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03/12/2020



Apesar de você...


Mesmo diante das condições adversas que o País oferece, pesquisadores brasileiros fazem boa ciência aqui e no exterior; empreendedorismo já é um caminho à falta de vagas

Pesquisadores que obtiveram seu doutorado entre 2014 e 2016 fazem parte da última geração que teve acesso a mais oportunidades em concursos e bolsas de pós-doutoramento no Brasil, antes do corte substancial nas vagas nas universidades – até mesmo reposições – e bolsas para novos projetos de pesquisa. Contudo, mesmo com menos trabalho formal e condições deterioradas, os cientistas brasileiros são reconhecidos por sua pesquisa internacionalmente. Nesta quinta matéria da série "O pós-doutoramento no Brasil", do comitê Jovens Pesquisadores SBQ, vamos falar sobre a competência e a qualidade da ciência feita por estes doutores, seja os que estão no Brasil, ou os que cada vez mais buscam oportunidades no exterior.

Vanessa do Nascimento (esq) e Tatiana Cecílio são jovens doutoras que brilham em áreas diferentes. Seja na universidade, indústria, no Brasil ou no exterior, a ciência brasileira é de qualidade.

Tatiana Cecílio e Vanessa do Nascimento representam essa geração. Tatiana é bióloga, com doutorado (2014) em biologia celular e molecular pela Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto. Vanessa é química, com doutorado em síntese orgânica (2015) pela Universidade Federal de Santa Catarina, com período sanduíche em Perugia (Itália). Tatiana obteve um emprego na iniciativa privada, na empresa OXGENE (em Oxford, no Reino Unido), onde trabalha com a ferramenta de edição de DNA, CRISPR, que mereceu o Nobel de Química de 2020. Vanessa é uma das últimas professoras concursadas na UFF – leciona desde 2016 e coordena o Laboratório SupraSelen, onde conduz pesquisas na área de obtenção de organocalcogênios, e de sistemas supramoleculares, que recebeu o prêmio internacional Peer J Awards em 2019.

"Ambas as linhas que desenvolvemos já foram temas de Nobel, a catálise assimétrica em 2001 e a química supramolecular/nanomáquinas em 2016", relata Vanessa, integrante ativa do JP SBQ. "Entretanto, tenho certeza que poderíamos ser muito mais competitivos, trazendo muito mais benefícios para sociedade se não fosse a falta de financiamento que enfrentamos. É por isso que, jovens pesquisadores, já docentes concursados, também estão deixando seus empregos para atuar fora do país. Os dados mostram que no Brasil existem 700 pesquisadores por 1 milhão de habitantes, enquanto os EUA possuem 3.900."

"As oportunidades para o jovem doutor fora do Brasil são muito mais sedutoras", avalia Tatiana Cecílio. "Eu já tinha na cabeça que queria vir para a iniciativa privada na Europa quando vim fazer meu pós-doc, em engenharia genética, em Oxford. Na universidade, conheci um pesquisador que veio para a OXGENE e acabou me convidando", conta a cientista.

"Vocês têm os recursos e o legado para liderar toda a América Latina, se não o mundo, no que um país do futuro deveria ser — no que um país do futuro deveria aspirar a ser", escreveu sobre o Brasil o astrofísico popstar Neil de Grasse Tyson, importante divulgador da ciência na mídia, em suas redes sociais em setembro deste ano.

Para o professor Norberto Peporine Lopes (FCFRP-USP), ex-presidente da SBQ, o jovem pesquisador brasileiro sempre foi bem aceito internacionalmente por suas qualidades. "A ciência brasileira é muito boa. Sem usar métrica, pudemos perceber na pandemia a resposta rápida que nossa comunidade científica deu, mesmo com uma realidade financeira muito diferente dos estrangeiros", avalia. "Nós não fomos meros coadjuvantes nas pesquisas relacionadas ao SARS-Cov2."

Peporine, que escreveu em torno de 440 artigos com mais de 15 mil citações (Google Scholar), observa, no entanto, que o perfil das oportunidades encontradas no Brasil está passando por um processo de transformação. "Por muitos anos nos acostumamos a formar doutores para a pesquisa na universidade. Estamos aprendendo que inovação e agregação de valor é uma outra função, e muito nobre também", assinala. "De uns 10 anos para cá, a maioria dos meus alunos foi para a área de inovação. Há uns três, quatro anos, uma empresa incubada em Ribeirão Preto recebeu um prêmio da American Chemical Society. São jovens que criaram uma estratégia sobre como atuar fazendo pesquisa de qualidade e transferindo conhecimento para o setor produtivo."

A OXGENE, onde trabalha Tatiana Cecílio, é um caso de sucesso de empreendedorismo de base científica. Seu fundador concluiu o doutorado em 2012. Hoje a empresa é uma das líderes no mercado de biologia sintética, estimado pela BBC Research em US$ 5,3 bilhões em 2019. Vem reportando crescimento de 100% no faturamento por três anos seguidos e em 2020 recebeu um aporte de 3 milhões de libras de fundos de investimento. "Nossos clientes são as big pharmas, que nos procuram para o desenvolvimento de projetos", conta Tatiana. "Aqui no Reino Unido, a ponte entre a geração de conhecimento na academia e a produção de inovação para a sociedade acontece de forma muito rápida."

No Brasil essa atividade começa a decolar. "Os escritórios de inovação das universidades vêm melhorando ano a ano e acredito que temos que perseguir essa evolução", afirma o professor Peporine, que acaba de assumir uma função na USP, justamente para fomentar capacidades empreendedoras em pós-doutorandos e doutorandos. "É um desafio novo, e estou muito esperançoso. Em breve vocês terão mais novidades sobre o Nidus, mas basicamente vamos trabalhar na capacitação: o que ele faz no laboratório pode chegar ao mercado? Técnicas que ele aprende no laboratório podem servir à iniciativa privada? Vamos atuar por aí", explica.

O comitê Jovens Pesquisadores SBQ convida a todos os doutorandos e pós-doutorandos que façam contato para fortalecer a rede de defesa pela manutenção das bolsas de pós-doutoramento no Brasil: http://www.sbq.org.br/jp_sbq/contato

Ouça a íntegra dessa entrevista: https://anchor.fm/sbqast/episodes/JP-SBQ-Especial-5---Doutores-brasileiros-se-destacam-aqui-e-no-exterior-en8g9s

Leia a série sobre o Pós-Doutoramento no Brasil

Matéria 1: http://boletim.sbq.org.br/noticias/2020/n3539.php
Matéria 2: http://boletim.sbq.org.br/noticias/2020/n3543.php
Matéria 3: http://boletim.sbq.org.br/noticias/2020/n3552.php
Matéria 4: http://boletim.sbq.org.br/noticias/2020/n3555.php


Texto: Mario Henrique Viana (Assessoria de Imprensa da SBQ)








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