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Boletim Eletrônico Nº 1712 - 24/09/2026




DESTAQUE

XXII BMIC reúne número recorde de participantes em Armação dos Búzios


O Brazilian Meeting on Inorganic Chemistry (BMIC) voltou ao estado do Rio de Janeiro depois de dezesseis anos. Realizado entre os dias 13 e 16 de setembro, em Armação dos Búzios, o XXII BMIC ocorreu em conjunto com o X Latin American Meeting on Biological Inorganic Chemistry (LABIC), o XI Brazilian Meeting on Rare Earths (BMRE) e o IV Workshop on Theoretical Bioinorganic Chemistry (WTBC).

No total, foram 633 inscritos, vindos de quase todos os estados brasileiros e de países como Estados Unidos, Turquia, Japão, Austrália, Coreia do Sul e África do Sul, além de vários países europeus.

“A resposta da comunidade foi maior do que esperávamos”, afirma a professora Célia Machado Ronconi, da Universidade Federal Fluminense (UFF), presidente do evento. O maior grupo foi formado por pesquisadores e profissionais, com uma forte presença de estudantes de doutorado, mestrado e graduação. Para Célia, os números mostram uma comunidade formada por muitos jovens, mas também com uma grande presença de pesquisadores mais experientes.

A programação teve 99 apresentações: 12 palestras plenárias, 36 conferências keynote, 27 palestras convidadas e 24 comunicações orais. Houve ainda a palestra do Prêmio Jovem Pesquisador oferecido pela Divisão de Química Inorgânica da Sociedade Brasileira de Química (DQI-SBQ), em parceria com a Royal Society of Chemistry (RSC), apresentações rápidas e sessões de pôsteres (431 trabalhos).

“Esta foi uma das maiores edições do BMIC já realizadas”, destaca Célia.

O programa científico foi dividido em oito linhas temáticas, que incluíram química de coordenação, materiais inorgânicos e nanoestruturados, química bioinorgânica, terras raras, química teórica, catálise e eletroquímica. A programação procurou representar as diferentes áreas da química inorgânica e as novas frentes de pesquisa que surgiram nos últimos anos.

A história do evento começou em 1982, com a realização do I Simpósio Nacional de Química Inorgânica, na UNESP de Araraquara. Em 1998, o encontro passou a adotar o nome atual. Desde 2008, o inglês é o idioma oficial.

A organização também procurou ampliar a diversidade entre os participantes e convidados. Uma Comissão de Inclusão e Diversidade acompanhou a equidade de gênero, a participação das diferentes regiões do Brasil, a presença de pesquisadores estrangeiros e as condições de acesso para pessoas com necessidades especiais.

Foram mantidos dois painéis que já fazem parte da programação do evento. Um sobre políticas para terras raras e outro sobre equidade e diversidade, voltado para a participação das mulheres na ciência.

Esta edição também concedeu, pela primeira vez, o Prêmio Jovem Pesquisador DQI-SBQ-RSC a uma mulher, a professora Heveline Silva (UFMG).

“Sabemos que um único evento não resolve todas as barreiras que ainda existem na ciência”, afirma Célia. “Mas podemos mostrar que queremos uma comunidade científica que produza ciência de qualidade, ofereça mais oportunidades e respeite todas as pessoas.”

Antes do encontro presencial, foram oferecidos cinco cursos de curta duração, ministrados remotamente por professores voluntários. Os cursos receberam 282 inscrições.

Para dar sequência à produção científica apresentada no evento, o BMIC terá um volume especial no Journal of the Brazilian Chemical Society (JBCS). Como incentivo à submissão, a organização vai destinar R$ 15 mil para ajudar a cobrir as taxas de publicação dos artigos aceitos nesse volume.

Durante o encerramento, a comissão organizadora apresentou o balanço financeiro do evento. Além das inscrições, o encontro recebeu recursos da FAPERJ, FINEP, do CNPq, CFQ, da RSC, da Society of Biological Inorganic Chemistry (SBIC) e das empresas Horiba, Shimadzu, Bruker e São Carlos Química. A receita total foi de R$ 1.123.945,72. Ao final, houve um saldo positivo de R$ 70.000,45.

Para Célia, o resultado só foi possível graças ao trabalho de muitas pessoas. A comissão organizadora local foi formada por Guilherme Pereira Guedes (UFF), Daphne Schneider Cukierman (UERJ), Annelise Casellato (UFRJ) e Marciela Scarpellini (UFRJ). A organização contou ainda com Fernando Aparecido Sigoli (UNICAMP), coordenador do encontro de Terras Raras; Nicolás Adrián Rey (PUC-Rio), coordenador do LABIC; e Luiz Antônio Sodré Costa (UFJF), coordenador do Workshop de Química Bioinorgânica Teórica. O trabalho dos comitês científicos, revisores, voluntários e equipes técnica e administrativa também foi fundamental para a realização do encontro.

Na abertura, a professora Célia disse aos estudantes e jovens pesquisadores: “Vocês já fazem parte da ciência. Façam perguntas, discutam seus resultados e aproveitem as trocas deste encontro. Espero que vocês saiam daqui se sentindo parte dessa comunidade.”



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