra um tratamento de forma digna e inclusiva.”
Essa e outras discussões serão abordadas na 49ª RASBQ, no Workshop “Química da Inclusão: Diversidade e Acolhimento como Estratégias para o Presente e Futuro da SBQ”, promovido pelo Núcleo de Inclusão e Diversidade (NID-SBQ). Não fique de fora! Vamos seguir juntos para (re)construir a SBQ que queremos! 

Eduarda A. Moreira, Marcos Palmeira e Caio H. Pinke Rodrigues
Equipe de Comunicação e Equipe de Design & Mídias
NID-SBQ
Fontes:

[1] Dossiê assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras em 2025
https://antrabrasil.org/wp-content/uploads/2026/01/dossie-antra-2026.pdf

[2] Letramento em diversidade de gênero para o ensino e pesquisa em contabilidade: uma abordagem interseccional
https://v3.cadernoscajuina.pro.br/index.php/revista/article/view/857

[3] Visibilidade trans: histórias de quem superou violência e preconceito para envelhecer com dignidade
https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2026/01/29/visibilidade-trans-historias-de-quem-superou-violencia-e-preconceito-para-envelhecer-com-dignidade.ghtml

Fontes extras:

Cartilha para retificação de prenome e gênero
https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/lgbt/publicacoes/cartilhas/POUPATRANSCartilhaSaoPauloMDH.pdf




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