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Boletim Eletrônico Nº 1442

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17/12/2020



Um caminho inovador


Começa a crescer no Brasil a mentalidade empreendedora nas universidades com o objetivo de preparar jovens doutores para o mundo das startups e da inovação

Nos últimos três meses, este Boletim relatou a condição atual dos pesquisadores de pós-doutoramento no Brasil, em uma iniciativa conjunta da JP-SBQ com a Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat). Em uma série de matérias, foram ouvidos doutores e professores que relataram a seguinte situação: queda na oferta de bolsas de pós-doutoramento no Brasil; discrepância na distribuição geográfica de bolsas, com alguns programas de pós-graduação sem nenhum pós-doutor; pós-doutores com dificuldades em encontrar trabalho no Brasil, mas bem aceitos no exterior; as condições de trabalho para o pós-doc no exterior são muito favoráveis em relação ao Brasil, tanto nas universidades quanto nas empresas; os pós-doutores brasileiros fazem boa ciência.

"É uma situação que precisa ser abordada sob dois pontos de vista: o do país, que não consegue reter mão de obra especializada e perde autonomia em ciência, em tecnologia e o do pesquisador, que depois de muito investir em um nível excepcional de especialização se vê tolhido de oportunidades", assinala a pesquisadora Paula Bueno, coordenadora do comitê Jovens Pesquisadores-SBQ. "Esta nossa ação em conjunto com a SBPMat teve como objetivo jogar luz sobre esta realidade."

Pesquisadora Paula Bueno (JP-SBQ): "É uma situação que precisa ser abordada sob dois pontos de vista: o do país, que não consegue reter mão de obra especializada e perde autonomia em ciência, em tecnologia e o do pesquisador, que depois de muito investir em um nível excepcional de especialização se vê tolhido de oportunidades"

Esta semana, para concluir esta primeira fase do projeto "O pós-doutoramento no Brasil", o comitê Jovens Pesquisadores-SBQ ouviu o secretário-geral da sociedade, professor Fernando de Carvalho da Silva (UFF) e o professor Luiz Henrique Catalani (USP), coordenador do Centro de Inovação da USP - InovaUSP.

Prof. Luiz Henrique Catalani (InovaUSP): "O Brasil não tem outra saída. É preciso mudar o tipo de formação das nossas universidades e incluir a visão empreendedora"

"O Brasil não tem outra saída. É preciso mudar o tipo de formação das nossas universidades e incluir a visão empreendedora", avalia o professor Catalani, que foi Diretor do Instituto de Química da USP (2014-18). "Isso já acontece em algumas instituições, mas não é generalizado. Ainda estamos de certa forma presos ao modelo 'ensino-pesquisa-extensão', ao contrário de países desenvolvidos que estruturam seu sistema de pesquisa universitária em 'ensino-pesquisa-empreendedorismo'", conta.

Em sua visão, dois pontos principais devem ser abordados: fomentar o ensino do empreendedorismo e aprimorar a conexão entre o conhecimento gerado na universidade e a transferência de tecnologia para o setor privado, o investidor. "Cabe às universidades investirem a energia necessária para essa reorganização, tanto para fazer a normatização interna para que se beneficie do Marco Legal da Inovação, quanto para, por exemplo, criar pró-reitorias de Inovação Tecnológica, como já fez a UFAM. Por que não?"

No InovaUSP, Catalani coordena uma série de atividades voltadas para estudantes e professores que desejam aproximar suas pesquisas do mercado, buscar uma capacitação para empreender, ou mesmo adquirir habilidades valorizadas na iniciativa privada. "Temos cursos que têm alcançado em torno de 400 submissões para graduandos e pós-graduandos. E criamos modalidades para aceitar alunos que não são da USP: o pós-doutoramento em inovação e uma residência em inovação", relata.

