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Boletim Eletrônico Nº 1700 - 02/07/2026




DESTAQUE

Sucesso da 49ª RA marca o encerramento da gestão 2024-2026


Entidade fechou 2025 com superávit histórico; Nos últimos dois anos, número de sócios disparou; mudanças na RA resgataram público presente

A realização da 49ª Reunião Anual da SBQ (de 15 a 18 de junho, em Campinas), marcou o encerramento da gestão da Professora Rossimiriam Freitas (UFMG) como presidenta da SBQ, e da Professora Elisa Orth (UFPR), como secretária-geral. Em números, o evento se aproximou do sucesso da 48a RASBQ – a maior em 10 anos: foram 2137 inscritos, sendo 1088 associados congressistas e 595 alunos de IC ou mestrado que foram pela primeira vez à uma Reunião Anual da SBQ. Em termos de patrocínio, essa RASBQ superou a anterior com 18 patrocinadores, quatro a mais que em 2025.

Gestão 2024-2026 deixa saldo positivo em caixa, em número de sócios e em participantes na RASBQ

"Depois da RA histórica de 2025, nós conseguimos manter o alto nível de conteúdo e participação nesta edição", afirma a Profa. Elisa Orth, coordenadora geral do evento. "Mantivemos as inovações que foram bem recebidas pela nossa comunidade, como a sala quieta, o intérprete de libras, opções veganas e vegetarianas no cardápio, o formulário de inscrição inclusivo, com espaço para declaração de gênero, etnia, necessidades específicas e restrições, e o espaço kids com recreação."

Simpósio "Química para a soberania nacional" reuniu o Professor de Ética e Filosofia Política, Renato Janine Ribeiro (USP), a bióloga Lucia Helena Xavier (CETEM/MCTI) e o economista Carlos Grabois Gadelha.

O evento teve como tema central "Química para a soberania nacional". Este debate reuniu o Professor de Ética e Filosofia Política, Renato Janine Ribeiro (USP), a bióloga Lucia Helena Xavier (CETEM/MCTI) e o economista Carlos Grabois Gadelha.

O Prof. Janine estabeleceu a diferença entre soberania nacional – conceito surgido a partir do colapso da ideia medieval de uma única communitas christiana e da reivindicação da soberania em seu território por parte de alguns reis – e soberania popular, conceito que surge com as Revoluções Francesa e dos EUA, que colocam o povo como sujeito político, o qual assume o papel de decidir quais decisões políticas serão tomadas. "É a democracia que realiza a soberania popular, mas até hoje a democracia não está consolidada mundo afora. Aproximadamente metade da população mundial vive em sociedades democráticas: escolhem livremente quem governará, escolhem livremente sua religião, e escolhem livremente sua parceria amorosa", afirmou.

Segundo Janine, sem soberania popular, o desenvolvimento científico pode ser usado contra a sociedade, de forma danosa. Ele deu o exemplo das câmeras com reconhecimento facial, uma tecnologia inovadora usada para vigiar e punir. "As ciências fornecem um potencial gigantesco de melhoria das condições de vida no planeta, mas o interesse tem que ser dado pelo povo."

A Professora Lucia Xavier tem grande experiência com mineração urbana e logística reversa. Atualmente ela coordena um levantamento diagnóstico e análise que vai subsidiar a formulação de uma política pública para minerais críticos e estratégicos. Ela explicou que minerais estratégicos são aqueles que têm impacto direto na soberania, nas estratégias de um país. "Existe uma grande reserva, existe produção e tem potencial de fomentar cadeias de valor produtivo. No caso do Brasil, nióbio e terras raras são alguns dos minerais estratégicos", pontuou. Já os críticos, são aqueles muito demandados, mas que o país tem dependência de fornecedores externos – no caso do Brasil, fosfato e potássio, utilizados na produção de fertilizantes são bons exemplos.

"Desenvolver uma estratégia nacional para minerais críticos e estratégicos significa pensar o Brasil. Por exemplo, nas terras raras, o grande desafio hoje é alcançar os óxidos. Temos tecnologia, mas não temos escala industrial – ainda focamos na mineração. Então é crucial pensar quais os ganhos econômicos, ambientais, sociais de fomentar essa cadeia produtiva. Nesse sentido, é preciso criar incentivos fiscais para a instalação de plantas produtivas, capacitar profissionais, e fomentar investimento em PD&I para que no longo prazo alcancemos independência tecnológica", afirmou.

Complementando o Simpósio, o economista Carlos Gadelha, Coordenador da Rede CEIS (Complexo Econômico e Industrial da Saúde) da Fiocruz, trouxe uma reflexão sobre qual deve ser o padrão produtivo e tecnológico para uma sociedade justa e sustentável. Em sua visão, saúde é direito da população e eixo estruturante do desenvolvimento nacional, e o Brasil deve fortalecer a indústria nacional de Saúde.

