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Boletim Eletrônico Nº 1697 - 28/05/2026




49ª RASBQ

Sessão temática traz indústria e governo para debater oportunidades na bioeconomia, descarbonização e transição energética


Evento inaugura formalmente a parceria da SBQ com a Abiquim

Na 49ª RASBQ, uma sessão temática organizada em conjunto com a Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), vai detalhar a Missão 5 do programa Nova Indústria Brasil (NIB), lançado pelo governo federal em 2024 para orientar a reindustrialização do país até 2033. O plano é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e financiado principalmente por BNDES, Finep e Embrapii. A previsão inicial era mobilizar R$ 300 bilhões até 2026, posteriormente ampliados em programas associados.

A Missão 5 do NIB diz respeito a bioeconomia, descarbonização e transição e segurança energéticas. Ela propõe cortar em 30% a emissão de gás carbônico por valor adicionado do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria, elevar em 50% a participação dos biocombustíveis na matriz energética de transportes, e aumentar o uso tecnológico e sustentável da biodiversidade pela indústria em 1% ao ano.

A sessão temática inaugura oficialmente a parceria estabelecida entre SBQ e Abiquim no final de 2025. “Vivemos um momento promissor de aproximação entre a SBQ e a indústria química brasileira, diantee dos grandes desafios científicos e tecnológicos que o país tem pela frente”, afirma o professor Hélio Anderson Duarte (UFMG), presidente-sucessor da SBQ. “Que esta temática contribua para aproximar academia, setor industrial e políticas públicas, promovendo um ambiente de efervescência científica, inovação e desenvolvimento tecnológico.”

A sessão temática foi elaborada em conjunto com a gerente de Assuntos Regulatórios e de Sustentabilidade da Abiquim, Camila Hubner Barcellos. Ela assinala que a indústria química brasileira vive um momento decisivo de transformação, impulsionado pela agenda de descarbonização, bioeconomia, circularidade e inovação sustentável. Nesse contexto, a universidade tem um papel fundamental em algumas frentes estratégicas.

“A primeira delas é a formação de talentos altamente qualificados, preparados para atuar em ambientes multidisciplinares e orientados à inovação. A indústria precisa cada vez mais de profissionais com sólida base científica, mas também com capacidade de aplicação prática, visão sistêmica e familiaridade com temas como sustentabilidade, digitalização, transição energética e novos materiais”, afirma a executiva. “Outro ponto essencial é o fortalecimento da pesquisa aplicada e da conexão entre ciência e escala industrial. O Brasil possui excelência acadêmica em química, biotecnologia, biomassa, catálise, materiais avançados e química verde, mas ainda há espaço para ampliar os mecanismos de transferência tecnológica, validação em escala piloto e aceleração da inovação até o mercado.”

A gerente da Abiquim também vê grande potencial na cooperação para desenvolvimento de rotas tecnológicas de baixo carbono, uso de fontes renováveis, captura e utilização de carbono, reciclagem química, hidrogênio de baixa emissão e aproveitamento sustentável da biodiversidade brasileira — todos temas diretamente relacionados à Missão 5 do Nova Indústria Brasil.

Participam da sessão temática cientistas e executivos de perfis diversos. Além de Camila Hubner Barcellos, completam a mesa Jorge Soto, engenheiro químico, fundador da consultoria Susteneo. Foi diretor de Sustentabilidade da Braskem por muitos anos; Julia Cruz, advogada, Secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC); Paulo Resende, administrador, Gerente de Transição Energética da Finep; e Suzana Borschiver, docente da Escola de Química da UFRJ. A coordenação será do Prof. Hélio Anderson Duarte (UFMG).

Camila Hubner Barcellos, gerente de Assuntos Regulatórios e de Sustentabilidade da Abiquim, concedeu a seguinte entrevista ao Boletim Eletrônico da SBQ:

Qual o perfil do químico que as indústrias buscam?
A indústria busca um profissional com sólida formação técnica, mas que também seja capaz de atuar de forma integrada aos grandes desafios contemporâneos da sociedade e da indústria.

Hoje, o químico precisa combinar conhecimento científico com competências em inovação, sustentabilidade, segurança de processos, conceito que envolve a gestão responsável dos produtos químicos ao longo de todo o seu ciclo de vida, desde o desenvolvimento e fabricação até transporte, uso, reciclagem e descarte, economia circular e transformação digital. É um profissional que entende tanto da molécula quanto do impacto daquela solução ao longo da cadeia produtiva e do seu ciclo de vida.

Além da excelência técnica, as empresas valorizam habilidades como pensamento crítico, capacidade de trabalhar em equipes multidisciplinares, visão de negócios, comunicação e adaptação a ambientes em rápida transformação tecnológica. Também cresce a demanda por profissionais com experiência em bioeconomia, química verde, biotecnologia industrial, materiais avançados, energias renováveis e análise de dados aplicados à indústria.

O químico do futuro será cada vez mais um agente da transição para uma economia de baixo carbono e da construção de soluções sustentáveis para o país.


Que tipo de parcerias entre empresas e universidades podem ser estabelecidas?
As oportunidades de parceria são amplas e estratégicas, especialmente diante da agenda da Nova Indústria Brasil e da necessidade de acelerar a inovação industrial sustentável.

Um modelo importante é a criação de projetos cooperativos de pesquisa aplicada, envolvendo empresas, universidades, institutos tecnológicos e agências de fomento, como a FINEP. Esses projetos permitem compartilhar infraestrutura, conhecimento e riscos tecnológicos para desenvolver soluções em áreas prioritárias como bioquímica, novos materiais, fertilizantes de menor pegada de carbono, captura de carbono e circularidade.

Também são fundamentais os programas de formação conjunta de talentos, com estágios, residências tecnológicas, doutorados industriais e laboratórios colaborativos. Isso aproxima os estudantes dos desafios reais da indústria e acelera a formação de profissionais alinhados às necessidades do setor produtivo.

Outra frente relevante é a construção de plataformas de inovação e hubs tecnológicos voltados à bioeconomia e à descarbonização, capazes de integrar competências científicas e industriais para transformar conhecimento em soluções escaláveis e competitivas.

A química é uma indústria transversal e habilitadora. Por isso, a colaboração entre academia e empresas é essencial para transformar o potencial científico brasileiro em desenvolvimento industrial sustentável.


Como a Abiquim vê a parceria entre Abiquim e SBQ?
A Abiquim vê essa aproximação com a SBQ como extremamente estratégica para o futuro da química e da indústria brasileira.

A Sociedade Brasileira de Química representa a excelência científica e a formação de talentos no país, enquanto a indústria química é responsável por transformar conhecimento em inovação, produtos, desenvolvimento tecnológico e soluções para desafios globais, como clima, energia, alimentos e saúde.

A parceria reforça justamente a necessidade de aproximar ciência, indústria e políticas públicas para fortalecer a competitividade do Brasil e acelerar a neoindustrialização sustentável proposta pelo Nova Indústria Brasil.

Além disso, o diálogo entre academia e indústria é fundamental para alinhar formação profissional, prioridades de pesquisa e demandas tecnológicas do país. O Brasil tem enorme potencial em bioeconomia, biodiversidade e química sustentável, e a conexão entre SBQ, Abiquim, governo e agências de fomento é essencial para transformar esse potencial em liderança industrial e tecnológica.

Esse painel simboliza exatamente essa visão: a química como plataforma tecnológica indispensável para uma economia mais inovadora, sustentável e de baixo carbono.


Texto: Mario Henrique Viana (Assessoria de Imprensa da SBQ)



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