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Boletim Eletrônico Nº 1691 - 16/04/2026




DESTAQUE

Transtorno do Espectro Autista e a construção de espaços acolhedores e inclusivos


De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), o Transtorno do Espectro Autista (TEA) "se refere a uma série de condições caracterizadas por algum grau de comprometimento no comportamento social, na comunicação e na linguagem, e por uma gama estreita de interesses e atividades que são únicas para o indivíduo e realizadas de forma repetitiva". O termo "espectro" indica que o autismo se manifesta de formas diferentes em cada pessoa, desde quadros leves até casos que exigem maior apoio no dia a dia.

Geralmente, os sinais de alterações psicossociais surgem ainda na infância, e persistem na adolescência e na vida adulta. As evidências científicas disponíveis até o momento apontam que as causas do TEA podem estar ligadas tanto a fatores ambientais quanto genéticos, mas não há indícios de que estejam relacionadas às vacinas.

Ainda de acordo com a OPAS, "com base em estudos epidemiológicos realizados nos últimos 50 anos, a prevalência de TEA parece estar aumentando globalmente", mas isso não significa que vivemos uma "epidemia" de autismo. Este aumento está relacionado, principalmente, a uma maior conscientização sobre o tema, à expansão dos critérios diagnósticos, à disponibilidade de melhores ferramentas de diagnóstico e ao aprimoramento das informações reportadas. Esta percepção, portanto, é um resultado da capacidade de se diagnosticar com maior precisão o autismo em fases cada vez mais precoces da vida.

Fonte: Ministério da Saúde

Crianças com TEA podem apresentar comportamentos desafiadores como birras, agressividade ou isolamento, ligados à dificuldade de lidar com frustrações e situações sociais. Já na vida adulta, a pessoa com TEA pode enfrentar dificuldades com rotina flexível, sensibilidade a barulhos ou toques, ou dificuldade em lidar com emoções no trabalho ou nos relacionamentos, afetando a convivência e provocando sentimentos de solidão. Diante dessas dificuldades, pessoas com TEA estão, muitas das vezes, sujeitas ao estigma e à discriminação, o que inclui menores oportunidades de acesso à saúde, educação e de se engajarem e participarem de suas comunidades.

A Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Lei nº 12.764/2012) assegura às pessoas com TEA direitos como acesso à educação, trabalho, moradia, assistência social e previdência. Além da responsabilidade do Estado, é dever da sociedade acolher, apoiar e incluir estes indivíduos nas atividades cotidianas, dando oportunidades de participação e desenvolvimento, e adaptando as atividades e espaços, quando possível e necessário, de modo a tornar as experiências de pessoas com TEA menos desagradáveis ou desafiadoras no aspecto psicossocial.

Nos ambientes educacionais, profissionais e acadêmicos, ações aparentemente simples podem ser muito significativas:

  • Compreensão empática: entender as características individuais de pessoas com TEA;
  • Comunicação objetiva e direta: utilizar linguagem simples e comunicação visual sempre que possível;
  • Rotinas estruturadas: é importante manter rotinas previsíveis em sala de aula e/ou no laboratório para criar um ambiente seguro;
  • Adaptação sensorial: reconhecer e respeitar as necessidades sensoriais individuais, considerando estímulos visuais, táteis, auditivos, etc;
  • Ambiente calmo: criar um ambiente tranquilo e acolhedor, minimizando estímulos desnecessários que possam causar desconforto sensorial;
  • Estímulo social gradual: introduzir interações sociais de maneira gradual, respeitando o tempo e conforto de cada pessoa, incentivando o desenvolvimento de habilidades sociais;
  • Acessibilidade: garantir a acessibilidade no ambiente, considerando adaptações físicas e tecnológicas para facilitar a participação de pessoas com TEA.

Com algum esforço e muita empatia, é possível transformar ambientes e relações interpessoais, tornando-os mais seguros e agradáveis para todas as pessoas, englobando suas diversas particularidades. Na SBQ, o NID existe, também, para dar voz às pessoas neurodivergentes e suas famílias, colaborando com a construção de uma Sociedade que seja segura e acolhedora.

Eduarda A. Moreira, Marcos Palmeira e Claudio Mesquita Gomes
Equipe de Comunicação
NID-SBQ



Para saber mais:
Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS)
https://www.paho.org/pt/topicos/transtorno-do-espectro-autista

Ministério da Saúde
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/autismo

Cartilha Azul: estratégias para a inclusão de alunos com TEA
https://educapes.capes.gov.br/bitstream/capes/972592/2/Produto%20Educacional%20%20-%20Cartilha%20-%20Elijane%20da%20Rocha.pdf

Autismo: verdades e mentiras sobre a “epidemia” do transtorno
https://vejario.abril.com.br/coluna/fabio-barbirato/autismo-verdades-e-mentiras-sobre-a-epidemia-do-transtorno/



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