"O sistema social da Saúde é o complexo econômico do bem-estar. Inclui segmentos industriais de base química e bioteconológica, sistema de equipamentos e dispositivos médicos, tecnologia da informação, e um sistema de serviços em saúde que gera uma quantidade imensa de emprego", explicou. Tudo isso representa 10% do PIB, 10 milhões de empregos diretos e aproximadamente um terço da pesquisa científica no país.

Gadelha pontua, porém, que o Brasil tem uma situação de vulnerabilidade, dada a forte dependência externa. "Todos os anos importamos 30 bilhões de dólares ligados ao sistema de saúde. Na pandemia tivemos dificuldades com máscaras, medicamentos, vacinas, o IFA… Então temos que nos reindustrializar, não porque é bonito. É porque é o caminho para transformar conhecimento em benefício para a sociedade. Neste sentido, todo pesquisador tem uma função social."


Assembleia Geral

No encerramento da 49a RASBQ, foi realizada a Assembleia Geral da SBQ. O tesoureiro, Prof. Mauricio Moraes Victor (UFBA) apresentou o balanço financeiro de 2025. A SBQ teve um superávit recorde de R$ 994.592,75, um valor 57% superior ao superávit de 2024 e mais de quatro vezes maior que o resultado de 2023. As despesas estão fortemente concentradas na realização de eventos e na estrutura operacional, e a RASBQ permanece como principal fonte de receita da Sociedade. A 48a, realizada no ano passado, teve gastos aproximados de 1,6 milhão de reais, e receitas aproximadas de 2,3 milhões de reais, gerando um superávit de mais de 670 mil reais. "Encerramos o exercício com superávit relevante, muito necessário para manutenção das atividades da SBQ a médio prazo, elevada segurança financeira e patrimônio sólido e sustentável", declarou o Prof. Victor.

Em seu discurso de encerramento de gestão, a Professora Rossimiriam Freitas (UFMG) destacou o aumento de sócios alcançado nos últimos dois anos – mais de 3 mil, o que não acontecia há 15 anos. "Destes, centenas são jovens que se aproximaram da Sociedade pela primeira vez. Isso aconteceu provavelmente porque nos últimos dois anos, a SBQ se comunicou melhor. Defendemos a nossa Sociedade com garra e de forma presencial pelos quatro cantos do país. Apenas esta presidência fez mais de 35 viagens e ministrou mais de 40 palestras sobre a SBQ: A sociedade dos químicos e químicas brasileiros", declarou.

Ela também ressaltou as mudanças promovidas na RASBQ. "As nossas reuniões anuais voltaram a ter mais de 2000 pessoas inscritas, como há muito não se via, em um ambiente de efervescência científica que revigora os ânimos dos mais antigos e encanta e apaixona os mais jovens, pilares da SBQ do futuro. Elas foram um sucesso absoluto de organização, compromisso e satisfação. E de alegria, muita alegria. Mudamos a 'cara' da RA: a programação mudou radicalmente e o sistema de submissão foi completamente modernizado", assinalou.

No final do seu discurso, muitos presentes se emocionaram. "Fiz o que fiz por amor à ciência, à química, à educação, por reconhecer que há, dentro do pesquisador formado neste país, uma enorme dívida para transformar a sociedade que o transformou, um enorme dever de tornar a sociedade brasileira mais justa e mais igual, e a sua sociedade científica mais forte. E repito como disse também na minha posse, todos nós, com nossas gestões e pequenos gestos de contribuição, erros e acertos, passaremos um dia, e seremos esquecidos nas estantes da história, mas a Instituição SBQ permanecerá viva, será conduzida por gente que acredita e terá existência longa e próspera. A SBQ é nossa!"

Fernando de Carvalho da Silva (UFF): "Meu compromisso é trabalhar por uma SBQ cada vez mais próxima, acolhedora, diversa e humana"

Em seguida, tomou a posse a nova diretoria, liderada pelo presidente, Prof. Fernando de Carvalho da Silva (UFF). Ele destacou seus vários anos de participação na SBQ e avisou que em sua gestão estará sempre aberto ao diálogo com os sócios. "Ao longo das últimas décadas, a SBQ evoluiu profundamente. Tornou-se mais diversa, mais inclusiva e mais representativa. Iniciativas como o Núcleo Mulheres SBQ, criado para fortalecer a participação e a liderança feminina na Química; o Núcleo de Inclusão e Diversidade, que amplia a visibilidade e a representatividade de grupos historicamente sub-representados; e o Comitê Jovens Pesquisadores, que promove a integração e o protagonismo das novas gerações de cientistas, são conquistas institucionais das quais devemos nos orgulhar. Não podemos retroceder um único passo em tudo aquilo que construímos coletivamente. Quero que todos saibam que esta gestão estará sempre disponível ao diálogo. Quero ouvir todos os nossos associados. Quero aproximar ainda mais a Sociedade de sua comunidade. Meu compromisso é trabalhar por uma SBQ cada vez mais próxima, acolhedora, diversa e humana."


Texto: Mario Henrique Viana (Assessoria de Imprensa da SBQ)



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