SBQ BOL SBPC
SBQ participa de discussões científicas e de questões de gênero e diversidade na 78ª SBPC
Nos últimos anos, o professor Kleber Thiago de Oliveira (UFSCar) tem uma preocupação crescente: a vulnerabilidade do Brasil no setor farmoquímico, especificamente na produção de IFAs (insumos farmacêuticos ativos). Segundo ele, o país consome anualmente algo em torno de 30 mil toneladas destes insumos, mas só produz 1,4 mil tonelada. "É uma situação gravíssima, que precisa ser enfrentada com políticas públicas de fortalecimento da indústria nacional. Nos anos 80, conseguíamos produzir 50% de nossas necessidades de IFAs, mas, a partir da abertura econômica dos anos 90, o setor foi degradado", afirma.
O Professor Oliveira é um dos sócios da SBQ que farão conferências na 78a Reunião Anual da SBPC, semana que vem, em Niterói. Ele participará da mesa-redonda Integração Indústria-Academia em Farmoquímicos no Brasil: Desafios e Caminhos para 2030, coordenada pela professora Claudia Rezende (UFRJ), vice-presidenta da SBQ, e que contará ainda com a presença do professor Rodrigo Souza (UFRJ) e do executivo do laboratório Cristália, Edson Luiz de Silva Lima. "Vou falar sobre o papel da academia na geração de conhecimento e tecnologias que possam impactar o mercado farmoquímico, tema que é o centro da minha pesquisa", assinala.
Oliveira, sócio da SBQ desde 2000, enfatiza o alerta dado pela pandemia, quando tivemos a iminência de um choque e a falta de IFAs no Brasil — e de uma série de outros produtos e insumos de que dependíamos de fontes externas. Na atualidade, nossa dependência de importação de IFAs atinge os 95%, sendo 75% oriundos da China e da Índia. O problema, segundo o professor, é a falta de incentivos para as indústrias, pois trata-se de unidades produtivas de investimento vultoso e de retorno de longo prazo. "Estamos formando profissionais de excelência nessa área, que estão cada vez mais migrando para países em que os farmoquímicos são, acertadamente, considerados produtos estratégicos."
|
|
Professora Letícia Oliveira (UFF): SBPC terá 19 atividades ligadas a questões de gênero, diversidade e equidade.
|
O tema da 78ª SBPC dialoga com o tema da 49ª RASBQ, realizada em junho em Campinas. O ponto central das discussões é a questão da soberania científica, como fator estratégico de desenvolvimento social e econômico do país.
A SBQ estará presente também na mesa-redonda Inteligência Artificial na Publicação Científica: Transparência, Integridade e Novos Paradigmas, coordenada pelo professor Fernando de Carvalho da Silva (UFF), presidente da SBQ, e com a presença dos professores Brenno Amaro da Silveira Neto (UnB), Célia Machado Ronconi (UFF), conselheira da SBQ, e André Silva Pimentel (PUC-Rio).
Outras atividades planejadas pela SBQ para esta reunião da SBPC são as conferências: O que você anda bebendo no seu cafezinho, por Claudia Rezende (UFRJ); Microplásticos e Nanoplásticos na Saúde e Doenças Humanas, por Vitor Ferreira (UFF); e Química: a Ciência Invisível no Enfrentamento dos Desafios Globais, por Fernando de Carvalho da Silva (UFF).
Com público estimado em 15 mil pessoas, a programação da 78a SBPC não se resume ao eixo científico. Entre as mais de 200 atividades do evento figuram as programações "Temáticas", que são discussões transversais divididas em quatro blocos: Afro-Indígena; Gênero, Diversidade e Equidade; SBPC Jovem; e SBPC Cultural. A parte de Gênero, Diversidade e Equidade também conta com uma forte participação da SBQ. No total, são 19 atividades coordenadas pela farmacêutica e neurocientista Letícia Oliveira (UFF), responsável por essa área na SBPC e na UFF. Entre os destaques, três rodas de conversa se conectam com o tema: a professora Giovana Machado (Cetene) participa de Meninas na STEM: Desafios, Ações e Oportunidades, projetando o futuro da inclusão desde a base; na sequência, a professora Maria Fernanda Pimentel, membro do conselho consultivo da SBQ, participa de Reescrevendo o Futuro da Ciência: Editais de Fomento que Rompem Desigualdades, ampliando o debate para as políticas de financiamento; e fechando a professora Maria Vargas (UFMG) coordena a roda de conversa O Valor do Reconhecimento: Por que Premiar Mulheres na Ciência, que discute o valor da visibilidade.
A professora Letícia conta que se interessou pelas questões de gênero e equidade ao participar de um evento na área de neurociência e perceber que havia poucas mulheres na mesa. Junto com sua ex-orientadora, Eliane Volchan (UFRJ), começou a estudar a questão do viés implícito na ciência. "O viés implícito é a tendência de reprodução de padrões socialmente construídos. Um exemplo foi publicado na PNAS. Dois currículos idênticos foram mostrados para um grupo de pessoas. Os currículos eram assinados por um homem e por uma mulher. As pessoas atribuíam características como mais confiabilidade e mais empregabilidade ao currículo assinado pelo homem", conta.
Veja a programação da 78ª SBPC no tema Gênero, Equidade e Diversidade neste link.
Texto: Mario Henrique Viana (Assessoria de Imprensa da SBQ)
|