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Letramento racial: reflexões, problematizações e provocações
Na 49ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química, foi ministrada a palestra intitulada “Letramento racial: reflexões, problematizações e provocações”. Como referência de fala, foi utilizado a documentação disponível nas mídias sociais da educadora, pedagoga e escritora Luiza Mandela Silva Soares, popularmente conhecida como Luiza Mandela (instagram: @luizamandela).
Na oportunidade foi apresentado para audiência o que é o letramento social, a saber, um conjunto de práticas educativas e pedagógicas que busca ensinar a identificar, combater e desconstruir o racismo nas estruturas sociais e nas relações cotidianas. Portanto, o letramento racial tem como objetivo desenvolver uma consciência crítica para que indivíduos compreendam a fundo como o racismo opera na sociedade. Parafraseando sobre o que é o letramento racial:
“É quando a gente aprende o que é o racismo”.
“É quando a gente entende o que o racismo faz na nossa sociedade”.
“É quando a gente entende de que forma o racismo interfere nas nossas relações sociais”.
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A partir do momento em que aprendemos o que é o letramento racial, a próxima questão é: o que precisamos fazer para termos letramento racial? Primeiro precisamos reconhecer a existência do racismo. A partir do momento que a gente reconhece que o nosso país é racista, a gente passa a buscar o letramento racial.
Neste sentido, precisamos identificar no racismo a forma como opera e de que forma nós podemos combatê-lo. Para combatermos o racismo, não basta não sermos racistas, mas sim, imperativamente, precisamos ser antirracistas, ou seja, precisamos adotar uma postura ativa contra a discriminação e o racismo estrutural, o qual pode ser definido, de maneira simples, como o preconceito racial que está enraizado nas bases políticas, econômicas e culturais de uma sociedade. Contudo, é importante destacar a existência de outras variantes de racismo como o racismo institucional (trabalho ou ambiente educativo), cultural (crença, religião, música), científico ou Biológico, comunitarista (diferencialista), ecológico ou ambiental, recreativo (piadas discriminatórias) e epistêmico. Portanto, reconhecer os privilégios da população branca, abolir expressões preconceituosas do vocabulário e promover a igualdade na prática, são algumas ações imprescindíveis e fundamentais.
Para colocarmos em prática atitudes antirracistas, precisamos nos apoiar em instrumentos teóricos, a partir de fontes informativas e esclarecedoras, através de leituras, assistindo a filmes, fazendo cursos e entendendo como funciona a dinâmica racial do nosso país, para que a gente tenha atitudes melhores, antirracistas, e possamos enfrentar o racismo presente na nossa sociedade.
Certamente você se pergunta, de que forma podemos ser antirracistas? Na prática, existem atitudes ou ações simples que podem fazer muita diferença. Entre essas atitudes podemos destacar alguns exemplos como:
“Você não deixa seu pai, sua mãe, seu colega dizer frases racistas!”
“É você questionar: quantas pessoas negras estão no espaço de poder? Quantos professores negros você já teve? Quantas pessoas negras fazem o papel de protagonistas em novelas ou filmes?”
“É você saber que não existe racismo reverso, posto que o racismo é um sistema de opressão a pessoas negras. O grupo negro (o grupo que é oprimido) não tem como oprimir ninguém, posto que, de maneira geral, a população negra, tem menos oportunidade de emprego e, via de regra, a renda é inferior a renda das pessoas brancas.”
Apenas para destacar uma informação diretamente imanente a um dos expoentes da nossa Sociedade Brasileira de Química, peço a licença e permissão para relatar informações (https://www2.unicamp.br/unicamp/noticias/2021/08/10/em-memoria-de-oswaldo-luiz-alves-que-deu-negritude-ciencia-brasileira/) sobre o nosso querido professor, pesquisador e cientista Oswaldo Luiz Alves. “Falecido em 10 de julho de 2021, na condição de vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências para a Região São Paulo. Filho de costureira e de encanador e vindo de escola pública, construiu uma trajetória acadêmica admirável, tendo se emocionado especialmente com a sua eleição para membro da Academia (2001), emoção que se repetiu ao receber a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico (2002).” Palavras do nosso querido Professor Oswaldo Alves: "Ao receber a comenda, percebi que, até entre a plateia, eu era o único negro presente. Esse evento me entristeceu e me provocou reflexões importantes sobre a minha atuação." Infelizmente, este tipo de realidade tem sido comumente constatado através do racismo epistêmico.
Como considerações finais, ficam algumas afirmações reflexivas:
“56% da população do Brasil, segundo o IBGE, é de pessoas negras, e, no entanto, as pessoas negras ainda não ocupam os espaços de forma igual ao das pessoas brancas.”
“O letramento racial vai ao encontro do enfrentamento diário. É uma tarefa árdua, difícil. Mas a população negra precisa agir, sair do comodismo, de achar que não é o lugar de fala.”
“O racismo é um problema a ser enfrentado e combatido por todos!”
Texto e Palestra por
Marcone Augusto Leal de Oliveira (UFJF)
(Equipe de Workshop e Webinário do NID-SBQ)
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