DESTAQUE
Um convite à percepção
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Adquirir conhecimento sobre qualquer assunto, sempre gera algum aprendizado. Por esta razão, nas edições anteriores, a coluna comuNIDade SBQ procurou trazer informações, apresentar fontes, propor leituras e promover letramento social sobre diferentes temas debatidos no âmbito da inclusão e da diversidade. Mas de que vale todo esse aprendizado, se ele não for colocado em prática no dia a dia? Hoje, esse texto é um chamado à reflexão sobre a realidade. O objetivo aqui é que cada pessoa tome consciência sobre o mundo ao seu redor. Para isso, o primeiro passo é examinar atentamente cada espaço: o local onde você vive, seu ambiente profissional, as festas e eventos sociais que frequenta, seus espaços de lazer… Quem são as outras pessoas presentes nesses espaços? Quais as suas características físicas? Repare na cor da pele, no gênero, no formato dos corpos, na forma e na cor dos cabelos, na idade, na roupa…
Agora, com essas pessoas em mente, reflita, em primeiro lugar, sobre quão diversos são esses espaços. Quantas características diferentes estão presentes? Pessoas diferentes interagem entre si? Qual o papel de cada uma delas? Quem está em destaque? Quais as suas características? Quem tem suas ideias consideradas e validadas? Quem tem espaço para se expressar? Como são as pessoas que fazem o serviço braçal? Quem limpa e cozinha? Quem é responsável pelo cuidado? Quem serve e quem é servido?
As respostas para estas questões são notórias, mas a pergunta essencial que sintetiza essa reflexão é “Por quê?”. Na maioria das situações isso passa despercebido e, por isso, o mundo permanece como está. Sem a prática da atenção ao outro e a consciência que evidencia a ausência de diversidade e inclusão nos diversos ambientes, a realidade permanece inalterada. Sempre as mesmas pessoas são ouvidas, sempre as mesmas pessoas são aplaudidas e sempre as mesmas pessoas estão à margem.
Este cenário que visa a exclusão de determinados grupos faz parte de um processo histórico, onde os tomadores de decisão se perpetuam e se retroalimentam. Ao olhar para o outro como seu igual e reconhecer o seu possível poder de tomada de decisão, o indivíduo no topo da pirâmide se sente em risco e ameaçado pois, desta forma, o ciclo pode ser quebrado - e deve! Justamente por essa razão é tão importante reunir pessoas com características e habilidades diversas em todos os espaços.
Encontrar pessoas com um olhar atento não somente para a sua realidade, mas também para a do outro, não é um objetivo fácil de ser alcançado. No ambiente acadêmico, é necessário que cada cientista, seja docente ou discente, esteja atento e trabalhe ativamente para a construção de espaços que contemplem todos os corpos, gêneros, origens e experiências. Muitos estudos já demonstraram que ambientes científicos mais diversos produzem ciência de melhor qualidade, mais disruptiva e inovadora - e isso é só mais uma prova de que a inclusão é benéfica para todas as pessoas, individualmente e no coletivo. Todos fazem parte de um mesmo organismo vivo, onde cada órgão, com sua especificidade e função, trabalha exaustivamente, não para superar o outro, mas com o objetivo de contribuir para o bom funcionamento do todo.
Esse é o papel do NID: oferecer uma nova perspectiva e propor um debate aberto sobre como tornar a SBQ um espaço acessível, aberto e representativo. Com a 49ª RASBQ se aproximando, o Núcleo de Inclusão e Diversidade convida todas as pessoas inscritas para que contribuam com esse movimento participando do Workshop “Química da Inclusão: Diversidade e Acolhimento como Estratégias para o Presente e Futuro da SBQ”, no dia 15/06/2026. Além de palestras, haverá uma roda de conversa em que participantes poderão compartilhar suas experiências, queixas, sugestões e contribuições. Inscreva-se para (re)construir a SBQ que queremos!
Eduarda A. Moreira e Marcos Palmeira
Equipe de Comunicação
NID-SBQ
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