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Boletim Eletrônico Nº 1715 - 15/10/2026




DESTAQUE

Carta Aberta do Núcleo de Inclusão e Diversidade (NID-SBQ)


O Núcleo de Inclusão e Diversidade da Sociedade Brasileira de Química (NID-SBQ) vem manifestar sua enorme preocupação e solidariedade diante dos acontecimentos que atingem as Universidades Públicas Brasileiras, em especial ameaças, intimidações e manifestações de ódio e violência dirigidas às comunidades acadêmicas.

Esses acontecimentos despertam extrema preocupação, não apenas pela perda material e científica, mas também pelo sentimento de insegurança e pelos impactos emocionais provocados em estudantes, docentes, pesquisadores e servidores. Nossa comuNIDade repudia toda forma de VIOLÊNCIA, DISCRIMINAÇÃO, INTOLERÂNCIA e INTIMIDAÇÃO que ameace a integridade de pessoas, a liberdade de expressão, a diversidade de pensamentos, e sobretudo o exercício democrático no ambiente universitário.

O NID-SBQ foi criado com a convicção de que uma sociedade verdadeiramente justa e democrática só pode ser construída coletivamente, por meio do reconhecimento, do respeito e da valorização de cada pessoa, considerando suas individualidades, singularidades e diferenças. Desta forma seguimos afirmando que as universidades públicas brasileiras devem ser espaços seguros, plurais e acolhedores, onde o diálogo, a liberdade acadêmica, a produção do conhecimento e o respeito aos direitos humanos sejam princípios inegociáveis.

Reconhecemos, sobretudo, que é a classe trabalhadora brasileira que sustenta o país, movimenta sua economia e constrói, diariamente, as bases de nossa sociedade. Por isso, a valorização do trabalho, a defesa dos direitos dos trabalhadores e o enfrentamento das desigualdades devem ocupar um lugar central em qualquer projeto de sociedade justa e inclusiva. Essa compreensão deve caminhar lado a lado com as discussões sobre diversidade e inclusão, especialmente daqueles que, por razões históricas, culturais e estruturais, foram sistematicamente impedidos de ocupar plenamente seu lugar na sociedade. Afinal, não é possível falar em inclusão sem reconhecer as desigualdades materiais que limitam o acesso às oportunidades e aos direitos fundamentais.

Na atual conjuntura política, marcada por disputas em torno da garantia de direitos e preservação das conquistas sociais, não podemos perder de vista que as ameaças de retrocessos são reais e permanecem presentes ao longo de nossa história. Direitos conquistados não são garantias permanentes. Por isso, precisamos estar constantemente atentos e dispostos a nos posicionar diante de iniciativas que ferem a dignidade humana, silenciam vozes ou busquem apagar existências. O Brasil é um país amplo e diverso, mas ainda marcado por profundas desigualdades e pela falta de equidade. Acreditamos que a verdadeira justiça social só poderá ser alcançada quando os grupos historicamente marginalizados tiverem assegurado não apenas o acesso, mas também o direito de pertencer, participar e ocupar espaços de convivência, de decisão e de poder.

A ciência se fortalece diariamente por meio das pessoas que a constroem, em toda a sua essência e conhecimento. Que as adversidades não nos silenciem, que as ameaças não nos intimidem e que os desafios não enfraqueçam nossa força. Não desistiremos, não nos calaremos e não recuaremos diante das ameaças aos direitos, à diversidade e à dignidade humana. Seguiremos resistentes, fortalecendo nossas vozes e nosso compromisso coletivo com uma sociedade mais justa e inclusiva.

Enquanto houver desigualdades e vozes a serem ouvidas, continuaremos presentes, atuantes e resistentes. O silêncio jamais será uma resposta!


Texto por:
Pedro Batalha
Olívia Moreira Sampaio
Marcos Palmeira

Equipe NID-SBQ




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