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05/11/2020



Pós-doutorandos em extinção na UFMS


Esta é a terceira matéria da série "O Papel do Pós-Doc na Ciência", promovida pelo comitê JP SBQ. Falamos sobre as várias funções desses pesquisadores e sua importância como polinizadores da ciência, a dificuldade em abrir portas diante da queda do número de bolsas e concursos, e agora falamos sobre a desigualdade na distribuição das poucas bolsas que ainda restam.

Na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, localizada na região do Pantanal, a pesquisa científica exige um esforço sobre-humano dos alunos e professores para manter-se em pé. A instituição tem apenas 15 bolsas do Programa Nacional de Pós-Doutorado (PNPD) para 36 cursos de mestrado e 21 de doutorado. Muitos cursos e grupos de pesquisa não contam com esse importante profissional da ciência. "Vivemos uma situação caótica", afirma a professora Denise Brentan da Silva, coordenadora do grupo de pesquisa LAPNEM (Laboratório de Produtos Naturais e Espectrometria de Massas). "Nos últimos anos tínhamos de 30 a 40 bolsas PNPD. Para o ano que vem, não conseguiremos indicar novos bolsistas no sistema. Teremos mudanças nas formas de distribuição de bolsas, mas ainda não temos estimativas sobre o número e distribuição dessas bolsas."

A deterioração do sistema de pós-doutorado no Mato Grosso do Sul atingiu também a FUNDECT (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Pesquisa e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul), a qual concedeu bolsas de pós-doutorado através de acordo de cooperação com CAPES, porém desde 2018 esse acordo de cooperação não foi renovado. Em 2014 havia 209 bolsas para todo o estado. Mas desde 2017 nenhuma bolsa é concedida (veja gráfico acima). "Esse ano a FUNDECT está tentando um novo acordo com a CAPES que, se der certo, permitirá 12 novas bolsas de pós-doutorado no estado. Então as perspectivas não são boas."

Professora Denise Brentan da Silva (UFMS): "Temos aqui muitas linhas de pesquisa importantes, tanto relacionadas ao agronegócio, quanto ao Pantanal - estudos na área de química dos produtos naturais, de ecologia, biologia e biotecnologia, mas existem Programas de Pós-Graduação como, por exemplo, em Biotecnologia que não possui nenhuma bolsa de pós-doutorado PNPD."

Denise atuou como coordenadora dos programas de pós-graduação em Biotecnologia e Biodiversidade da Rede pró-Centro Oeste (2017-2019) e Biotecnologia (2018-2019) da UFMS. Foi também vice-coordenadora do programa de pós-graduação em Ciências Farmacêuticas (2016-2019).

"Nós temos aqui muitas linhas de pesquisa importantes, tanto relacionadas ao agronegócio, quanto ao Pantanal, cuja extensa biodiversidade é algo que temos que estudar melhor", descreve Denise. "Temos estudos na área de química dos produtos naturais, de ecologia, biologia e biotecnologia, mas existem Programas de Pós-Graduação como, por exemplo, em Biotecnologia que não possui nenhuma bolsa de pós-doutorado PNPD."

Sem as bolsas, a universidade tem dificuldade para atrair pesquisadores de fora e se beneficiar do caráter polinizador do pós-doutorando, que ao migrar entre grupos diversos de pesquisa, transfere conhecimento. "Acabamos ficando deficientes nessa parte de novas tecnologias serem trazidas para os laboratórios de pesquisa no Mato Grosso do Sul. E também temos muita dificuldade em manter o ritmo de todas as atividades acadêmicas, já que não temos essa espécie de 'gerente' dentro do laboratório, que é o pós-doc", assinala Denise.

Outra consequência nefasta da falta de perspectivas para o doutor recém-formado é a fuga desses profissionais, que acabam migrando para outras regiões ou para fora da ciência. "Temos muitos egressos trabalhando em laboratórios de análises clínicas, farmácias ou lecionando no ensino médio", relata a professora.

No Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas, Arthur Ladeira Macedo é o único pós-doutorando. Ele tem uma bolsa PNPD que foi renovada em 2020 e teria que ser renovada de novo em 2021. "Por enquanto parece que não vamos conseguir renovar. O sistema está fechado para prorrogações e novas inscrições", conta o pesquisador.

Ele é responsável pela linha de metabolômica de projeto de pesquisa que visa a busca por substâncias citotóxicas contra células de câncer de boca em espécies de Piper, em parceria com a UFF e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Arthur também atua em diversos projetos do LAPNEM com espécies do Cerrado e do Pantanal em ecologia química e em busca de substâncias bioativas contra microrganismos e como anti-hipertensivos. O pesquisador ainda participa de projetos com organismos marinhos, em parceria com grupos da UFF e do Instituto Butantan.

Arthur Ladeira Macedo, pós-doutrando na UFMS: "Precisamos de investimento não só em projetos de pesquisa, mas também em projetos de extensão, que têm a finalidade de aproximar a ciência da comunidade."

Sua pesquisa tem um significado tão grande que Arthur cogita a possibilidade de continuar como voluntário dentro do Programa caso sua bolsa não seja renovada. "Provavelmente eu terei de buscar emprego como docente em alguma universidade privada enquanto aguardo algum concurso, mas considero permanecer aqui mesmo que como voluntário", declara. Caso isso ocorra, não será a primeira interrupção em sua trajetória científica – findo o doutorado, Arthur teve que permanecer um ano estudando para concursos e escrevendo projetos, antes de conseguir o emprego atual. Na UFMS a própria substituição por concurso de docentes que se aposentam já não está acontecendo. "As vagas para concursos de docentes estão cada vez mais escassas e já temos um déficit de professores e pesquisadores", relata Denise.

