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Boletim Eletrônico Nº 1715 - 15/10/2026




ENTRE MOLÉCULAS E IDEIAS

O ofício de ser professor


Nenhuma sociedade pode existir sem pessoas capazes de exercer bem os diferentes ofícios de que ela depende. Médicos, engenheiros, agricultores, pedreiros, marceneiros e tantos outros profissionais desempenham funções indispensáveis à vida coletiva. Antes, porém, de exercer qualquer uma delas, cada pessoa precisa aprender os conhecimentos e as habilidades necessários ao seu trabalho. É nesse processo de formação que se revela uma das funções mais importantes para qualquer sociedade: a de professor.

Ser professor é, antes de tudo, trabalhar com o conhecimento. Para chegar à sala de aula, ele próprio percorre um longo caminho de formação, estudo e experiência. O conhecimento é sua matéria-prima; a palavra, uma de suas principais ferramentas; a formação de outras pessoas, sua tarefa. Ainda assim, a importância dessa atividade nem sempre é reconhecida na proporção de sua responsabilidade. Isso é particularmente evidente no ensino das primeiras letras, justamente quando se abrem as portas para a autonomia intelectual.

O trabalho docente exige dedicação, aprendizado contínuo e a convicção de que aquilo que se faz hoje poderá produzir efeitos duradouros na vida de muitos estudantes. Apesar das dificuldades e do reconhecimento nem sempre proporcional à sua importância, milhares de professores permanecem fiéis ao ofício de ensinar. O que os move? Cada um certamente terá sua resposta. Para muitos, a profissão oferece algo difícil de traduzir em ganhos materiais: a possibilidade de aprender continuamente, despertar a curiosidade, explorar novas ideias e contribuir para a formação intelectual e humana de outras pessoas. Ensinar é participar de uma aventura permanente, na qual o conhecimento se renova e a descoberta pode acontecer tanto para quem aprende quanto para quem ensina.

Com o tempo, aprende-se que ensinar está longe de simplesmente transmitir conhecimentos. Ser professor é perceber o instante em que um aluno finalmente compreende um conceito que antes parecia obscuro. É ouvir opiniões divergentes e responder com argumentos, respeitando o diálogo e os avanços do conhecimento. É adaptar o ensino às diferentes maneiras de aprender, tratar os estudantes com igualdade sem ignorar suas singularidades e saber quando orientar e quando permitir que cada um descubra o próprio caminho. É, sobretudo, formular a pergunta certa, aquela que desperta a reflexão e abre espaço para descobertas inesperadas. Poucas atividades oferecem tantas oportunidades de acompanhar o crescimento intelectual de outras pessoas.

A decisão de tornar-se professor pode nascer de uma paixão precoce pelo conhecimento. Permanecer na profissão, especialmente diante de dificuldades estruturais e de oportunidades externas mais vantajosas, costuma exigir uma escolha consciente. Em certo sentido, o trabalho docente se aproxima do trabalho de um artista: ambos precisam transformar matéria-prima em algo que tenha significado. Na sala de aula, porém, essa transformação depende também de estudantes dispostos a participar da jornada, questionar, experimentar e descobrir. O reconhecimento mais profundo para um professor está em ver antigos alunos avançarem em suas carreiras, destacarem-se em diferentes áreas e manterem vivo o interesse pelo conhecimento despertado durante sua formação.

Ao comemorarmos o Dia do Professor, quero dizer aos jovens: aproveitem essa oportunidade. Dediquem-se às aulas, estudem, participem das discussões, formulem perguntas e exercitem a reflexão. Valorizem o conhecimento e o esforço de quem se dedica a ensiná-lo. As dificuldades também podem estimular a autonomia intelectual e a criatividade. A universidade não é apenas um lugar para obter um diploma; é, sobretudo, um espaço para aprender a pensar.

Depois de tantos anos de docência, vejo o professor como um operário do saber. Seu trabalho ultrapassa a sala de aula e continua na trajetória de cada estudante, nas perguntas que aprende a formular e na capacidade de pensar com autonomia. Seu maior prêmio não está em medalhas ou títulos, mas no que deixa em outras pessoas: a curiosidade, o pensamento crítico e o desejo de aprender. O professor pode deixar a sala de aula, mas permanece na maneira como seus alunos pensam e questionam o mundo.

Parabéns a todas as professoras e a todos os professores!



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