Prof. Fernando de Carvalho da Silva (UFF), secretário-geral da SBQ: "Nós precisamos de uma mudança cultural, no sentido de que empreender não pode mais ser visto como algo menor dentro da universidade ou uma transgressão à tradição acadêmica"

Para o secretário-geral da SBQ, Fernando de Carvalho da Silva, iniciativas como o InovaUSP são mais que bem-vindas. "Nós precisamos de uma mudança cultural, no sentido de que empreender não pode mais ser visto como algo menor dentro da universidade ou uma transgressão à tradição acadêmica", afirma.

A batalha por melhores condições de trabalho para o pesquisador no Brasil, a retomada das bolsas e concursos estão na pauta regular da SBQ. "Nós temos olhado muito de perto para essa situação e para o pós-doutorando – que muitos ainda o confundem com um aluno, quando na realidade ele é um pesquisador extremamente capacitado. A SBQ tem se manifestado constantemente, junto com outras sociedades científicas, em defesa da pesquisa e inovação no Brasil. E também temos criado programas e procurado abrir outras oportunidades, pois está claro que não podemos contar apenas com o financiamento público", observa Da Silva.

Ele cita o Prêmio SBQ de Inovação Fernando Galembeck, criado em 2006 para reconhecer a competência e a capacidade inovadora dos pesquisadores, além de reconhecer a sua atuação na ciência e tecnologia nacionais. Também o Prêmio Hans Viertler, outorgado a pesquisadores associados da SBQ, com idade máxima de 35 anos e que tenham se destacado no ano anterior no desenvolvimento de pesquisa científica ou tecnológica.

Pesquisador Alan Pilon (JP-SBQ): "Queremos identificar esses jovens doutores, entender o que fazem e suas perspectivas de carreira, quer na posição de pós-doutores, professores recém-contratados, profissionais do setor privado e também os que atualmente não se encontram em posições de trabalho formal"

Frente a este cenário de mudanças, a JP-SBQ realizará em 2021 um censo sobre as condições dos jovens doutores brasileiros, como explica o pesquisador Alan Pilon, membro ativo do JP-SBQ. "Queremos identificar esses jovens doutores, entender o que fazem e suas perspectivas de carreira, quer na posição de pós-doutores, professores recém-contratados, profissionais do setor privado e também os que atualmente não se encontram em posições de trabalho formal", explica.

O censo vai contemplar temas como demografia, área de pesquisa, produtividade e ensino, perspectivas de carreira e suporte, direitos e deveres, e inovação. "Esperamos que este censo gere material para identificar os principais desafios para categoria como tambpem subsidiar a discussão de uma política pública que aborde esse problema", assinala Pilon.

Em breve este Boletim trará mais novidades sobre o Censo do Pós-Doutoramento no Brasil.

Conheça o InovaUSP: https://inova.usp.br/

Ouça a íntegra desta entrevista:
https://anchor.fm/sbqast/episodes/JP-SBQ-Especial-6---Um-caminho-inovador-ensjvm

Leia a série JP-SBQ sobre o Pós-Doutoramento no Brasil
Matéria 1: http://boletim.sbq.org.br/noticias/2020/n3539.php
Matéria 2: http://boletim.sbq.org.br/noticias/2020/n3543.php
Matéria 3: http://boletim.sbq.org.br/noticias/2020/n3552.php
Matéria 4: http://boletim.sbq.org.br/noticias/2020/n3555.php
Matéria 5: http://boletim.sbq.org.br/noticias/2020/n3557.php

Leia a série de matérias da SBPMat sobre o Pós-Doutoramento no Brasil:
https://www.sbpmat.org.br/pt/especial-pesquisadores-sem-remuneracao/
https://www.sbpmat.org.br/pt/english-pesquisadores-sem-remuneracao-olivia-carr/
https://www.sbpmat.org.br/pt/pesquisadores-sem-remuneracao-bruno-cesar-da-silva/
https://www.sbpmat.org.br/pt/pesquisadores-sem-remuneracao-thiago-marinho-duarte/


Texto: Mario Henrique Viana (Assessoria de Imprensa da SBQ)








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