Em sua opinião, o caminho passa pela intensificação da divulgação científica e da pressão sobre o poder público. "Precisamos de investimento na pesquisa e ensino nas universidades públicas. O retorno é alto: mais empregos, mais valor agregado nas indústrias, mais conhecimento (com mais riqueza)..." Arthur concorda e vai além: "Precisamos de investimento não só em projetos de pesquisa, mas também em projetos de extensão, que têm a finalidade de aproximar a ciência da comunidade. E é claro, o investimento privado também deve participar", observa.

O comitê Jovens Pesquisadores SBQ está convidando todos os jovens doutores a se engajarem na luta por melhores condições de trabalho. "Temos a finalidade de promover a representatividade, promover networking, e temos feito webinários com vários temas pertinentes", conta Evandro Silva, doutorando em Química Analítica na Universidade Estadual de Maringá, e membro ativo do JP SBQ. "É muito importante a união de todos."

Ouça a íntegra dessa entrevista: https://anchor.fm/sbqast/episodes/JP-SBQ-Especial-3---Ps-doutorandos-em-extino-na-UFMS-em0r60


Artigos recentes do PPGCF da UFMS:

Borowski, R. G. V.; Barros, M. P.; Silva, D. B.; Lopes, N. P.; Zimmer, K. R.; Staats, C. C.; Oliveira, C. B.; Giudice, E.; Gillet, R.; Macedo, A. J.; Gnoatto, S. C. B.; Zimmer, A. R. Red pepper peptide coatings control Staphylococcus epidermidis adhesion and biofilm formation. International Journal of Pharmaceutics, v. 574, p. 118872, 2020.

Nocchi, S. R.; Kato, N. N.; Almeida, J. M.; Ferreira, A. M. T.; Toffoli-Kadri, M. C.; Meirelles, L. E. F.; Damke, G. M. Z. F.; Consolaro, M. E. L.; Rigo, G. V.; Macedo, A. J.; Tasca, T.; Reis, S. V.; Alves, F. M.; Carollo, C. A.; Silva, D. B. Pharmacological properties of specioside from the stem bark of Tabebuia aurea. Brazilian Journal of Pharmacognosy, v. 2020, p. 2020, 2020

Dembogurski, D. S. O.; Trentin, D. S.; Boareto, A. G.; Rigo, G. V.; Silva, R. C.; Tasca, T.Macedo, A. J.; Carollo, C.A.; Silva, D. B. Brown propolis-metabolomic innovative approach to determine compounds capable of killing Staphylococcus aureus biofilm and Trichomonas vaginalis. Food Research International, v. 111, p. 661-673, 2018


Artigos recentes de Arthur Ladeira Macedo:

MACEDO, A. L.; MARTORANO, L. H. ; ALBUQUERQUE, A. C. F. ; FIOROT, R. G. ; CARNEIRO, J. W. M. ; CAMPOS, V. R. ; VASCONCELOS, T. R. A. ; VALVERDE, A. L. ; MOREIRA, D. L. ; SANTOS JUNIOR, F. M. . Absolute Configuration of (-)-Cubebin, a Classical Lignan with Pharmacological Potential, Defined by Means of Chiroptical Spectroscopy. JOURNAL OF THE BRAZILIAN CHEMICAL SOCIETY, v. 00, p. 1, 2020.

MARINHO, R. F. N. ; ANGRISANI, B. R. P. ; MACEDO, A. L. ; MOREIRA, D. L. ; RIBEIRO, C. M. ; VASCONCELOS, T. R. A. ; VALVERDE, A. L. . 1H and 13C NMR Spectral Data of Neolignans Isolated from Piper Species. CURRENT ORGANIC CHEMISTRY, v. 24, p. 1527-1554, 2020.

LOPES, ELLEN M. ; GUIMARÃES-DIAS, FÁBIA ; GAMA, THÁLIA DO S. S. ; MACEDO, ARTHUR L. ; VALVERDE, ALESSANDRA L. ; DE MORAES, MARCELA C. ; DE AGUIAR-DIAS, ANA CRISTINA A. ; BIZZO, HUMBERTO R. ; ALVES-FERREIRA, MARCIO ; TAVARES, ELIANA S. ; MACEDO, ANDREA F. . Artemisia annua L. and photoresponse: from artemisinin accumulation, volatile profile and anatomical modifications to gene expression. Plant Cell Reports, v. 39, p. 101-117, 2019.

MACEDO, ARTHUR L.; DA SILVA, DIEGO P.D. ; MOREIRA, DAVYSON L. ; DE QUEIROZ, LUCAS N. ; VASCONCELOS, THATYANA R.A. ; ARAUJO, GEISOELLEN F. ; KAPLAN, MARIA AUXILIADORA C. ; PEREIRA, SUIANE S.C. ; DE ALMEIDA, ELAN C.P. ; VALVERDE, ALESSANDRA L. ; ROBBS, BRUNO K. . Cytotoxicity and selectiveness of Brazilian Piper species towards oral carcinoma cells. BIOMEDICINE & PHARMACOTHERAPY, v. 110, p. 342-352, 2019.


Texto: Mario Henrique Viana (Assessoria de Imprensa da SBQ)








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